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O triste fim de Edgar Allan Poe

sexta-feira, 7 outubro 2011

“Estimado senhor – Há um cavalheiro, muito mal vestido, no 4º distrito de Ryan, que se chama Edgar A. Poe e que aparenta estar muito angustiado e ele afirma que é conhecido seu, e eu lhe asseguro, ele está necessitando de assistência imediata. Apressadamente, Jos. W. Walker.”

A carta acima foi redigida às pressas por Joseph W. Walker e enviada ao Dr. Joseph E. Snodgrass no dia 3 de outubro de 1849. Assim que recebeu o recado, o médico rapidamente cruzou a cidade de Baltimore e se dirigiu à Ryan´s Tavern, também chamada de Gunner´s Hall (Salão do atirador) e resgatou o confuso e perdido Edgar Allan Poe. Em seu relatório médico, o Dr. Snodgrass descreveu o estado do paciente como “repulsivo” e relatou que ele tinha o cabelo despenteado, gasto, o rosto não estava lavado e os olhos eram “vazios e sem brilho”. Estava vestido com uma camisa suja, sem terno, os sapatos estavam gastos e sem lustro e não eram do seu tamanho.

Poe foi levado ao hospital da Universidade Washington, onde foi tratado pelo Dr. John J. Moran que deu uma descrição ainda mais detalhada da roupa do recém chegado: “Uma velha e manchada jaqueta, calças em um estado similar, um par de sapatos gastos com as solas gastas, e um velho chapéu de palha”. A descrição revela que Poe se encontrava em situação pobre e desesperada e que, provavelmente, vestia trajes que não eram seus.

Quatro dias após ter sido encontrado, no amanhecer do dia 7 de outubro de 1849, Edgar Allan Poe faleceu aos 40 anos, sem que ninguém soubesse exatamente a causa de sua morte. Alcoolismo aliado à depressão, problemas cardíacos, cólera, raiva, hipoglicemia, sífilis e até assassinato estão entre as possibilidades. Mas nenhum de seus biógrafos chegou a uma versão conclusiva. Certo mesmo é que a vida (e a literatura) do brilhante Edgar Allan Poe sempre foi cercada de mistério e morte.

“Eu olhei; e o vulto invisível, que ainda segurava meu pulso, tinha exposto ao ar livre, abertas, todas as sepulturas da humanidade; e de cada uma emanava a fina radiância fosfórica da decomposição, e eu podia enxergar os recessos mais escondidos, e vi os corpos amortalhados no descanso triste e solene que compartilhavam com o verme.” (Do conto O sepultamento prematuro no livro O escaravelho de ouro e outras histórias)

Ficou com vontade de ler Edgar Allan Poe? Nossas sugestões são, além de O escaravelho de ouro e outras histórias, Assassinatos na Rua Morgue, A carta roubada e O relato de Arthur Gordon Pym.