Posts Tagged ‘Jango – A vida e a morte no exílio’

Juremir vence o Prêmio Brasília de Literatura

quinta-feira, 10 abril 2014

O escritor e jornalista Juremir Machado da Silva ganhou o Prêmio Brasília de Literatura de 2014 na categoria Reportagem com seu mais recente trabalho, Jango: a vida e a morte no exílio, publicado pela L&PM no ano passado.

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No total, o Prêmio distribui R$ 320 mil entre os ganhadores das oito categorias literárias participantes (Biografia, Conto, Crônica, Infantil, Juvenil, Poesia, Romance e Reportagem). O prêmio será entregue no dia 17 de abril, às 12h, no Auditório Jorge Amado, durante a II Bienal Brasil do Livro e da Leitura. O primeiro colocado de cada categoria receberá R$ 30 mil e o troféu. Já o segundo lugar ficará com uma premiação de R$ 10 mil, além do troféu.

 

 

Cineasta filma exumação de Jango para mostrar a história da Operação Condor

terça-feira, 19 novembro 2013

Diário de Pernambuco – Por Andrea Cantarelli

O novo longa-metragem do cineasta Cleonildo Cruz, Operação Condor, verdade inconclusa, começou a ser filmado na última quarta-feira (13) durante a exumação do corpo do ex-presidente João Goulart (Jango) na cidade de São Borja, no Rio Grande do Sul. A equipe vai percorrer, além do Brasil, mais cinco países para desvendar as entrelinhas da história da Operação Condor, uma aliança político militar entre os vários regimes militares da América do Sul: Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

Depois de 18 horas filmando o processo da exumação, Cleonildo disse que o caso de Jango é o ponto de partida do longa e também referência para os outros casos que serão investigados. “Existem três processos que envolvem a morte de João Goulart: o da Comissão da Verdade, um criminal (na justiça argentina) e um cível, no Ministério Público Federal; e todos serão abordados no filme”, explicou o cineasta. “Foi um momento emocionante que a gente sente participando da história”, completou, lembrando que conversou com peritos e amigos pessoais do ex-presidente.

O próximo destino da equipe é a Argentina, onde vai ficar cerca de um mês, para vasculhar as conexões de vários países na Operação Condor, criada com o objetivo de coordenar a repressão a opositores das ditaduras e eliminar líderes de esquerda instalados nos seis países do Cone Sul.

A ideia da obra, que terá 70 minutos de duração, é esclarecer os casos que envolvem esses países. “Nosso roteiro é percorrer o Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia, entrevistando especialistas, familiares das vítimas do Condor, historiadores e vamos refazer as trilhas do que foi a operação para que deixe de ser uma história inconclusa”, explicou Cleonildo.

O historiador lembra que a Operação Condor, de acordo com pesquisas histórias, foi criada no Chile, em 1975, numa reunião convocada pela Diretora de Inteligência Nacional do Chile (DINA). O Brasil não assinou a ata de fundação mas participou ativamente da sua articulação. A partir dessa espécie de acordo da cooperação, os serviços de inteligência dos países do Cone Sul – Brasil, Argentina, Chile, Bolívia, Paraguai e Uruguai – trocavam informações entre os aparatos repressivos dos regimes militares, faziam intercâmbio de informações pelas embaixadas, realizavam operações de prisão, tortura e troca de prisioneiros. “A Comissão Nacional da Verdade já tem documentos que revelam que essa relação já existia muito antes, e no filme essa verdade será descortinada”, destaca.

A previsão para o lançamento do filme é dezembro de 2014. O cineasta e historiador já realizou outras obras como diretor, roteirista e produtor, todas com o intuito de desvendar os bastidores da história. Suas últimas produções, em 2012, foram Constituinte 1987-1988 e Haiti, 12 de janeiro.

Quer saber mais sobre os fatos que levaram às suspeitas de que o ex-presidente João Goulart foi assassinado? Leia Jango – a vida e a morte no exílio, de Juremir Machado da Silva:

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Quer saber mais sobre a Operação Condor? Leia Operação condor: o sequestro dos uruguaios, de Luiz Cláudio Cunha:

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Começa exumação do corpo de Jango

quarta-feira, 13 novembro 2013

Nesta quarta-feira, 13 de novembro, o cemitério Jardim da Paz em São Borja, fronteira do Rio Grande do Sul com a Argentina, amanheceu em clima de filme policial. Por volta das 8h, teve início a operação de exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart, o Jango. A ministra da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência, Maria do Rosário, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, estão presentes no local, assim como familiares do ex-presidente. O jazigo foi isolado com uma estrutura de metal e panos negros para garantir a privacidade. Mas antes do início dos trabalhos, numa quebra do protocolo, a equipe de 12 peritos, liderada por Amaury de Souza Junior, posou para fotos.

Peritos posam para foto - Diego Vara / Agência RBS

Peritos posam para foto – Diego Vara / Agência RBS

Autor de Jango, a vida e a morte no exílio, Juremir Machado da Silva escreveu sobre a exumação na sua coluna de hoje, publicada no jornal Correio do Povo. Leia abaixo: 

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Começou, por volta das 8h desta quarta-feira, a operação de exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart, o Jango, no cemitério Jardim da Paz, em São Borja. A ministra da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência, Maria do Rosário, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, estão presentes no local, assim como familiares do ex-presidente.

Antes do início dos trabalhos, numa quebra do protocolo, a equipe de 12 peritos, liderada por Amaury de Souza Junior, posou para fotos ao lado do jazigo onde está o corpo e os jornalistas puderam entrar e registrar imagens.

Exumação de Jango: peritos cubanos entram em cena a pedido da família

quarta-feira, 18 setembro 2013

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Jornal Zero Hora – 18/09/2013

No primeiro encontro entre peritos brasileiros e estrangeiros que analisarão os restos mortais de João Goulart (1919-1976), a informação mais aguardada não chegou a ser estabelecida: a data em que o corpo do ex-presidente será exumado. O corpo de Jango será transportado do jazigo da família, em São Borja, para o Instituto Nacional de Criminalística (INC), da Polícia Federal, em Brasília, onde se pretende investigar as causas de sua morte.

Ao fim de uma reunião de cinco horas, realizada ontem, na sede do INC, autoridades, peritos e familiares chegaram ao consenso de que um relatório pericial ainda precisa ser feito e apresentado em outubro.

Segundo o diretor técnico-científico do instituto, Amaury Souza Jr., que vai liderar o processo pericial, o cronograma para a exumação está mantido, mas há diferenças a acomodar quanto aos critérios.

– Isso acontece até com um simples exame de sangue. O instituto de um país pode adotar um padrão diverso ao de outro. E, em um trabalho em equipe, é preciso estabelecer uma certa harmonia dos procedimentos. É um caso difícil. Não sabemos o que vamos encontrar – disse Souza Jr.

Ontem, peritos cubanos foram incorporados ao grupo técnico-científico, a pedido da família Goulart. As análises de Cuba ficarão sob a responsabilidade do reitor da Escola de Medicina de Havana, Jorge Pérez, presente ao encontro.

Todas as instâncias envolvidas no esclarecimento da morte do ex-presidente – Secretaria de Direitos Humanos, Comissão Nacional da Verdade, Ministério Público, Polícia Federal e Comitê Internacional da Cruz Vermelha – endossam o movimento feito pela família Goulart, anos atrás, no sentido de recorrer à ciência para tentar esclarecer as causas e as circunstâncias da morte de Jango. O gaúcho morreu em 6 de dezembro de 1976, em sua fazenda, na cidade argentina de Mercedes.

No atestado de óbito do ex-presidente, consta apenas que a morte ocorreu por enfermidade. Não houve pedido de autópsia à época. Desde o início dos anos 1980, pairam versões de que Jango morreu vítima de envenenamento, recurso utilizado pela Operação Condor.

– Vamos investigar tudo, com muita seriedade – garantiu ontem a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, na abertura dos trabalhos.

Quer saber mais sobre como surgiram as hipóteses de que Jango foi assassinado? Leia Jango – A vida e a morte no exílio, de Juremir Machado da Silva.

Divulgadas as etapas que antecederão a exumação de Jango

sexta-feira, 12 julho 2013

JangoJoão Goulart morreu em 1976 no exílio, sonhando em voltar para o Brasil. Anos depois, dois uruguaios, Foch Diaz e Ronald Mario Neira Barreto, surgiram do nada para levantar suspeitas sobre as condições da morte do ex-presidente. E enquanto Foch foi o primeiro a sustentar a hipótese de “morte duvidosa”, Neira apresentou-se como “réu confesso”, afirmando ter sido agente secreto no Uruguai e participado da Operação Escorpião para eliminar Jango por meio de uma ardilosa troca de medicamentos. O detalhe de como surgiu esta tese de assassinato e de como ela despertou o pedido de exumação do corpo de Jango está contada em detalhes no recém lançado Jango – A vida e a morte no exílio, o mais recente livro de Juremir Machado da Silva.

Esta semana, ao mesmo tempo em que o livro chegava às livrarias, novidades sobre o caso foram divulgadas. Leia o texto abaixo, publicado no site G1:

Família e governo definem etapas que antecederão exumação de Jango

A família de João Goulart (1919-1976) e o governo federal definiram nesta terça-feira (9), em Brasília, as etapas que antecederão a exumação do corpo do ex-presidente, sepultado em São Borja, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. O reconhecimento do cemitério foi marcado para o dia 8 de agosto, quando serão tomadas as providências necessárias para desenterrar o caixão. Uma nova reunião será realizada em 3 de setembro, dia em que será selada a data oficial da exumação, prevista para ocorrer até o fim do ano.

Em contato com o G1, o neto de Jango e advogado da família, Christopher Goulart, adiantou os próximos passos do processo e revelou que todos os peritos estrangeiros já foram selecionados. “Ficou acertado que a Polícia Federal vai participar de todo procedimento e que a coordenação geral será realizada pela Comissão da Verdade, com o apoio do governo federal. Designamos técnicos da Polícia Federal para a exumação, além dos peritos internacionais. Serão dois argentinos, dois uruguaios, dois cubanos, além de toda estrutura da Cruz Vermelha”, detalhou Christopher. “Também teremos um outro perito que a família vai indicar para acompanhar de perto os trabalhos”, acrescentou.

Participaram da reunião a ministra Maria do Rosário, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, a presidente da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Cardoso, técnicos da Policia Federal e os peritos estrangeiros selecionados, além de representantes do Ministério Público Federal (MPF). “Frisamos que todas as provas documentais já estão reunidas para o início das atividades. Foi muito bom, muito produtivo. A sensação é de que mais um passo foi dado desde 2007. Não diz respeito somente à família, mas a todo país, que precisa conhecer a verdade.”

Após a exumação, os restos mortais de Jango serão levados a Brasília para serem periciados no Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal.

O corpo do ex-presidente João Goulart será exumado devido à suspeita de que ele foi assassinado, possivelmente em uma ação da Operação Condor (uma aliança entre as ditaduras militares da América do Sul nos anos 1970 para perseguir opositores dos regimes). Segundo Christopher, a investigação apontou a possibilidade de que o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), órgão do governo militar, tenha enviado um homem ao Uruguai para matar o político.

“Uma testemunha que era agente a serviço da repressão do Uruguai traz uma história de fundamental importância como linha investigativa, e trazendo fatos novos é obrigação da família pedir a investigação. Mas essa questão transcende o interesse da família. É interesse do Brasil saber como um presidente faleceu, até porque estamos nos aproximando do cinquentenário do golpe militar”, diz o advogado.

Juremir Machado da Silva autografa Jango – A vida e a morte no exílio no dia 17 de julho, às 19h, na Saraiva do Moinhos Shopping em Porto Alegre.