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Camões, o poeta do amor

quarta-feira, 10 junho 2015

Luís Vaz de Camões cantou o amor como poucos. Seus versos, escritos há quase 500 anos atrás, ainda hoje tocam os corações dos leitores. Camões foi apaixonado pela Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I; prestou serviço militar na África (onde perdeu um olho), virou um soldado pobre e foi vítima de um naufrágio na Costa da China quando salvou os originais dos Lusíadas de serem engolidos pelo mar. Depois deste incidente, aliás, recolheu-se em Malaca, centro da administração e do poderio português no Extremo Oriente. Sem dinheiro, retornou à Lisboa em 1570 com a ajuda de amigos que pagaram sua passagem. De volta à Lisboa, ele iniciou a luta pela publicação de Os Lusíadas que finalmente ganhou impressão em 1572. Morreu em 10 de junho de 1580. O túmulo, no qual estão guardadas as cinzas do poeta, encontra-se no Mosteiro dos Jerônimos, em Belém.

Um dos mais populares sonetos de amor de Camões ganhou popularidade na voz de Renato Russo, ao ser colocado dentro da música “Monte Castelo”, do Legião Urbana.

O soneto de Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente,
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

(De 200 Sonetos - Camões – Coleção L&PM Pocket)

A música de Renato Russo: