Exumação de Jango: peritos cubanos entram em cena a pedido da família

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Jornal Zero Hora – 18/09/2013

No primeiro encontro entre peritos brasileiros e estrangeiros que analisarão os restos mortais de João Goulart (1919-1976), a informação mais aguardada não chegou a ser estabelecida: a data em que o corpo do ex-presidente será exumado. O corpo de Jango será transportado do jazigo da família, em São Borja, para o Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Polícia Federal, em Brasília, onde se pretende investigar as causas de sua morte.

Ao fim de uma reunião de cinco horas, realizada ontem, na sede do INC, autoridades, peritos e familiares chegaram ao consenso de que um relatório pericial ainda precisa ser feito e apresentado em outubro.

Segundo o diretor técnico-científico do instituto, Amaury Souza Jr., que vai liderar o processo pericial, o cronograma para a exumação está mantido, mas há diferenças a acomodar quanto aos critérios.

– Isso acontece até com um simples exame de sangue. O instituto de um país pode adotar um padrão diverso ao de outro. E, em um trabalho em equipe, é preciso estabelecer uma certa harmonia dos procedimentos. É um caso difícil. Não sabemos o que vamos encontrar – disse Souza Jr.

Ontem, peritos cubanos foram incorporados ao grupo técnico-científico, a pedido da família Goulart. As análises de Cuba ficarão sob a responsabilidade do reitor da Escola de Medicina de Havana, Jorge Pérez, presente ao encontro.

Todas as instâncias envolvidas no esclarecimento da morte do ex-presidente – Secretaria de Direitos Humanos, Comissão Nacional da Verdade, Ministério Público, Polícia Federal e Comitê Internacional da Cruz Vermelha – endossam o movimento feito pela família Goulart, anos atrás, no sentido de recorrer à ciência para tentar esclarecer as causas e as circunstâncias da morte de Jango. O gaúcho morreu em 6 de dezembro de 1976, em sua fazenda, na cidade argentina de Mercedes.

No atestado de óbito do ex-presidente, consta apenas que a morte ocorreu por enfermidade. Não houve pedido de autópsia à época. Desde o início dos anos 1980, pairam versões de que Jango morreu vítima de envenenamento, recurso utilizado pela Operação Condor.

– Vamos investigar tudo, com muita seriedade – garantiu ontem a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, na abertura dos trabalhos.

Quer saber mais sobre como surgiram as hipóteses de que Jango foi assassinado? Leia Jango – A vida e a morte no exílio, de Juremir Machado da Silva.

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