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O espírito de Sir Arthur Conan Doyle

quinta-feira, 30 outubro 2014

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Em vida, Sir Arthur Conan Doyle falou que preferia ser lembrado por seus escritos sobre o espiritismo do que por seus romances de Sherlock Holmes. Mas isso, como você bem sabe, não aconteceu. A ligação do escritor britânico com o espiritismo, no entanto, segue sendo mencionada sempre que se pensa em alguém famoso que tenha realmente se dedicado a estudar, defender e disseminar essa “doutrina baseada na crença da sobrevivência da alma e da existência de comunicação, por meio da mediunidade, entre vivos e mortos, entre os espíritos encarnados e os desencarnados” conforme verbete do dicionário Aurélio.

A Biblioteca Britânica possui em seu acervo gravações raras do escritor, feitas não apenas antes como também depois de sua morte. Em uma delas, divulgada no site da British Library, é possível ouvir uma conferência de Conan Doyle sobre espiritismo, realizada em 14 de maio de 1930, apenas dois meses antes de sua morte. Ele abriu sua palestra dizendo

“As pessoas perguntam o que você tem a ganhar com o espiritismo. A primeira coisa é que ele dissipa totalmente o medo da morte. Segundo, ele é uma ponte para que possamos nos comunicar com aqueles entes queridos que possamos vir a perder.”

Clique sobre a imagem do disco para escutar as palavras do próprio Conan Doyle:

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O espiritismo surgiu em meados do século 19 na América, mas foi principalmente após a Guerra Civil Americana, quando as pessoas procuravam ajuda para se comunicar com os familiares falecidos, que ele ganhou mais adeptos. Apesar de Conan Doyle ter ficado intrigado com o fenômeno já em 1880, sua crença só se afirmou depois que ele participou de uma sessão na qual teve certeza de ter contatado seu filho Kingsley, que morreu de pneumonia em 1917, após ter sido ferido na França.

Conan Doyle escreveu mais de sessenta livros sobre espiritismo, incluindo A História do Espiritismo, um tomo de dois volumes publicado em 1924. Ele também desenvolveu uma forte amizade com Harry Houdini que, além de acreditar na vida após a morte, também se dedicava a desmascarar golpistas que queriam lucrar com o movimento espírita. O relacionamento entre Conan Doyle e Houdini chegou a um amargo fim quando o escritor convidou o ilusionista para uma sessão privada, durante a qual a mulher de Conan Doyle, Jean, alegou ter entrado em contato com a mãe de Houdini. O problema foi que a mensagem teve início com o sinal da cruz, o que seria impossível, já que o espírito em questão tinha sido esposa de um rabino. Acreditando ter sido vítima de uma farsa, Houdini se ressentiu profundamente.

Em julho de 1930, uma semana após a morte de Conan Doyle, milhares de pessoas participaram de uma sessão espírita no Royal Albert Hall em que um médium alegou ter se comunicado com ele.

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Quatro anos depois, em 28 de abril de 1934, uma sessão espírita realizada por Noah Zerdin no Aeolian Hall, New Bond Street, em um auditório com capacidade para 560 pessoas, registrou contato com 44 espíritos e Conan Doyle teria sido um deles.  A famosa sessão realizada no Aeolin Hall foi gravada em 26 discos de acetato que ficaram guardadas por décadas até que, em 2001, foram reveladas por Dan Zerdin, filho de Noah.

Clique aqui e ouça a gravação em que o suposto espírito de Sir Arthur Conan Doyle envia a mensagem: “Cuide dos meus meninos e de minha boa esposa, Jean.”

A L&PM Editores não publica nenhum livro de Conan Doyle sobre espiritismo, mas histórias de Sherlock Holmes temos muitas.

Mostra de ilustrações infantis em Londres

quinta-feira, 3 outubro 2013

Começa na sexta-feira, 4 de outubro, na British Library em Londres, a exposição “Picture This: Children’s Illustrated Classics”. A mostra traz ilustrações de 10 clássicos da literatura infantil do século 20. Os desenhos são todos originais como o que está logo abaixo e é assinado por Rudyard Kipling. “The Elephant Child” foi feito em 1902.

A mostra vai até 26 de janeiro de 2014.

"The Elephant Child", de Rudyard Kipling. Clique na imagem para ampliá-la.

“The Elephant Child”, de Rudyard Kipling. Clique na imagem para ampliá-la.

E por falar em literatura infantil, clique aqui e dê uma olhada nos últimos lançamentos do gênero da L&PM.

O manuscrito original de Alice

sexta-feira, 27 janeiro 2012

Como Lewis Carroll, só Lewis Carroll. A riqueza de seus personagens, de seus cenários e de seu texto – recheado de charadas, trocadilhos e referências de época – revela uma mente matematicamente criativa que o mundo jamais viu igual. Nascido em 27 de janeiro de 1832, Carroll criou a mais famosa e engenhosa história infantil de todos os tempos: Alice no País das Maravilhas. Para homenageá-lo no dia de seu aniversário, e presentear os fãs desta incrível história, apresentamos o manuscrito original que hoje encontra-se na British Library (Biblioteca Britânica). As páginas estão disponíveis no site da biblioteca e nós montamos um “flip” para que ele possa ser folheado como a menina Alice fez ao recebê-lo das mãos do escritor.

Este manuscrito, um dos melhores da British Library – tesouro querido, é a versão original de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, o pseudônimo de Charles Dodgson, um matemático de Oxford. Dodgson gostava de crianças e fez amizade com Lorina, Alice e Edith Liddell, jovens filhas do vice-reitor de sua faculdade, Christ Church.

Em um dia de verão de 1862, para entretê-las durante um passeio de barco, ele contou uma história de aventuras vivida por Alice em um mundo mágico ao entrar numa toca de coelho. A Alice de dez anos de idade ficou tão extasiada que pediu que ele anotasse a história para ela. Levou algum tempo, mas ele escreveu o conto – à mão, numa caligrafia minúscula – que foi completada com 37 ilustrações. Então, em novembro de 1864, Alice finalmente recebeu o livro de 90 páginas, dedicado a “uma criança querida, em memória de um dia de verão”.

Incitado por amigos a publicar a história, Dodgson reescreveu e aumentou o texto, removendo algumas das referências familiares privadas e acrescentando dois novos capítulos. A versão publicada foi ilustrada pelo artista John Tenniel.

Muitos anos depois, Alice foi forçada a vender seu precioso manuscrito em um leilão. Ele foi comprado por um colecionador americano, mas retornou à Inglaterra em 1948 quando um grupo de benfeitores americanos doou-o à British Library em reconhecimento ao papel do povo britânico na Segunda Guerra Mundial.

(Texto de apresentação do manuscrito que está no site da British Library)