Há um doido na nossa voz
Ao falarmos, que prendemos:
É o mal-estar entre nós
Que vem de nos percebermos.

* * *

Teu vestido, porque é teu,
Não é de cetim nem de chita,
E de sermos tu e eu
E de tu seres bonita.

* * *

O rosário da vontade,
Rezei-o trocado e a esmo.
Se vens dizer-me a verdade,
Vê lá bem se é isso mesmo.

Fernando Pessoa, Quadras ao gosto popular

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