Nem sombra de Sherlock Holmes?

É preciso boa vontade para ver uma sombra do verdadeiro Sherlock Holmes no novo filme de Guy Ritchie. Mas sombra é algo que, no apagar das luzes, vai embora. E é justamente essa a sensação que se tem no dia seguinte: findo o filme, parece não sobrar nada do personagem original criado por Conan Doyle. Se no filme anterior, Ritchie nos surpreendia com efeitos visuais impactantes, aqui eles aparecem tantas vezes que soam como uma piada repetida à exaustão. Ou seja, não tem mais graça. O que leva a crer que as risadas vindas das cadeiras iluminadas por celulares adolescentes (será que eles ficam tuitando durante o filme?) só são ouvidas porque aqueles jovens nunca leram o verdadeiro Sherlock Holmes. E vamos combinar que este filme tinha ainda mais possibilidade de se dar bem, já que coloca em cena o arquiinimigo do detetive, o Professor Moriarty. Aliás, Guy Ritchie teve a chance de, na sequência final, terminar seu filme à la Conan Doyle, exatamente como o escritor encerra o conto “O problema final” do livro Memórias de Sherlock Holmes. Na época em que Doyle criou este conto, ele não aguentava mais escrever sobre seu personagem mais famoso, de cujo sucesso havia virado refém. Então, ele o fez despencar num penhasco sem fundo, abraçado ao seu mais importante e impactante rival (cujo nome, aliás, dizem que teria inspirado Jack Kerouac na hora de batizar o herói de On the Road, Dean Moriarty). Mas não é o que acontece na tela… Embora Guy Ritchie  também nos dê a impressão de que, neste segundo filme, ele estava louco para se livrar do genial Sherlock, parece que o diretor, ex-marido de Madonna, preferiu explicar a piada. Pra quem não quer chorar (e não é chorar de rir!) com o resultado, aconselho comprar algum livro – são muitas as opções -  de Sherlock Holmes. Sai mais barato do que o ingresso de cinema. E, nas páginas, ele permanece vivo, ao contrário do que, no fundo, acontece em “Jogo de sombras”, um filme pra lá de descartável… (Paula Taitelbaum)

"A morte de Sherlock Holmes", desenho de Sidney Paget que foi feito para a edição original de "Memórias de Sherlock Holmes", de 1894

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  1. Natanael Lucas disse:

    Cara Paula, tentar dizer que o Sherlock Holmes do filme e do livro são personagens totalmente diferentes já soa (atualmente) muito clichê, já que todos sabemos que o objetivo do diretor não era “adaptar” Sherlock para às telonas e sim criar uma série homenageando este personagem épico.
    A partir do momento em que se consegue visualizar o cinema atual como um produto totalmente diferente dos livros “antigos” de Holmes, então um novo pensamento surge, pensamento este que você e muitos outros críticos ainda não deram uma atualizada. Espero que possa rever um pouco o seu texto, pois se quiser criticar um filme e classificá-lo como descartável utilize métodos mais aprofundados como as técnicas de filmagem e etc, isto sim é válido.
    Eu sou fã da série escrita de Holmes, já TODOS os livros e considero agora os filmes como uma espécie de Homenagem, um modo diferente de contar para a nova geração que Holmes foi, literalmente, um personagem marcante.

    • Paula Taitelbaum disse:

      Oi Natanael, respeito a sua opinião e, só para você saber, gostei muito do primeiro filme. Agora este é muito ruim mesmo… Você já assistiu?

      • Natanael disse:

        Assisti sim, e gostei bem mais do que o primeiro filme. Achei a cena da cachoeira belíssima. Porém respeito a sua opinião, se não gostou do filme fazer o quê né?
        Fico um pouco grato por saber que gostou do primeiro. E, apesar de tanto criticar seu texto gostaria de elogiar o modo como escreve.

  2. E depois de ler os livros, baixar a minissérie da BBC, Sherlock, que é um exemplo de adaptação. :)

  3. Stephanie disse:

    Concordo com a Flávia, a minisérie da BBC é um verdadeiro exemplo de adaptação. Muito bem pensada e elaborada sem deixar o personagem perder sua identidade!

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