Rimbaud: mais do que um homem, um mito

Jean-Nicolas-Arthur Rimbaud nasceu em 20 de outubro de 1854. Era filho de Frédéric Rimbaud e de Vitalie Cuif Rimbaud, ele um militar, pai ausente, que sumiu de casa em 1860, ela, autointitulada “viúva” (jamais teve a notícia da morte do marido), pessoa extremamente rígida que criou sozinha os 4 filhos, Frédéric, Arthur, Vitalie (que morreu aos 17 anos) e Isabelle. Aos 14 anos Arthur era considerado um aluno especial, um gênio. A prova disso é que venceu o concurso anual que se realizava na França de poesia latina, concorrendo com alunos bem mais velhos do que ele. Aos 15 anos já se correspondia com Paul Verlaine, poeta que admirava. Fugiu de casa e foi encontrá-lo em Paris.

Rodou pelo Oriente Médio, foi mercenário no exército colonial holandês, trabalhou no Chipre, Gênova, voltou à França e finalmente sumiu na África. Áden, Harar, Choa, os desertos da Abissínia, do Iêmen. Onze anos vivendo uma vida terrível, sob 50 graus à sombra, cujo testemunho são as cartas para a família e depoimentos ocasionais de exploradores, comerciantes e aventureiros que o encontraram ou que trabalharam com ele. Nunca mais falou em poesia. Nunca mais se referiu à literatura em nenhum relato conhecido a partir dos seus 21 anos. Arthur Rimbaud, o mercador, vendia tudo o que era possível vender. Atuou também no tráfico de armas e há suspeitas nunca comprovadas de tráfico de escravos. Chegou a comandar caravanas com 200 camelos transportando 3 mil fuzis. Falava mais de 10 línguas, inclusive o árabe.

Sua obra é muito pequena, mas com tal potência que alargou as fronteiras da arte, derrubando paradigmas, causando perplexidade nos seus contemporâneos, construindo uma ponte para o futuro. Poeta maldito, desesperado, foi reivindicado na posteridade por vários movimentos poéticos e artísticos, como parnasianos, simbolistas, dadaístas, surrealistas, entre muitos outros.

Imediatamente após a sua morte ele passou a ser reconhecido e cultuado não só pela modernidade de seus escritos, mas pelo enigma imperscrutável que representou sua vida.

Rimbaud

De Arthur Rimbaud, a Coleção L&PM Pocket publica “Uma temporada no inferno” em edição bilíngue.

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