Por onde começar a ler Balzac?

Ivan Pinheiro Machado

Falei muito sobre o autor de A Comédia Humana nos 12 posts anteriores. Procurei dar uma ideia do tamanho de Balzac, suas ideias, suas contradições, seu gigantesco talento e sua obra sem precedentes na história da literatura universal. Mas a Comédia é vasta – 89 histórias sendo que mais de 60 romances com, pelo menos, 200 páginas cada – e o leitor se pergunta: “por onde devo começar?” Vai aqui minha sugestão. Depois de dar a partida, será muito fácil engatar Balzac.

Comece nessa ordem: O pai Goriot, Ilusões Perdidas, Esplendores e misérias das cortesãs. Por quê? Bem, O pai Goriot é o primeiro romance onde Balzac concebe a ideia central da Comédia, ou seja, a de criar um enorme conjunto de romances que se passam no mesmo período e que, contando histórias diferentes, “pintam” um retrato preciso da mesma sociedade, através de personagens que vão e vem de uma história para outra (veja o post desta série O monumento chamado Comédia Humana). O pai Goriot é emblemático da “descoberta” de Balzac. Nele surgem personagens, principais e secundários, que atravessarão toda a Comédia, com destaque para Engène Rastinagnac e Vautrin, o malfeitor. Em Ilusões Perdidas, Lucien Rubempré é o protagonista. Sua saga de “alpinista social e intelectual” prossegue e se conclui em Esplendores e misérias das cortesãs, uma continuação de Ilusões…, com os mesmos personagens e o retorno de outros que estavam em Pai Goriot.

Na informalidade que o seu “realismo” lhe concedia, o próprio Balzac nos dá claramente a pista dessa ordem de leitura na parte final de seu Esplendores e misérias das cortesãs. Ele escreve: “Jacques Collin (nome verdadeiro de Vautrin) e sua horrível influência são a coluna vertebral que liga O pai Goriot  a Ilusões perdidas e Ilusões perdidas a Esplendores e misérias das cortesãs”.

Costumo dizer que as 1.500 páginas que compõem estes três romances são o Guerra e Paz de Balzac. Embora seja uma fração minúscula da gigantesca Comédia Humana, ali estão os fundamentos, as intenções e a amostra perfeita da incrível capacidade de fabulação do mestre Honoré de Balzac.

Leia também:
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Balzac e a política: um autor de direita e uma obra de esquerda
O homem que amava as mulheres
O poder das mulheres na Comédia humana
– Balzac e as balzaquianas
Ouro e prazer
20 de maio: aniversário de Balzac
Sexo para todos os gostos
Balzac: o homem de (maus) negócios
O monumento chamado Comédia Humana
Por que ler Balzac
– Balzac: a volta ao Brasil mais de 20 anos depois

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  2. Rody Cáceres disse:

    Agora sei por onde começar…

    • ivan disse:

      Caro Rody,
      O genial da “Comédia” é que você pode começar por qualquer uma das 89 histórias. Ela se encaixa na medidad em q você vai lendo outros livros. Mas uma sugestão de leitor é a que está acima. “Pai Goriot” lança alguns dos personagens mais importantes de toda a Comédia Humana. É uma opção entre dezenas. E não esqueça de “Prima Bete” e “primo Pons”, também obras primas de Balzac… abraço, obrigado ivan pm

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