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A filosofia de Bertrand Russell

segunda-feira, 10 março 2014

brussell

As principais preocupações de Bertrand Russell quando jovem eram o sexo, a religião e a matemática – tudo na esfera teórica. Em sua longa vida (ele morreu em 1970 aos 97 anos), ele acabou sendo controverso em relação ao primeiro item, atacou o segundo e fez contribuições importantes para o terceiro.

As visões de Russell sobre o sexo causaram-lhe problemas. Em 1929, ele publicou “Casamento e moral”, livro no qual questionou as visões cristãs sobre a importância de ser fiel ao parceiro. ele não concordava com a fidelidade. Muitas pessoas torceram o nariz na época. Não que isso incomodasse Russell. (…)

Ele foi igualmente franco e provocador em relação à religião. Para Russell, não havia nenhuma chance de Deus intervir para salvar a humanidade: nossa única chance consiste em usarmos o poder da razão. Segundo ele, as pessoas eram atraídas pela religião porque tinham medo de morrer. A religião as confortava. Era muito reconfortante acreditar na existência de um Deus que puniria as pessoas más, mesmo que se livrassem de um assassinato e de coisas piores na Terra. Mas isso não é verdade. Deus não existe. E a religião quase sempre produziu mais miséria do que felicidade. Russell reconhecia que o budismo era diferente de todas as outras religiões, mas o cristianismo, o islamismo, o judaísmo e o hinduísmo tinham de se responsabilizar por muita coisa. No decorrer da história, tais religiões foram a causa de guerras, ódio e sofrimento. Milhões de pessoas morreram por causa delas.

(trecho de Uma breve história da filosofia de Nigel Warburton)

Leia mais sobre o pensamento e o legado filosófico de Bertrand Russell em Ensaios céticos, Por que não sou cristão e No que acredito da Coleção L&PM Pocket.

Bertrand Russell e seu cachimbo

terça-feira, 7 junho 2011

Bertrand Russell é considerado o filósofio mais expressivo e engajado do século XX, ao lado de Sartre. Fumante incansável, sempre segurando seu cachimbo, Russell estava em um avião que, em 1948 caiu sobre o mar da Noruega. Em sua autobiografia, ele descreveu o acidente: “Quando nosso avião pousou sobre a água, tornou-se óbvio que algo estava errado. Nós estávamos sentados no avião enquanto ele lentamente afundava. Vi botes reunidos em volta dele e logo fomos informados que devíamos pular no mar e nadar até um destes barco – o que todas as pessoas perto de mim fizeram. Soubemos posteriormente que os dezenove passageiros da área de não-fumantes tinham morrido quando o avião atingiu a água. Eu havia dito a um amigo em Oslo, que foi quem reservou meu lugar no avião, que ele devia escolher uma poltrona onde eu pudesse fumar e comentei jocosamente: “Se eu não puder fumar, vou morrer”. Inesperadamente, esta acabou sendo uma verdade.”

Bertrand Arthur Wiliam Russell, terceiro conde de Russell, nasceu no País de Gales, em uma família tradicional. Tornou-se filósofo, lógico, matemático, além de inveterado humanista. Foi pacifista, posicionou-se a favor da emancipação feminina e do controle da natalidade, combateu o imperialismo e foi um dos primeiros defensores do desarmamento nuclear. Agnóstico declarado, criticava qualquer forma de autoridade que tolhesse a liberdade de pensamento e de expressão e acusava instituições religiosas e seus fieis por dificultarem a vida do ser humano. Seus leitores e admiradores viam nele um profeta da vida criativa, moderna e racional. Em 1950, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Na década de 1960, denunciou os Estados Unidos pela invasão do Vietnã. Foi casado quatro vezes e, apesar de nunca ter largado seu cachimbo, morreu com quase cem anos.

De Bertrand Russel, a L&PM publica Por que não sou cristão; Ensaios céticos e No que acredito, livro da Série Pocket Plus em que o filósofo começa dizendo que “O homem é uma parte da natureza, não algo que contraste com ela. Seus pensamentos e movimentos corporais seguem as mesmas leis que descrevem os deslocamentos de estrelas e átomos…”