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Academia Sueca revela carta em que Sartre avisava que recusaria o Nobel

terça-feira, 6 janeiro 2015

Ao vencer o Prêmio Nobel de Literatura em 1964 Jean-Paul Sartre recusou o prêmio. Até aí nenhuma novidade. O que se descobriu agora é que essa saia justa poderia ter sido evitada caso uma carta enviado por Sartre à Academia Sueca, responsável pelo prêmio, não tivesse demorado para chegar. Em uma mensagem escrita em outubro daquele ano, Sartre pedia que não fosse cotado para o prêmio, pois caso vencesse não aceitaria.

Só que, quando a carta foi entregue em Estocolmo, Sartre já estava entre os indicados. Semanas depois, o filósofo francês foi anunciado vencedor e, como tinha avisado, recusou o prêmio. A recusa, aliás, entrou para a história como o caso mais famoso e surpreendente de alguém que tinha dito “não” à Academia Sueca.

Sartre nobel

Em um texto publicado pouco depois do episódio no jornal “Le Monde”, Sartre lamentou o fato de sua decisão ter se tornado um escândalo. “Um prêmio foi oferecido e eu recusei”, escreveu ele. “Não sabia que essa decisão era tomada sem o conhecimento do vencedor, e acreditava ainda estar em tempo de evitar o ocorrido.”

A existência da carta em que Sartre avisava que não aceitaria o prêmio só veio à tona no final de 2014, em uma reportagem do diário sueco “Svenska Dagbladet”. Isso porque a Academia Sueca mantém sigilo de 50 anos sobre os bastidores de todas as decisões tomadas.

Na época da recusa, Sartre já havia publicado os três primeiros volumes de O idiota da família, a biografia de Gustave Flaubert que é publicada pela L&PM.

Não digam à minha mãe que sou jornalista

segunda-feira, 27 setembro 2010

*José Antonio Pinheiro Machado

Não há nada que irrite mais o príncipe do que o conhecimento da verdade, quando ela se opõe aos seus fins ou impede seus propósitos, escreveu Juan Luis Cebrián, num livro indispensável que acaba de ser lançado no Brasil: O pianista no bordel.O título do livro utiliza a ironia de um ditado espanhol: “Não digam à minha mãe que sou jornalista, prefiro que continue pensando que toco piano num bordel.” É um livro que celebra o jornalismo e as dificuldades para exercer com correção e eficiência essa profissão. Cebrián foi diretor-fundador de um dos mais importantes jornais do mundo, El Pais, que começou a circular em 1976, durante a transição na Espanha da ditadura de Franco para a democracia, e atualmente é um dos administradores do francês Le Monde. Os dois jornais têm algo em comum: El Pais, nas últimas três décadas, e Le Monde, desde sempre, se tornaram referências mundiais na busca da isenção e na despreocupação em desagradar os personagens de suas matérias. O grande Balzac é um exemplo: quando era elogiado, adorava os jornais. Quando recebeu críticas mudou de lado e escreveu: “Se a imprensa não existisse, seria preciso não inventá-la.”

*Advogado e jornalista.  Autor de diversos livros de gastronomia publicados pela L&PM.