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Ficção, história, frases e Flip

sexta-feira, 6 julho 2012

Por Paula Taitelbaum*

Empolgante, esclarecedora, engraçada. Se eu precisasse resumir em três adjetivos o encontro que reuniu os escritores de língua espanhola Juan Gabriel Vásquez e Javier Cercas, talvez escolhesse estes. Mas, pensando bem, eles não fariam jus a tudo o que se ouviu na Tenda dos Autores da Flip na quinta-feira à tarde. Com o tema “Ficção e História” e a mediação de Angel Gurría-Quintana, a conferência começou com a leitura de trechos de livros de ambos os escritores. Com seu espanhol claríssimo e deliciosamente sonoro, Vásquez leu um trecho de “História Secreta de Costaguana” (L&PM Editores), seguido de Cerca que leu um trecho de seu livro.

Os escritores Javier Cercas, Juan Gabriel Vásquez (ao centro e no telão) e o mediador Angel Gurría-Quintana

A partir de então, totalmente entrosados, os dois autores presentearam a plateia com ótimas frases. Anotei algumas de Juan Gabriel para compartilhar aqui no blog:

“Toda novela é a construção de uma voz, mas algumas dessas vozes são mais parecidas com a nossa”

“A voz de ‘Os informantes’ é mais parecida com a minha, já ‘História Secreta de Constaguana’ é um capricho, uma reflexão de como, por que e o que se passa quando escrevemos uma história”

“Temos que evitar a tentação de nos embasarmos no que as pessoas já conhecem. A novela como gênero, diferente do romance histórico, deve criar uma nova realidade, reinventar o mundo. A novela conta as coisas como poderiam ter sido e não exatamente como se passaram. Há a liberdade de distorcer.”

“Minha novela é uma espécie de metáfora histórica”

“A verdade histórica é factual e concreta. A verdade literária é abstrata, universal, fala do que ocorre com os homens em qualquer lugar. Há aqueles que misturam os dois e buscam a verdade literária e histórica”

“W. Somerset Maugham já dizia que há três regras para escrever novelas, o problema é que ninguém sabe quais são elas.”

“Já disse E. Doktorou: o romancista histórico é aquele que finge que existem mais documentos históricos do que realmente existe”

“Tudo é mais complicado. O novelista quer iluminar o que não sabemos”

“A literatura é como um fósforo no meio do campo escuro. Ele não serve para iluminar, mas para mostrar o quanto de escuridão existe”

“Toda novela é uma crítica à novela que a precede” (Referindo-se a suas próprias novelas)

“O passado não passa nunca, ele nem sequer passou” (Citando William Faulkner)