Filmar On the road é uma estrada sem fim

Depois de divulgar os prováveis atores dos papéis principais de On the road e de dizer que estava procurando nomes para os papéis secundários, Walter Salles anunciou em recente entrevista que agora só “um milagre” fará com que consiga terminar a sua produção independente. Apesar do diretor não ter desistido oficialmente, nada garante que algum dia assistiremos à adaptação da principal obra de Jack Kerouac nas telas do cinema. Gus van Sant e Jean-Luc Godard já haviam desistido antes mesmo de começar e agora é a vez de Salles queixar-se das dificuldades de fazer um “Road movie” com diferentes locações espalhadas pelo vasto território californiano. “Esse filme tem uma história de 50 anos de tentativas. É um pouco um filme Sísifo, em que você nunca tem a certeza de que vai conseguir levar a pedra lá para cima”, disse o diretor, em conversa com a Folha de S. Paulo

Mas se o longa-metragem não está nem perto do fim, Walter Salles pelo menos conseguiu realizar À Procura de On the Road, um documentário que registra, segundo ele mesmo, a “busca por um filme possível”. O trabalho de 60 minutos foi editado em uma semana e exibido no Festival de Cinema de San Francisco, mas não deverá ser visto novamente. Uma pena, pois nele estão depoimentos de gente como Sean Penn, Wim Wenders, Peter Coyote e Johnny Depp. 

A pergunta que fica no ar é: se é tão difícil filmar, não seria melhor esquecer e deixar a obra de Kerouac somente para leitores?  A L&PM Editores possui treze títulos de Kerouac, entre eles On the road – o manuscrito original, o recém lançado Satori em Paris e ainda Big Sur, que acaba de sair em nova edição.

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  1. Rodrigo Ferreira disse:

    Tentar transformar em filme um livro onde o importante não é a história, ou um enredo firme, mas sim a expressão sincera e sentimentalista de um jovem, que coloca através de um fluxo maravilhoso de palavras as imagens de todos os lugares onde passou, que romantiza e consegue encontrar todas as belezas inimagináveis que estão dentro das pessoas onde poucas pessoas conseguiriam encontrar beleza, é uma tarefa praticamente impossível. Adaptações de filme nesse estilo só são possíveis com um exímio narrador, que fala com a carisma do escritor, e tem espaço suficiente para fazê-lo. É possível achar tanto espaço assim para adaptar On The Road? E como foi bem colocado no texto, há motivo para isso? Nem todo livro marcante merece um filme. Além de ser arriscado demais, não é necessário um filme para popularizar o que o livro passa. A influência de Kerouac já vive no cinema. Não é necessário uma adaptação explícita, para ver Sal Paradise ou Jack Duluoz perseguindo emoções nas telas.

    • Se com Ensaio sobre a Cegueira deu certo, na minha opinião, por que não daria com On The Road? Realmente acho que é um enorme desafio colocar tanto sentimento e reflexões causando o mesmo impacto na tela que o texto possui. Mas eu gostaria de ver On The Road no cinema.

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