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Ex-libris: um jeito só seu de dizer “esse livro é só meu”

Você sabe o que é Ex-libris? Não, não é um livro que deixou de ser seu como um… ex-marido ou ex-namorada. Ex-libris é justamente o contrário: em latim, quer dizer “livro de”. E por ter esse significado virou o nome da etiqueta que, impressa em papel e personalizada, vem há séculos sendo colocada na contra-capa ou na folha de rosto dos livros, indicando assim quem é o seu proprietário. Mas não basta trazer um nome, nem mesmo é suficiente que ele seja uma espécie de logotipo – isso seria sem graça demais para um Ex-libris. Eles precisam ser uma pequena obra de arte. Tanto é assim que ricos amantes dos livros, donos de vastas bibliotecas, encomendavam seus Ex-libris a artistas famosos. Picasso, Dalí, Paul Klee e Giacometti chegaram a desenhar Ex-libris sob encomenda.

Todo Ex-libris traz, necessariamente, um desenho que tenha a ver com seu dono, seja algo que ele goste, que ele faça ou mesmo que ele pense. Até o século XVIII, também era muito comum serem usados brasões de família. Chamados de Bookplates nos EUA, os Ex-libris são praticamente ignorados pela maioria dos leitores brasileiros. Mas nunca é tarde para redescobri-los. É por isso que fizemos uma intensa pesquisa na internet e encontramos algumas dessas elegantes marcas de posse.

 

Ex-libris de Charles Dickens, Georges Simenon, Greta Garbo, Jack London, Edgar Allan Poe, Santos Dumont, Einstein e Hemingway

Horror total

A “Série Ouro” é uma coleção de grandes textos e quadrinhos célebres que a L&PM Editores bolou para atender a várias demandas. Primeiro, suprir o desejo daqueles leitores que gostam de “livrões”. Segundo, reunir vários textos importantes num livro de tamanho grande e magnífico acabamento. E, terceiro, oferecer uma alternativa de presente bem bacana, que realmente impressione. Já foram lançados “Shakespeare, obras escolhidas”, com 18 das principais peças do “bardo”; “Machado de Assis” com seus três principais romances; “Livro dos Poemas”, um belo trabalho de edição e seleção do escritor Sergio Faraco que cobre 300 anos da poesia em língua portuguesa; “Garfield – 2.582 tiras” de Jim Davis, onde os fãs do gato pop vão encontrar mais de 600 páginas de diversão. E, finalmente, – neste tempo de vampiros – acabamos de lançar um livro belíssimo que reúne as três histórias mais célebres de horror: “Drácula” de Bram Stoker, “Frankenstein” de Mary Shelley e finalmente “O médico e o monstro” de Robert Louis Stevenson. É como a nascente de um rio:  tudo o que veio depois tem a influência decisiva destes super-clássicos fundadores do gênero.

Bram Stoker, Mary Shelley e Robert Louis Stevenson

 

Os fantasmas de Van Gogh e os fantasmas de Dickens

Em agosto de 1877, Vicent Van Gogh era um jovem estudante em Amsterdam. Nessa época, escreveu, em provável tom de brincadeira, ao irmão Theo: “Esta manhã, o meu pequeno-almoço foi um bocado de pão duro e um copo de cerveja – isto é o que Dickens aconselha para aqueles que estão à beira de cometer suicídio como uma boa forma de mantê-los, pelo menos durante algum tempo, longe dos seus propósitos.” Doze anos depois, enquanto preparava as malas para partir rumo ao hospital psiquiátrico de Saint-Rémy-de-Provence, Van Gogh mais uma vez lembrou o conselho de Dickens e escreveu à sua irmã Wil: “Todos os dias, tomo o remédio que o incomparável Dickens prescreve contra o suicídio. Consiste num copo de vinho, um bocado de pão com queijo e um cachimbo de tabaco. Você dirá que tal não é complicado e dificilmente conseguirá acreditar que isto é o limite a que a melancolia me leva; sempre o mesmo, em alguns momentos – valha-me Deus.” Na verdade, Van Gogh parece ter adaptado o remédio de Dickens ao seu gosto, já que, na realidade, o “incomparável” não fala em pão, e muito menos em queijo, ao terminar o conto “O Barão de Grogzwig”: “O conselho que dou a todos os homens é que, se um dia ficarem deprimidos e sorumbáticos por motivos semelhantes (como ocorrem a muitos), que examinem os dois lados da questão, usando uma lupa no melhor lado; se, ainda assim, sentirem-se tentados a retirar-se sem licença, que antes fumem um cachimbo bem grande, bebam uma garrafa inteira e mirem-se no louvável exemplo do barão de Grogzwig.”

“O Barão de Grogzwig” é um dos treze contos que está no livro Histórias de fantasmas, de Charles Dickens, publicado na Coleção L&PM POCKET.

Para Jack Kerouac, não havia diferença entre Buda e Jesus.

Jack Kerouac nasceu católico apostólico romano. Mas ao descobrir o budismo no início dos anos 50, não apenas interessou-se pelo assunto como inspirou-se nele para escrever alguns de seus livros. Teve origem assim o “budismo beat”. Em Despertar: uma vida de Buda, escrito em 1955, dois anos antes do lançamento de On the Road, Kerouac refaz o caminho de Sidarta Gautama, de seu nascimento em um rico palácio à busca pela iluminação. Não é de se espantar, portanto, que as crenças de Kerouac fossem tema recorrente nas perguntas feitas por jornalistas. Foi assim, por exemplo, em uma entrevista conduzia por Ted Berrigan em 1967 e publicada no Brasil em 1989 pela Companhia das Letras no livro “Os escritores 2: as históricas entrevistas da Paris Review”. Leia o trecho inicial.

Apresentação:

       Jack Kerouac tem hoje 45 anos. Seu décimo terceiro livro, Vanity of Duluoz, foi publicado no início do ano (1967). Casado há um ano, mora com a esposa, Stella, e a mãe – inválida -, num bairro residencial de Lowell, Massachusetts, a cidade onde passou a infância. Os Kerouac não têm telefone. Havia entrado em contato com Kerouac há alguns meses, quando então o convencera a dar a entrevista. Quando senti que a hora do encontro tinha chegado, simplesmente apareci na casa de Kerouac. Dois poetas amigos me acompanharam, Aram Saroyan e Duncan McNaughton. Kerouac atendeu a porta. Apresentei-me e expliquei o motivo da visita. Kerouac cumprimentou os poetas, mas, antes que pudéssemos entrar, sua mulher, uma pessoa muito decidida, segurou-o por trás e disse ao grupo que fôssemos embora imediatamente. Jack e eu começamos a falar ao mesmo tempo, dizendo Paris Review! Entrevista! etc. Nisso, Duncan e Aram já estavam voltando para o carro. Tudo parecia perdido, mas continuei falando, num tom de voz que tentava ser o mais civilizado, razoável, calmo e cordial possível. A sra. Kerouac acabou deixando a gente entrar, por vinte minutos, com a condição de não beber nada.  Lá dentro, quando ficou claro que nosso propósito era sério, a sra. Kerouac tornou-se mais amistosa, e deu para começar a entrevista. Pelo jeito as pessoas ainda aparecem com freqüência na casa de Kerouac, à procura do autor de On the road, e ficam por vários dias, acabando com a bebida e distraindo Jack de suas atividades mais sérias. O clima mudou muito no decorrer da noite. Stella, a sra. Kerouac, revelou-se uma anfitriã agradável e charmosa. A coisa mais incrível em Jack Kerouac é a voz, mágica, que parece saída de seus livros, capaz das mudanças mais assombrosas e desconcertantes num piscar de olhos. Ela tem a capacidade de dominar tudo, a começar por esta entrevista (…).

PERGUNTA: De que maneira o zen influenciou seu trabalho?
KEROUAC: O que realmente influenciou meu trabalho foi o budismo maaiana, o budismo original de Gautama Sakyamuni, o próprio Buda, da lndia de velhas… O zen foi o que sobrou de seu budismo, ou Bodhi, quando passou para a China, e de lá para o Japão. A parte do zen que influenciou minha obra foi o zen presente nos haicais, como já falei, os poemas de três versos e dezessete sílabas escritos há séculos por gente como Bashô, Issa e Shiki, e mestres mais recentes. Uma frase curta e suave, com uma mudança brusca do pensamento, é uma forma de haicai, e há muito prazer e liberdade quando a gente é surpreendido por ela, deixando a mente pular, solta, do galho para o pássaro. No entanto, meu budismo sério, aquele da lndia antiga, influenciou a parte da minha obra que você pode chamar de religiosa, fervorosa ou piedosa, quase tanto quanto o catolicismo. O budismo original pregava a compaixão consciente, permanente, a fraternidade, a dana paramita, quer dizer, a perfeição da caridade, não fazer mal a uma mosca e tudo mais, humildade, mendicância, o rosto suave sofrido do Buda (que era de origem ariana, por falar nisso, de uma casta guerreira persa, e não oriental, como o pintam) …. No budismo original nenhum menino que chegasse a um mosteiro seria advertido que ali “enterram gente viva”. Apenas o encorajavam, com suavidade, a meditar e ser gentil. O zen começou, na verdade, quando Buda reuniu todos os monges para fazer um sermão e anunciar o primeiro patriarca do culto maaiana: em vez de falar, ele simplesmente mostrou uma flor. Todo mundo ficou surpreso, menos Kasyapa, que sorriu. Kasyapa foi escolhido para ser o primeiro patriarca. Esta idéia encantou os chineses, como no caso do sexto patriarca, Hui-Neng, que disse: “Desde o princípio nunca existiu nada”, e queria destruir os registros das palavras do Buda, conservadas nos sutras; os sutras eram “fiapos de sermões”. De certo modo, portanto, o zen é uma forma suave e simplória de heresia. Mesmo assim, deve haver alguns bons velhos monges de verdade, em algum lugar, mas nós só temos ouvido falar dos malucos. Nunca fui ao Japão. O Maha Roshi Yoshi não passa de um seguidor de tudo isso, e nunca o fundador de qualquer coisa nova, é claro. No programa de Johnny Carson ele nem citou o nome do Buda. Talvez o Buda dele seja Mia.
PERGUNTA: Por que você nunca escreveu sobre Jesus? Já escreveu sobre Buda, não? Jesus não foi um cara incrível, também?
KEROUAC: Como não escrevi nunca sobre Jesus? Quer dizer que você é um impostor maluco que veio na minha casa… e … eu só escrevo sobre Jesus. Sou Everhard Mercurian, general do exército jesuíta.
SAROYAN: Qual a diferença entre Jesus e Buda?
KEROUAC: Esta é uma boa pergunta. Não há diferença.

Desenho de Kerouac: “Face of the Buddha”, Pencil on paper, 1956 (?), NYPL, Berg Collection

Conan Doyle acreditava em fadas (e provavelmente em duendes)

Quem nunca participou (ou pelo menos conhece alguém que tenha participado) de uma “Sessão do copo”, ou consultou uma vidente ou tomou um passe? O que nem todo mundo sabe é que o chamado “espiritismo moderno” teve início em meados do século XIX no oeste do estado de Nova York, impulsionado pelo fanatismo fervoroso daqueles que queriam provas concretas da vida após a morte. Possuídas pela onda que se abateu sobre o chamado “distrito queimado”, três adolescentes, as irmãs Fox, começaram a ouvir estalos à noite e a se comunicar com um suposto fantasma. Viraram celebridades instantâneas. Logo, outras pessoas entraram no espírito da coisa e passaram elas também a receber visitas do além. Entre os que se animaram com o espiritismo, encontrava-se Sir Arthur Conan Doyle. Prova disso foi que, mesmo depois que uma das irmãs Fox, Margaret, confessou que tudo não passava de uma farsa, o criador de Sherlock Holmes continuou crente no mundo paralelo, incluindo aí fadas e provavelmente duendes. “Nada do que ela [Margaret] poderia dizer sobre aquele assunto vai mudar sequer um pouco a minha opinião, nem irá mudar a de qualquer um que tenha sido convencido profundamente de que há uma influência oculta nos conectando com um mundo invisível” afirmou Conan Doyle na época. Amigo do famoso Houdini, o escritor defendia que o mágico realmente tinha poderes psíquicos. E, em 1917, quando duas meninas de Yorkshire mostraram fotografias em que apareciam na companhia de fadas, tiradas em seu jardim, ele acreditou que era tudo verdade. Mais do que isso: Sir Arthur Conan Doyle escreveu dois panfletos e um livro chamado “A vinda das fadas”, atestando a autenticidade das cenas. Sherlock Holmes provavelmente não seria tão crente quanto seu pai.   

Acima, duas das fotos apresentadas pelas meninas e atestadas por Sir Arthur Conan Doyle, autor de 19 livros da Coleção L&PM Pocket.

Teste seus conhecimentos artísticos: que escritores pintaram essas obras?

Parece que já não se fazem mais escritores como antigamente. O belo livro The Writer’s brush – Painting, Drawings, and Sculpture by Writers, de Donald Frieman, traz uma extensa mostra de pinturas, desenhos e esculturas de famosos literatos do mundo inteiro, produzidas ao longo de várias épocas. Selecionamos algumas delas, todas de autores publicados pela L&PM, e aproveitamos para propor um teste: você consegue relacionar corretamente as obras com os escritores da lista que vem logo abaixo? Mas não vale espiar a resposta (que está no pé no post).

 

 

A guerra do Bom Fim, de Scliar, é traduzido para o francês

Entre as 22 obras de autores brasileiros que estão sendo traduzidas nesse momento, está A guerra do Bom Fim, de Moacyr Scliar. A obra passará a fazer parte do catálogo da Éditions Folies d’encre, da França.
A guerra…, lançado originalmente em 1972  e publicado em 1981 pela L&PM , em plena ditadura militar, é o primeiro romance de Scliar. Como outros livros de sua geração, testemunha a necessidade dos escritores  contemporâneos de lançar novas luzes sobre o passado e a identidade nacional.

A estreia de “Sobre Saltos de Scarpin”, peça baseada em textos de David Coimbra

Perucas a la Lady Gaga, sapatos envernizados, roupas estruturadas. O figurino das mulheres que dominam Sobre Saltos de Scarpin é mero detalhe, ainda mais quando as mulheres desse espetáculo saltaram dos textos de David Coimbra.

A peça que entra em cartaz a partir dessa sexta-feira 13, no Teatro Renascença (em Porto Alegre) é baseada em Mulheres! e Jogo de damas. O roteiro recria, a partir do humor, todas as armadilhas das mulheres para submeter os homens aos seus caprichos. As roupas sensuais, o aspecto frágil, o olhar perdido enquanto beberica um drink qualquer em uma mesa de bar, tudo tem um único objetivo: domar o impulso masculino para a caça e fazer com que eles se tornem “de família”. Ou seja: as mulheres Sobre Saltos de Scarpin estão ali para domesticar os homens.

Com direção de Tainah Dadda, a peça, estruturada em forma de esquetes, mantém o texto na voz dos personagens originais. O que amarra a trama no palco são três homens, presos em um futuro distante e tentando escapar ao regime totalitário feminino que domina o planeta, representado, neste caso, por um trio de mulheres.

David atento ao ensaio - Foto: Carlos Edler/Jornal Zero Hora

Confira as informações da peça Sobre Saltos de Scarpin em http://saltoscarpin.blogspot.com/

Cinco ótimos motivos para você visitar o estande da L&PM no Anhembi

Talvez não faltem motivos para você visitar a Bienal Internacional do Livro de São Paulo que abre hoje, sexta-feira 13, para o grande público (ok, talvez você não more em São Paulo). Só a programação e a montanha de livros disponíveis já são uma causa pra lá de nobre. Mas se você ainda quer mais um estímulo, aí vai uma lista de motivos que mostram por que, na Bienal, você não pode deixar de visitar o estande da L&PM.

1- Os lançamentos: preparamos lançamentos incríveis para a Bienal. Alguns dos títulos ainda nem chegaram nas livrarias e já estão aqui, esperando por você. Anjos da desolação, de Kerouac, Pedaços de um caderno manchado de vinho, de Bukowski, Série Ouro – Horror e Peanuts 3 são alguns deles.

 2- A ecobag exclusiva: nas compras acima de 120 reais, você ganha uma linda sacola da L&PM para levar os seus livros e o que mais quiser.

 3- A revista: especialmente para a Bienal, foi produzida uma revista que conta tudo e traz textos de colaboradores convidados. É só passar lá e pegar a sua.

 4- Os adesivos: para os adoradores de nossos pockets, foram confeccionados adesivos que são uma fofura. Tem versão para “meninas” e versão para “meninos”. Vai lá pedir o seu.

 5- Os pockets: deixamos o motivo mais forte para o final. A Coleção L&PM Pocket tem quase mil títulos como preços incríveis. E séries como ENCYCLOPAEDIA, BIOGRAFIAS e QUADRINHOS. Tá esperando o quê?

 

Mais um pouco sobre o início da Bienal

Ivan Pinheiro Machado

A 21ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo abriu suas portas hoje para os profissionais do livro. Num dia ensolarado com temperatura agradável, em torno dos 22 graus, o enorme pavilhão do Anhembi foi palco de discursos do prefeito Kassab e do governador Goldman. A cerimônia de inauguração teve um texto de Monteiro Lobato (autor da famosa frase “um país se faz com homens e livros”) lido por Paulo Goulart, e um texto de Clarice Lispector narrado por Beth Goulart e Maria Fernanda Cândido. Atuando como uma espécie de mestre de cerimônia estava Gabriel Chalita, por sinal, candidato a senador pelo PSB, partido que faz oposição ao governador que, por sua vez, também é um dos maiores patrocinadores do evento. A partir de amanhã, dia 13, até 22 de agosto, sempre das 10h às 22h, a Bienal estará aberta ao público. As expectativas são as melhores possíveis. Os livreiros acham que vão vender muitos livros em papel, embora a moda, nos coquetéis e eventos paralelos, seja o livro digital, uma espécie de “entidade misteriosa” que todo mundo fala, mas ninguém sabe, ninguém viu.
A L&PM está representada com um amplo estante onde estão expostos todos os livros do catálogo da editora, tanto da coleção L&PM POCKET como da linha convencional.
Como destaques, os lançamentos Pedaços de um caderno manchado de vinho, de Bukowski, Anjos da desolação, de Kerouac, Peanuts 3 e Série ouro – Clássicos do horror que reúne Drácula, Frankenstein e O médico e o monstro.