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Kristen Stewart na pele de Marylou Moriarty

A Bella da Saga Crepúsculo de repente se transforma na beat Marylou de On the Road. Kristen Stewart está loira, com cabelos mais volumosos, fumando e quase sempre de óculos escuros anos 50. Sob o comando de Walter Salles, a atriz gravou cenas no Canadá e foi fotografada fumando e comendo banana no set de filmagem. Em uma entrevista recente, Kristen afirmou: “Eu interpreto Marylou e eu estou enlouquecendo graças a isso. Ninguém nunca tentou fazê-la (…). On the Road é meu livro favorito, um amigo me apresentou a ele quando eu tinha 14 anos e eu já li um monte de vezes.” Mesmo assim, os amantes do clássico beat de Jack Kerouac torceram o nariz para a atriz. Se ela foi (ou não) uma boa escolha para viver a insaciável mulher de Dean Moriarty só o filme poderá dizer. Façam suas apostas.

Moleskine nos 60 anos de Peanuts

Mais uma marca célebre juntou-se às comemorações dos 60 anos de Charlie Brown e sua turma (que acontece oficialmente no dia 2 de outubro). A Moleskine, marca do mais legendário e desejado caderno de notas do planeta, acaba de lançar uma edição limitada que traz, além dos personagens de Peanuts na capa, seus gostos, afetos e desafetos na parte interna. Pra completar, vem acompanhado de uma cartela de adesivos e uma árvore genealógica que une os personagens entre si. Por enquanto, esses caderninhos especiais estão à venda no Japão, mas a Moleskine promete que logo eles chegarão em outros mercados via Amazon. Até porque, se não for assim, vai ter gente cometendo “harakiri”.

A partir de hoje em NY, a exposição sobre o homem que inventou a literatura americana

Vai a Nova York até o final deste ano? Então inclua na sua to do list a exposição sobre a vida de Mark Twain. Em cartaz até dezembro, e com uma programação diversificada, a mostra está na The Morgan Library & Museum. O material reunido na exposição ajudará você a entender o imaginário do americano que, em grande medida, é criado por Twain, através de sua literatura. William Faulkner foi categórico em seu julgamento: este foi “o primeiro escritor verdadeiramente americano, e todos nós, desde então, somos seus herdeiros”. Mark Twain foi escritor, romancista, ensaísta e mestre da sátira. Nasceu em Missouri, na Flórida, e foi lá que o escritor angariou as histórias de seus livros mais conhecidos. Viajante inveterado, Twain cruzou o Atlântico mais de uma dúzia de vezes. Visitou a Turquia, Palestina, Hawaii, Austrália, Índia e África do Sul. A exposição inclui, além dos manuscritos, uma numerosa quantidade de fotografias e desenhos para Sequência do Equador, um de seus livros. Na mostra, estão presentes também quatro páginas do maior trabalho de Twain, As Aventuras de Huckleberry Finn, chamado por Ernest Hemingway de “a fonte da literatura moderna americana”. A exposição é complementada com as cartas e correspondências, desenhos e ilustrações para as edições impressas, fotografias e objetos que pertenceram ao autor, entre outros, de O príncipe e o mendigo (Coleção L&PM POCKET).

Dentro da programação, no dia 25 de setembro, será exibido The Adventures of Mark Twain, filme de 1944. Confira, abaixo, o trailer (só para deixar você com vontade de assistir!). Para ver a programação completa, clique aqui.

Para Woody Allen, não há diferença entre um biscoito da sorte e as religiões organizadas

Saiu no jornal The New York Times dessa semana: questionado se era apropriado lhe desejar um feliz Ano Novo Judaico, Woody Allen disse “Não, não, não” com uma risada. “Isso é para o seu povo” falou ele ao jornalista. E completou “Eu não a sigo. Eu até gostaria. Seria uma grande ajuda nas noites escuras”. A religião, no entanto, está mais presente do que nunca no seu mais recente filme: “You Will Meet a Tall Dark Stranger”, que será liberado pela Sony Pictures na semana que vem. Nele, quando o casamento de um casal londrino (Anthony Hopkins e Gemma Jones) se desfaz, a mulher procura conforto no sobrenatural, o que acaba trazendo consequências imprevisíveis sobre o casamento de sua filha (Naomi Watts) e seu marido (Josh Brolin). Em uma conversa com Dave Itzkoff, Woody Allen falou sobre o filme (leia aqui a entrevista no The New York Times) e sobre suas crenças: “Pra mim, não há diferença real entre uma cartomante, um biscoito da sorte ou qualquer uma das religiões organizadas. Eles são todos igualmente válidos ou inválidos. E igualmente úteis.”

Cena de "You Will Meet a Tall Dark Stranger" com Gemma Jones e Naomi Watts - Keith Hamshere/Sony Pictures Classics

De Woody Allen, a L&PM publica em pocket Adultérios, Cuca fundida, Que loucura! e Sem plumas.

Nem Poirot conseguiu resolver o maior mistério de Agatha Christie

O carro de uma novelista inglesa é encontrado abandonado, com as portas abertas, à beira de um lago. Não há nenhum bilhete e nem sinal da condutora que sumiu sem deixar vestígios. As buscas começam, passam-se alguns dias e a polícia começa a supor que possa ter acontecido um rapto, talvez suicídio, quem sabe até assassinato. O marido da desaparecida, que dias antes havia confessado à esposa que a deixaria por outra mulher, passa a ser o principal suspeito. Os jornais noticiam o fato nas primeiras páginas.

Na capa do jornal Daily Mirror, de 7 de dezembro de 1926, o desaparecimento de Agatha Christie

A trama poderia ser a sinopse de algum livro de Agatha Christie. Mas o acontecimento não foi ficção: na realidade, teve a “Rainha do Crime” como personagem principal. Em 3 de dezembro de 1926, Agatha desapareceu, após a crise de seu casamento culminar com o marido Archie dizendo que estava apaixonado por outra, no caso, Nancy Neele. Depois de abandonar seu carro, a escritora ficou 12 dias sumida até que o empregado de um hotel na cidade de Harrogate contatou a polícia para informar que uma das hóspedes parecia-se muito com as fotos divulgadas nos jornais. Chegando ao local, os investigadores descobriram tratar-se mesmo de Agatha Christie. Ela estava registrada no hotel como nome de Theressa Neele, o mesmo sobrenome da amante de seu marido. Alguns falaram em jogada de marketing, mas o fato é que esse mistério de Agatha jamais ficou realmente resolvido. A declaração oficial foi a de que ela sofrera amnésia temporária devido a um colapso nervoso já que, na mesma época, sua mãe havia falecido.

Em cartaz: Agatha Christie

Desde 1928, a obra de Agatha Christie vem ganhando ainda mais vida graças à sétima arte. O detetive Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence, além de outros personagens como Mr. Quin e Parker Pyne, foram parar no cinema. De todos os livros, O caso dos dez negrinhos foi o mais adaptado, a primeira vez em 1945 como “And then there were none” (Então Não Sobrou Ninguém) e, nos anos 60, ganhou nova versão com o nome de “Ten little Indians” (Os dez indiozinhos).  Aqui, separamos alguns dos mais célebres cartazes.

Filme de 1945, baseado em O caso dos dez negrinhos (que será publicado em HQ pela L&PM):

Filme de 1947, baseado em “Philomel Cottage”, história de Agatha publicada na revista Grand Magazine em 1924:

Filme de 1960, baseado em A teia da Aranha (Coleção L&PM POCKET):

Filme de 1963, baseado em Depois do funeral (Coleção L&PM POCKET):

Filme de 1966, também baseado em O caso dos dez negrinhos:

Filme de 1974 (Oscar de melhor atriz coadjuvante para Ingrid Bergman), baseado em Assassinato no Expresso do Oriente (publicado em HQ pela L&PM)

Agatha Christie na crista da onda

Você aí, que acha que Agatha Christie já nasceu com aquele seu  jeito de vovó, prepare-se para mudar seus conceitos em relação à Rainha do Crime. Em fevereiro de 1922, ela e o marido, Archie (Archibald Christie), partiram para uma volta ao mundo que duraria dez meses. Entre outras aventuras, o casal surfou na África e em Honolulu. Ou melhor, em Honolulu eles tentaram, como a própria escritora contou em sua Autobiografia (publicada em 1979 no Brasil pela Nova Fronteira).

“Nossa viagem foi lenta, parando em Fidji e em outras ilhas antes de chegarmos. Achamos Honolulu muito mais sofisticado do que pensáramos, com muitos hotéis, estradas e automóveis. Chegamos cedo, pela manhã, fomos para nosso quarto do hotel e, imediatamente, vendo pela janela gente a fazer surf, correndo para a praia, alugamos pranchas e mergulhamos no mar. Éramos, claro, totalmente ingênuos. Estava um dia ruim para fazer surf – um desses dias em que só os peritos vão para o mar; mas nós, que havíamos feito surf na África do Sul, acreditávamos que surf para nós, já não era mistério algum. Acontece que em Honolulu era diferente. A prancha, por exemplo, era um grande pedaço de madeira, quase que pesado demais para que o pudéssemos erguer. Deitamo-nos em cima dela e nadamos vagarosamente até os recifes, a uma milha de distância – pelo menos foi o que me pareceu. Aí, colocamos-nos na devida posição e esperamos por uma dessas ondas que nos atiram pelo mar a fora até a praia. Não é tão fácil quanto parece. Primeiro, temos que reconhecer a espécie de onda própria para isso e depois, ainda mais importante, temos que reconhecer a onda que não serve, porque se somos apanhados por uma daquelas que nos arrasta para o fundo só Deus nos poderá ajudar! Eu não era uma nadadora tão experiente quanto Archie, de modo que demorei mais tempo a atingir os recifes. Por essa altura já perdera Archie de vista; presumi que estivesse flutuando em direção à praia, negligentemente, como os outros estavam fazendo. De modo que me coloquei apropriadamente em cima da minha prancha e esperei pela onda. Ela veio. Era da espécie imprópria. Num abrir e fechar de olhos eu e minha prancha fomos atiradas para milhas uma da outra. Primeiro, a onda, depois de me arrastar violentamente para o fundo do mar, sacolejou-me muito. Quando atingi a superfície, sem respiração e tendo engolido enormes quantidades de água salgada, avistei minha prancha, flutuando a meia milha de mim, em direção à praia. Nadei laboriosamente atrás dela. Foi recuperada para mim por um jovem norte-americano que me cumprimentou com as seguintes palavras: `Escute, irmã, se eu fosse você, hoje não faria surf. Você está arriscando demais. Tome a prancha e nade direitinho para a praia.´ Segui imediatamente seu conselho.”

Agatha e sua prancha em Honolulu

A casa de Balzac em Paris

Ivan Pinheiro Machado

A “Maison de Balzac”, ou museu Balzac, é um dos últimos vestígios daquilo que foi a cidade de Passy, antes de virar, em 1860, um bairro de Paris. Sua origem remonta do final do século XVIII e hoje o bairro de Passy tem o aspecto cosmopolita e agitado dos bairros que margeiam o Sena e a Île de La Cité. O museu Balzac foi adquirido pela prefeitura de Paris no começo do século XX e é a única residência de Honoré de Balzac que ainda está de pé. Ele foi morar lá em 1840 por questões estratégicas. Primeiro, porque era distante de Paris, ou seja, dos bairros onde estão o Boulevard Saint Germain, a região do Louvre e o centro financeiro da época, perto da Ópera. Segundo, porque era o lugar ideal para fugir dos credores, lembrando que naquele tempo os devedores podiam ser presos no momento em que fossem “protestados”. Nesta época, Balzac já se tornara uma celebridade, mas mesmo assim era pressionado por enormes dívidas acumuladas de seus negócios fracassados: uma coleção de clássicos para vender ao público, uma gráfica, uma tipografia, uma revista e um jornal. Trocando em miúdos, na década de 1840, ele devia o que hoje seria em torno de R$1.800.000,00. Esta dívida era com familiares, amantes e empresas em geral.

Atual Bairro Passy em Paris / Foto: Ivan Pinheiro Machado

Pois Balzac achou Passy um bom lugar para poder escrever sem a pressão daqueles para os quais devia. E, mais ainda, esta casa possuía três andares e estava construída em três planos. A entrada é pela Rue Raynouard e, três andares abaixo, há uma saída no primeiro piso, na rue Du Roc. Hoje, o museu ocupa todo o imóvel. Na época, Balzac alugava apenas o andar do meio e dispunha de duas saídas, em caso de emergência. Em 1847, ele abandonou Passy e mudou-se para rua Fortune, hoje rue Balzac, próxima ao Champs Elisée e ao arco do Triunfo, na expectativa de casar com a Condessa Eveline Hanska, o amor da sua vida (casa que foi comprada pelo barão Rotschild e demolida para a construção de outro imóvel). Neste museu, os fãs de Balzac encontrarão o mundo Balzaquiano que foi possível preservar. Lá está, intacto, o seu gabinete de trabalho, seus quadros, desenhos, retratos, esculturas, entre as quais o célebre busto esculpido por Rodin, mais fac-similes de seus livros, provas e todo o tipo de objeto que cercou e fez parte do mundo de Balzac e que foi possível ser recuperado para a posteridade. Embora famoso, demorou muito tempo para que ele fosse considerado o gênio que já imaginava ser na década de 30, quando criou a Comédia Humana. “Acho que tornei-me um gênio” escreveu à sua irmã imediatamente depois de conceber o projeto da Comédia. Assim, Paris foi negligente em relação a sua memória e muita coisa que fez parte da vida de Balzac desapareceu ou foi destruída por ser considerada “sem importância”. Demorou 50 anos para que percebessem que aquela cidade havia sido o “campo de batalha” do maior de todos os escritores franceses de todos os tempos.

Casa em Passy, Busto de Balzac na entrada do museu, Balzac por Rodin e Gabinete de Balzac / Fotos: IPM

Na Coleção L&PM POCKET, estão disponíveis 16 obras de Balzac.

O Marquês de Sade é torturado pela invenção do depilador elétrico feminino

O Marquês de Sade está em seu castelo quando, de repente, encontra um depilador elétrico. Furioso, chama por Justine… Assim começa o comercial da Walita criado no início dos anos 70 pela DPZ Propaganda e que traz o ator Raul Cortez no papel de Sade. Hilário, o filme de um minuto foi premiado com o Leão de Bronze no Festival de Cannes de 1972. E para quem quer mais do Marquês de Sade, a Coleção L&PM POCKET publica Os crimes do amor e O marido complacente.

Maigret, um policial acima do gênero

Ivan Pinheiro Machado

Sempre que posso, eu falo de Maigret, o personagem de Georges Simenon. Portanto, já que estamos lançando “Maigret sai de viagem” e eu acabo de reler “Os escrúpulos de Maigret”, também recém lançado, vou voltar ao tema. O comissário Jules Maigret é, sem dúvida, um dos grandes personagens da literatura moderna. Não só no gênero policial, mas em todos os gêneros, já que os fãs de Simenon não são necessariamente fãs de romances policiais. Maigret transborda os estereótipos do detetive dos romances policiais. O velho comissário, antes de ser um detetive clássico, é um verdadeiro estudioso da natureza humana. Um homem sensível às fraquezas de seus semelhantes. Sua argúcia está ligada, menos à genialidade dedutiva, do que a uma profunda capacidade de compreender a alma de suspeitos e vítimas. Maigret nos comove exatamente por isso. Pelo paradoxo que se estabelece quando temos um policial generoso, capaz de sofrer pela sorte de culpados e inocentes. Uma curiosidade: a ideia de Georges Simenon ao lançar a primeira aventura do comissário Maigret era fazer um total de 18 livros. Devido à insistência do editor francês Gaston Gallimard, dono da legendária editora Gallimard, ele concordou em prosseguir a série “Maigret” que terminou em…75 livros. Simenon publicou mais de 300 obras.

Estátua de Maigret (1966), de Pieter d'Hont, que está numa praça em Delfzijl, nos Países Baixos, local exato onde se passa a primeira aventura de Jules Maigret: "Maigret nos Países Baixos" (1931)

 A L&PM Editores pretende lançar todos os romances de Maigret ainda inéditos no Brasil. Reeditamos, na coleção L&PM POCKET, cerca de 20 títulos que já haviam sido publicados na década de 70 pela editora Nova Fronteira. Agora, vamos lançar cerca de 30 títulos totalmente inéditos para o leitor brasileiro.