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Um dos grandes lançamentos do ano

segunda-feira, 30 setembro 2013

Por Ivan Pinheiro Machado*

“Falem de batalhas, de reis e de elefantes” é um belo livro. E não é nenhum exagero colocar este lançamento entre os grandes acontecimentos literários do ano. O francês Mathias Énard, autor inédito no Brasil, escreveu “Zone”, “La rue des voleurs” (Rua dos ladrões), “Tout será oublier” (Tudo será esquecido) entre outros livros. 

Nasceu em 1972 e acumula em seu país vários prêmios como o “Prix Goncourt des Lycéens” e o “Prix Du livre em Poitou-Charentes” somente para este “Falem de batalhas…”. O tema é fascinante: no dia 13 de maio de 1506, Michelangelo desembarcou em Constantinopla para projetar uma ponte sobre o Corno de Ouro no estreito de Bósforo a pedido do Sultão Bayiazid. O grande pintor, arquiteto e escultor vivia um momento difícil na sua vida de “artista da corte”. E desafiando a cólera do temido Papa Julio II, o papa guerreiro, ele simplesmente desapareceu de Florença, deixando inacabado o projeto da tumba suntuosa do próprio Papa em Roma. Lá em Constantinopla, o poderoso Sultão tinha a esperança de que o legendário Michelangelo poderia dar cabo ao desafio que o já célebre Leonardo da Vinci não conseguira vencer. Bayiazid rtinha recusado o projeto de Da Vinci, por achá-lo simplório demais.

E é partindo desta passagem obscura da biografia de Michelangelo que Mathias Énard constrói esta novela brilhante. Misto de romance histórico e ficção, o autor usa a prerrogativa do escritor. Ou do “fingidor”, como dizia Fernando Pessoa referindo-se ao ofício de escrever poesia. Tudo são verdades? Onde é o limite entre os fatos e a farsa?

Baseado em fragmentos de verdade, Énard solta a imaginação apoiado na atmosfera mítica e mística da Istambul do século XVI. Reconstitui o ambiente de fausto e mistério, os personagens enigmáticos e a perplexidade do mestre italiano diante do mundo muçulmano, da arquitetura inebriante e sedutora com seus minaretes e abóbadas sensuais. E entre ficção e realidade o autor reconstitui o curto período da estada de Michelangelo Buonarroti em Istambul. O resultado é esta novela de leitura arrebatadora, que é contada com o mesmo fascínio das histórias nas quais se fala de batalhas, de reis e de elefantes.

* Editor da L&PM.

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