Parabéns Monsieur Balzac

Por Ivan Pinheiro Machado

Eu já escrevi neste blog sobre “eu e Balzac”. Sobre como me tornei – sem querer – um “especialista amador” no legendário romancista. Volto ao assunto porque hoje é o aniversário de Balzac. Ele nasceu em 20 de maio de 1799, portanto, se vivo fosse, tipo um personagem bíblico, teria 212 anos.

Na sua torturada biografia, Balzac debateu-se várias vezes com o fracasso, tanto como homem de negócios, como na vida amorosa e, principalmente, como homem de letras. Embora tenha atingido grande sucesso de público, foi preterido frequentemente pela “inteligentzia” parisiense. Concorreu várias vezes a uma cadeira na Academia Francesa e foi sistematicamente recusado. Mas a vida sempre foi assim. Muitos daqueles que desfrutaram em sua época o tão sonhado “prestígio literário”, hoje ninguém sabe quem são. Nem se houve falar. Ficaram perdidos nas profundezas do tempo que engole implacavelmente as mediocridades. E, no entanto, dois séculos depois, estamos falando de Balzac. O grande maluco. O autor de mais de 200 romances, novelas e contos, dos quais assinou somente 100 com o seu nome. Justamente as que compõem o maior monumento da literatura ocidental, a “A Comédia Humana”.

Eu redescobri, e fui obrigado a ler Balzac, porque decidimos, aqui na L&PM, editar o mais importante da Comédia Humana e fui encarregado de capitanear este projeto. Balzac foi uma das maiores descobertas literárias da minha vida. Comecei lendo para cumprir uma tarefa. Acabei mergulhando num mundo que me fascinou e me fascina até hoje. Balzac jamais decepciona. É diversão garantida. E a obra que ele escreveu em menos de 20 anos é suficientemente imensa para abastecer uma vida inteira de fabulosos romances. Uma obra que atravessa os tempos com a mágica e o encanto intactos. E isto é o que se chama de clássico. Parabéns, monsieur Honoré de Balzac.

Observação: no blog da L&PM você encontra a “Série Balzac” com textos sobre sua vida e a sua obra. E clique aqui para ver os romances de Balzac publicados pela L&PM Editores em papel e em e-book.

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  1. Rodrigo disse:

    Sinceramente não entendo, Ivan, pq vcs decidiram editar [apenas] o mais importante da Comédia Humana. Pq não toda a obra-universo desse gênio-criador?! Sei que é uma obra vastíssima, mas vale a pena lê-la e deixá-la para a posteridade na estante dos nossos filhos em formato de bolso L&PM.

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