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O Homero do Oceano Pacífico

quinta-feira, 1 agosto 2013

Albert Camus afirmou que Herman Melville era o Homero do Oceano Pacífico. Com uma literatura  perpassada pela busca da perfeição  e pela constante luta entre o Bel e o Mal, o autor de Moby Dick cantou o mar como nenhum outro. Nascido em Nova York no primeiro dia de agosto de 1819, Herman Melville era herdeiro - tanto de pai, quanto de mãe – de uma gloriosa e sólida tradição familiar. A tradição, no entanto, não teve forças para sustentar-se durante os anos da depressão econômica e a fortuna da família Melville desapareceu como sal na água.

Depois da morte do pai, aos vinte anos, Melville embarcou como camareiro em um navio que zarpava para Liverpool. Surgia aí sua paixão pelo mar.

Em 1841, veio outra viagem, dessa vez no baleeiro Acushnet que rumava para o Pacífico, e que mais tarde seria a inspiração para Moby Dick. Quando o navio lançou âncora nas Marquesas, em julho de 1842, Melville e seu companheiro, o personagem Toby de seu livro Taipi, desertaram do navio e moraram com os canibais, deixando a ilha quatro semanas mais tarde, dessa vez a bordo de um baleeiro australiano, o Lucy Ann. Com outros membros da tripulação, Melville participou de um motim no Lucy Ann, foi legalmente confinado em Taiti, fugiu com um companheiro para uma ilha vizinha e chegou a Honolulu em outro balleiro.

Em Honolulu, quando a fragada Unided State aportou de uma viagem para Boston, Melville alistou-se na Marinha. A disciplina naval, no entanto, o deixou nauseado e, a partir de seus 25 anos, ele embarcou em outra viagem: a literatura. Taipi foi o primeiro desses livros.

Em 1851, foi lançado Moby Dick, obra que, atualmente, é considerada uma das mais importantes da literatura ocidental. Mas que, na época de sua publicação, não fez muito sucesso entre os leitores. O motivo da impopularidade inicial foi que o escritor optou por tratar de temas mais complexos e elaborados, enquanto as pessoas esperavam por relatos de aventuras mais simples como aquelas que estavam em seus primeiros livros.

Herman Melville morreu em 28 de setembro de 1891, depois de abandonar a carreira de escritor. Deixou alguns manuscritos incompletos, entre eles Billy Budd, marinheiro, descoberto apenas em 1920.

A imagem mais jovial que se tem de Herman Melville

Seis meses em pleno mar! Sim, leitor, por minha vida, seis meses sem ver terra firme, navegando em busca de baleia, deixando o sol crestante do Equador, e jogados pelas vagas do poderoso Pacífico – o céu em cima, o mar em torno de nós, e nada mais! Faz semanas e semanas, todas as nossas provisões de víveres frescos se esgotaram. (Trecho inicial de Taipi, de Herman Melville)

Leia um livro. Salve um livro

quinta-feira, 4 julho 2013

Maior prêmio de publicidade do mundo, o Cannes Lions International Festival of Creativity deste ano premiou com o Leão de Ouro um anúncio espanhol cujo título é “Salva un libro. Lee un libro.” (Salva um livro. Lê um livro).

O anúncio mostra o Pequeno Príncipe morto em meio a uma guerra. No texto se lê “Quando você passa muito tempo na frente de um videogame de guerra não são só os seus inimigos que morrem”. Criado pela agência de publicidade espanhola Grey Madrid para a Associação dos Editores da Espanha, a campanha “Salva um livro. Lê um livro” tem mais dois anúncios além desse. E todos seguem a mesma linha de raciocínio: é preciso “salvar” os livros das novas ofertas de entretenimento como séries de TV e games.

A campanha com os três anúncios foi veiculada no Dia Mundial do Livro, 23 de abril de 2013. O anúncio que mostra Dom Quixote morto (por um personagem de Game) traz o texto “Quando você passa horas jogando no seu celular, o que se perde são mais do que pontos.”. E no que tem Moby Dick encalhado em uma praia que parece o cenário do seriado Lost, se lê “Quando você dedica todas essas horas assistindo à série de TV mais popular da história, não são só os personagens que acabam perdidos.” 

Clique nas imagens ampliá-las:

pequeno_principe_espanhol

quixote_espanhol

moby_espanhol

Literatura em códigos

quarta-feira, 23 fevereiro 2011

Literatura digital é a bola da vez. Em breve, os e-books L&PM já estarão disponíveis e as iniciativas independentes também não ficam para trás. O projeto books2barcodes, mantido pelo site Wonder-Tonic, transformou 12 clássicos da literatura em QRCode, uma espécie de código de barras que pode ser lido por celular. A ideia é “tornar a literatura de ontem acessível às tecnologias de hoje”. Alguns dos títulos disponíveis no books2barcodes são Alice no país das maravilhas, Sherlock Holmes, Orgulho e preconceito e Guerra e paz.

O formato alternativo, no entanto, apresenta alguns problemas como a baixa capacidade de armazenamento: cada código contém apenas de 800 caracteres, o que pode tornar a leitura um pouco trabalhosa. Os QRCodes que compõem Guerra e paz, por exemplo, se impressos, caberiam em 343 páginas formato A4. Tudo bem que os 4 volumes do clássico de Tolstoi, somados, têm 1492 páginas, mas se a ideia é inovar no formato, o resultado teria que ser, no mínimo, mais prático.

As pílulas de texto podem ser baixadas em qualquer celular com câmera fotográfica que tenha instalado um aplicativo que lê código de barras, como o RedLaser, ou ainda o Google Goggles. Não há entraves técnicos para a maioria dos smartphones, o problema realmente é a paciência para baixar o livro de 800 em 800 caracteres.