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O Marquês de Sade e seu castelo

terça-feira, 2 junho 2015

Foi em 2 de junho de 1740, em Paris, que nasceu Donatien Alphonse François de Sade. A partir desse dia, com o passar dos anos, o Marquês de Sade, como ficaria conhecido, jamais se contentou em ser um mero nobre, muito menos um escritor como outro qualquer. Sem-vergonha, sem pudores e sem medo de ser feliz, ele colocou em prática todos os seus desejos. Como resultado, batizou um adjetivo: “sádico” e um substantivo: “sadismo”. E entrou para a história como um dos autores mais libertinos de todos os tempos. A simples menção de seu nome, ainda hoje, é capaz de despertar fantasias. Ou seja: o Marquês de Sade é pop.

Mas antes de se dedicar com força total à vida de “pura sacanagem”, Sade teve um currículo aparentemente comportado: estudou na Escola de Cavalaria Ligeira, foi subtenente do regimento de infantaria do rei, virou oficial e tornou-se capitão de cavalaria de Bourgogne. Mas preferiu largar tudo para cavalgar outros tipos de… bom, deixa pra lá.

Em 1774, depois de vários escândalos, alguns envolvendo prostitutas sodomizadas, ele acabou isolando-se no castelo da família, na pequena cidade de Lacoste, região da Provence francesa. Por estar no topo da colina, o chateau de Sade fazia com que ele ficasse observando a cidade (e talvez imaginando o que os pobres mortais estavam fazendo em suas alcovas). A imensa propriedade, com dezenas de quartos e cômodos, foi palco de inúmeras orgias – e quem sabe de algumas festas de aniversário. Abandonado, semi-destruído e cercado de mistérios, o castelo de Lacoste foi comprado, em 2001, pelo renomado estilista Pierre Cardin que então iniciou um projeto de restauração. A antiga casa de Sade permanece fechada ao público, mas algumas obras de arte ficam em exposição permanente ao ar livre. Só passear em volta dele, imaginando o que o Marquês aprontava por lá, já vale a visita. Então fica a dica para a sua próxima viagem.

Chegando em Lacoste já se vê o castelo do Marquês de Sade no alto da colina

As ruínas que já estão sendo restauradas, ainda escondem mistérios

A escultura surreal de Ettore Greco homenageia o Marquês de Sade

Mais uma escultura de Ettore Greco no castelo

Ao descer a colina, bom mesmo é aproveitar o Café de Sade, também de Pierre Cardin

Do Marquês de Sade, a L&PM publica Os crimes do amor e O marido complacente.

O eterno Marquês de Sade

sexta-feira, 2 dezembro 2011

O que esperar de um livro assinado pelo Marquês de Sade? Todos nós sabemos: monstruosas máquinas de tortura, lâminas afiadas, ferros em brasa, chicotes, correntes e outros aparatos de suplício cujo requinte está em mutilar lentamente dezenas de corpos a serviço da volúpia libertina, fazendo escorrer o sangue dos imoloados e o esperma dos algozes, em cenas que têm o poder de produzir simultaneamente a dor das vítimas, o orgasmo dos devassos e o profundo desconforto dos leitores. Sim, todos nós sabemos; e até mesmo aqueles que jamais abriram um desses livros sabem o que eles contêm.

Assim a ensaísta, tradutora e professora de literatura Eliane Robert Moraes começa seu prólogo, “Um outro Sade”, no livro Os crimes do amor. E como ela mesmo diz, não é preciso ter lido algum dos livros do Marquês para saber quem ele é e do que suas palavras eram capazes. Em Os crimes do amor, no entanto, há um outro Sade. Nenhuma palavra obscena, nenhuma crueldade física, nenhum discurso justificando o crime.

Quando queria, Sade sabia ser virtuoso. Mas sua fama de devasso ultrapassou as páginas, virou alcunha, estampou um gênero de prazer. Antes de Sade não existia o sadismo. Não como nome, pelo menos. Morreu aos 74 anos, em 02 de dezembro de 1814, em sua cela no Hospício de Charenton. Seu nome, no entanto, permanece eternizado e sempre lembrado quando se fala em literatura erótica.  

Assim o Marquês de Sade foi retratado no final da vida