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Woody Allen: um documentário

sexta-feira, 18 novembro 2011

Woody Allen é mais do que diretor, roteirista e ator. Woddy Allen é… Woody Allen. E é justamente para contar a história de como ele virou o que virou que Woody Allen: A Documentary foi concebido. O documentário, do premiado diretor de TV Robert Weide, será exibido pela primeira vez em 20 e 21 de novembro, dividido em duas partes, pelo canal norteamericano PBS.

Weide teve um acesso sem precedentes ao trabalho de Woody Allen e acompanhou o diretor durante um ano e meio, das filmagens de “Você vai conhecer o homem dos seus sonhos” até a estreia de “Meia-noite em Paris” no Festival de Cannes. Em seu documentário, Weide apresenta a infância de Woody Allen no Brooklyn, fala de seus primeiros shows profissionais na adolescência, analisa desde os filmes mais antigos até os mais recentes, observa os hábitos do “cineasta independente” e seu relacionamento com seus atores, aborda as peças escritas por Allen e mostra os shows de jazz clandestinos em que ele toca seu clarinete. Entre os que deram seus depoimentos, estão Diane Keaton, Martin Scorsese, Scarlett Johansson, Sean Penn, Antonio Banderas e Penélope Cruz.

Segundo o produtor Brett Ratner, o plano é exibir o documentário também nos cinemas, em versão reduzida, mas nenhuma data foi definida ainda. Ficamos torcendo para que Woody Allen: A Documentary chegue logo por aqui, pois pelo trailer, parece ser imperdível:

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Uma pequena leitura de “A pele que habito”

terça-feira, 1 novembro 2011

Por Paula Taitelbaum*

Seriam os cirurgiões plásticos os Doutores Frankensteins da nova era? No lugar de juntar pedaços, agora eles mudam, moldam, delineiam, esculpem… Usam os corpos como matéria-prima de sua arte. Criam novas existências. Dão vida a novas experiências.

Em “A pele de habito”, novo filme de Pedro Almodóvar, o Dr. Robert Ledgard é um cirurgião plástico incansável na busca pela perfeição. Seu objetivo, no entanto, vai muito além do que apresenta a sinopse dos jornais: “Cirurgião plástico cria uma pele sintética que resiste à qualquer dano”. O Dr. Ledgard quer e faz muito mais do que isso. Mas não condene os jornalistas pelo simplismo de seus story lines, pois resumir esta trama de Almodóvar é praticamente impossível.

Mas voltemos ao médico em questão. Consumido por um sentimento de vingança, o Dr. Ledgard dá início a um trabalho que realmente o faz virar uma espécie de Dr. Frankenstein. Ele cria um monstro que passa a habitar sua mente e o consome de paixão. Por fim, torna-se o Deus de sua amargura. Infeliz e solitário em seu castelo high tech.

Como sempre, ninguém no filme de Almodóvar é menos do que intenso. Tão dramático quanto uma novela mexicana – e totalmente genial em tornar seus exageros factíveis – o diretor espanhol vai e volta no tempo, dançando entre os anos 2000 e 2012 (vez por outra vai mais longe do que isso). Sem deixar nenhuma cicatriz em seu roteiro, ele costura as cenas com a maestria de um cirurgião das películas.

No final, a nós meros espectadores, resta a certeza de que não gostaríamos de habitar a pele de nenhum dos personagens criados por Almodóvar. Ao mesmo tempo, sabemos que o mundo não seria tão interessante sem eles (talvez nem tão bizarro). Portanto: Ave Almodóvar!

Antonio Banderas vive o Dr. Ledgard, uma espécie de Frankenstein moderno

* Paula Taitelbaum é escritora, coordenadora do Núcleo de Comunicação L&PM, fã de Pedro Almodóvar e assistiu “A pele que habito” em sua pré-estreia.