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Um brinde aos escritores

quinta-feira, 22 dezembro 2011

Verão combina com viagem, que combina com férias, que combina com uma bebidinha, que combina com… escritores. E é para fazer um brinde a tudo isso que separamos aqui alguns autores e suas bebidas preferidas. Tim tim!

Entre as bebidas favoritas de William Faulkner estava o Mint Julep, uma mistura nada inocente de uísque e cerveja:

Charles Bukowski era amante da Boilermaker, cerveja “emparelhada” com uma dose de uísque. Funciona assim: primeiro, o cidadão bebe o uísque de um gole só. Depois, degusta sua cerveja (de preferência escura), lentamente. Mas esse é só para os fortes como o velho Buk…

William Burroughs gostava de algo mais simples: Vodka com coca-cola. Este nem precisa de receita. Basta acrescentar gelo:

F. Scott Fitzgerald e sua Zelda adoravam Gin Rickey, um coquetel que mistura gin, suco de limão e água com gás:

A bebida de Dorothy Parker era o Whisky Sour que leva uísque, suco de limão e açúcar… Uma espécie de caipirinha inglesa.

Ernest Hemingway gostava de um bom Mojito, bebida que ele descobriu em Havana e que se prepara com rum, limão e hortelã:

E pra mostrar que a gente também lembra de quem está no hemisfério norte, onde o frio anda de lascar, sugerimos a bebida preferida de Oscar Wilde: o poderoso Absinto.

Só não esqueça: se beber, não dirija. Aliás, fique em casa. Quem sabe lendo um bom livro…

Dorothy Parker e “The Ginger Man”

terça-feira, 6 dezembro 2011

Quatro vivas entusiasmados*

Por Dorothy Parker

J. P. Donleavy, autor do impressionante romance The Ginger Man, nasceu no Brooklyn, cresceu no Bronx, então foi para Dublin e estudou no Trinity College. Ele provavelmente voltou ao seu solo nativo por algum tempo, pois a contracapa de seu romance [McDowell, Obolensky, edição expurgada, 1958] diz que grande parte dele foi escrito no Bronx e em Boston, mas seja lá onde tenha sido, ele o fez com o amor por Dublin no coração e a batida de Dublin na cabeça. Apesar de ter uma lista completa de preferências menos perfeitas do que esse livro – eu penso que muitos dias vão se passar antes de me deparar com algo que chegue perto de brilhar tanto quanto The Ginger Man. Acredito que, quando isso acontecer, terá sido escrito pelo Sr. Donleavy.

A palavra “picaresco” de alguma forma me soa sonolenta, mas acredito que seja necessária agora – todos temos de fazer sacrifícios de vez em quando. Então vamos lá: The Ginger Man é o romance picaresco que faz todos pararem. Vigoroso, violento, loucamente divertido, ele é a malemolência da malandragem, uma clamorosa canção cômica sobre sexo. Um crítico na Inglaterra – onde o livro teve um sucesso surpreendente – o chamou de “uma contribuição inequívoca para o tema dos ‘jovens homens furiosos’”, mas uma nota biográfica explica que o Sr. Donleavy não gosta disso, nem deveria.

Seu livro não é furioso, a menos, é claro, que você queira deslocar seu alcance para o postulado de que comportamentos ultrajantes sejam uma forma de protesto furioso. (Eu entendo, aliás, que todos os chamados jovens homens furiosos se sintam insultados pelo título dado ao grupo. Eu não vejo porque se ressentem disso – certamente se há qualquer geração que tenha o direito de sentir raiva é a deles.) Mas com certeza não há nenhuma indignação na boa e honesta obscenidade; e é inegável que The Ginger Man é o mais obsceno possível. Se há os que se chocam com ele, fico tentada a dizer, “Tudo bem, vá em frente e fique chocado.” Eu acredito, de fato, que eu poderia ceder à tentação e gritar essas devastadoras palavras a qualquer minuto.

Outro crítico inglês diz que o estilo do Sr. Donleavy é uma mistura de Henry Miller e James Joyce –a influência de Joyce eu até posso ver, claro, mas a conexão com Henry Miller é um enigma para mim. (É justo admitir que por muito tempo qualquer coisa relacionada a Henry Miller era um enigma para mim. Mas então um enorme cão, em uma ovação de boas-vindas depois que ficamos separados por apenas um quarto de hora, pulou sobre mim e me jogou pra trás, causando uma concussão. E talvez seja desse choque não premeditado que tenha se originado minha atual cativante inabilidade de lembrar um número de telefone durante o tempo que se passa entre a lista telefônica e o aparelho, efeito que me concedeu visão dupla por alguns dias. E que empreguei para tentar ler novamente as obras do Sr. Miller, prosseguindo sem dificuldades.) Para mim The Ginger Man traz em seu humor absurdo uma leve sugestão de como o Murphy de Samuel Beckett teria sido se o Sr. Beckett não tivesse se enrolado em uma escrita elaborada, ou talvez traga de forma nebulosa à memória o ótimo romance de Joyce Cary, The Horse’s Mouth, apesar do Sabastian Dangerfield do Sr. Donleavy fazer o patife de Joyce Cary ficar parecendo o queridinho do professor. Mas isso é exagero da minha parte. No que se refere ao estilo e ao tema do livro do Sr. Donleavy, temos que tirar o chapéu para ninguém menos do que o Sr. Donleavy.

*Dorothy Parker escreveu esta resenha, entitulada “Four rousing cheers” em julho de 1958 para a Revista Esquire. Tentamos traduzí-lo mantendo a sonoridade, mas, para quem lê em inglês, vale clicar aqui e dar uma olhada no original, repleto de jogos de palavras e aliterações. The Ginger Man acaba de chegar à Coleção L&PM POCKET com o título de Um safado em Dublin.