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“A maldição do espelho” reflete um mistério da vida real

sexta-feira, 8 fevereiro 2013

A trama de A maldição do espelho, de Agatha Christie, tem como figura central uma atriz de cinema americana chamada Marina Gregg. Quando Marina vai morar no pacato vilarejo de St. Mary Mead, Miss Marple assiste tudo de sua janela e fica curiosa em saber porque uma estrela de Hollywood foi parar ali. A curiosidade aumenta quando, em uma festa na mansão da atriz, uma das convidadas morre envenenada. Marina tem certeza de que ela era o alvo – mas quem poderia querer matá-la? Um mistério que só Miss Marple, ao embrenhar-se no passado dos envolvidos, poderá desvendar.

A maldição do espelho foi lançado originalmente em 12 de dezembro de 1962. E logo depois de sua chegada às livrarias, a editora Collins recebeu uma carta indignada de um leitor americano reclamando que Agatha Christie teria se baseado na tragédia pessoal da famosa atriz Gene Tierney para criar esta novela. Os editores responderam que Agatha só soube da tragédia pessoal de Tierney muito depois de ter escrito seu livro. Mas ainda hoje há gente que defende o contrário.

E realmente as coincidências entre realidade e ficção são grandes. O drama pessoal que ocorreu com Gene Tierney e que está descrito em sua autobiografia (Auto-Retrato, New York: Wyden, 1979) aconteceu em junho de 1943. Ela estava grávida de sua primeira filha quando contraiu rubéola durante uma única aparição em um nightclub chamado “A Cantina Hollywood”. Por conta disso, sua bebê, que recebeu o nome de Daria, nasceu prematura, surda, parcialmente cega e com uma deficiência mental séria, o que levou a atriz à depressão. Algum tempo depois, em uma festa, Tierney foi abordada por uma fã que pediu-lhe um autógrafo e revelou que, em 1943, havia escapado de sua quarentena de rubéola só para ir à “Cantina Hollywood” ver Tierney de perto. Ou seja… Estava ali a culpada de tudo.

Agora cabe a você ler A maldição do espelho, que acaba de chegar à Coleção L&PM Pocket, investigar e tirar suas próprias conclusões sobre se Agatha Christie teria ou não usado este fato real para compor sua trama – que, aliás, é considerado um dos mistérios mais psicologicamente intensos da Rainha do Crime.

Gene Tierney era considerada uma das mais lindas atrizes de Holywood

O Natal de Agatha Christie

quarta-feira, 5 dezembro 2012

O Natal está quase batendo às nossas portas. E já entrando no clima, publicamos aqui o prefácio de A aventura do pudim de Natal, um dos títulos da Série Agatha Christie. No texto, a Rainha do Crime fala um pouco do livro e relembra os natais de sua infância. Vale a leitura (do livro inteiro, aliás):

Este livro de delícias natalinas pode ser descrito como “A escolha do chef”. E eu sou o chef! Há dois pratos principais, “A aventura do pudim de Natal” e “O mistério da arca espanhola”, uma seleção de entradas, “A extravagância de Greenshaw”, “O sonho” e “Poirot sempre espera”, e uma sobremesa, “Vinte e quatro melros”.

“O mistério da arca espanhola” é uma especialidade de Hercule Poirot. É um caso no qual ele considera ter dado o melhor de si! Miss Marple, por sua vez, sempre orgulhosa de sua perspicácia em “A extravagância de Greenshaw”.

“A aventura do pudim de Natal” é uma extravagância minha, já que ele me lembra, de modo muito prazeroso, os natais da minha juventude. Após o falecimento de meu pai, minha mãe e eu sempre passamos o Natal com a família de meu cunhado no Norte da Inglaterra – e que natais fascinantes eram aqueles para uma criança! Abney Hall tinha de tudo! O jardim exibia uma cachoeira, um riacho e um túnel por baixo do caminho de entrada!

As refeições tinham proporções gigantescas. Apesar de magrela e com a aparência delicada, eu era muito sadia e tinha uma fome de leão! Os meninos e eu costumávamos competir para saber quem comia mais na ceia de Natal. Não festejávamos muito a sopa de ostras e o peixe, mas então vinham o peru assado, o peru cozido e um enorme rosbife. Comíamos duas porções de cada! Depois havia o pudim de ameixa, as tortas de frutas, os pavês e todo tipo de sobremesa. Nunca ficávamos enjoados! Como era bom ter onze anos de idade e ser faminta!

Era um dia mágico, desde as meias penduradas na cama pela manhã, a igreja e as canções de Natal, a ceia, os presentes até, finalmente, o acender da árvore de Natal! Tenho profunda gratidão pelos gentis e hospitaleiros anfitriões que devem ter tido muito trabalho para fazer dos dias de Natal uma memória maravilhosa em minha velhice.

Portanto, dedico este livro à memória de Abney Hall – a sua gentileza e hospitalidade.

E feliz Natal para todos que lerem este livro.

Agatha Christie

A pequena Agatha Christie na época dos Natais aqui descritos por ela