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Os melhores amigos de Freud

terça-feira, 26 fevereiro 2013

Enquanto Freud analisava o sonho de seus pacientes, uma fiel companheira permanecia aninhada junto à sua poltrona. Era a cadela Jofie (Jo-Fi), da raça chow-chow, que costumava levantar-se para notificar o paciente que seu tempo estava esgotado. “Se Jofie manifesta desagrado por alguém que nos visita, pode estar certo que há alguma coisa errada com essa pessoa” disse Freud certa vez. A raça chow-chow era a preferida do “herr professor” e, além de Jofie, ele teve também a cadela Lün que o acompanhou no período crítico de sua doença.

Freud gostava tanto de seus cães que, em 1926, em uma entrevista ao jornalista norteamericano George Sylvester Viereck, chegou a dizer que preferia a companhia dos animais à companhia humana. Leia abaixo o trecho:

George Sylvester Viereck: Por vezes imagino se não seríamos mais felizes se soubéssemos menos dos processos que dão forma a nossos pensamentos e emoções. A psicanálise rouba a vida do seu último encanto, ao relacionar cada sentimento ao seu original grupo de complexos. Não nos tornamos mais alegres descobrindo que nós todos abrigamos o criminoso e o animal.

Sigmund Freud: Que objeção pode haver contra os animais? Eu prefiro a companhia dos animais à companhia humana.

George Sylvester Viereck
: Por quê?

Sigmund Freud: Porque são tão mais simples. Não sofrem de uma personalidade dividida, da desintegração do ego, que resulta da tentativa do homem de adaptar-se a padrões de civilização demasiado elevados para o seu mecanismo intelectual e psíquico. O selvagem, como o animal, é cruel, mas não tem a maldade do homem civilizado. A maldade é a vingança do homem contra a sociedade, pelas restrições que ela impõe. As mais desagradáveis características do homem são geradas por esse ajustamento precário a uma civilização complicada. É o resultado do conflito entre nossos instintos e nossa cultura. Muito mais desagradáveis são as emoções simples e diretas de um cão, ao balançar a cauda, ou ao latir expressando seu desprazer. As emoções do cão (acrescentou Freud pensativamente) lembram-nos os heróis da Antiguidade. Talvez seja essa a razão por que inconscientemente damos aos nossos cães nomes de heróis com Aquiles e Heitor.

 

A L&PM tem uma série inteira dedicada a Freud com traduções feitas direto do alemão. Clique aqui para ver.