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Inspirados em Lutzenberger, manifestantes protegem árvores

Na quarta-feira, 6 de fevereiro, a Smam (Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre) iniciou a remoção de 115 árvores de uma praça no centro da cidade, localizada em frente à Usina do Gasômetro. Até o início da tarde, 14 árvores haviam sido derrubadas, mas moradores da região iniciaram uma série de protestos que suspenderam temporariamente o trabalho. Eles subiram nas árvores para impedir que elas fossem ao chão. Uma das moradoras contou que os residentes souberam, por assembleia, que a rua seria duplicada, mas nada foi dito sobre o corte das árvores.

Um dos manifestantes foi fotografado lendo o livro Manual de Ecologia – Do jardim ao poder (Coleção L&PM Pocket), de José Lutzenberger, ecologista brasileiro de projeção mundial que faleceu em 2002. A foto ganhou destaque nas redes sociais.

Manifestante lê livro de Lutzenberger

Em 25 de fevereiro de 1975, um jovem estudante de engenharia elétrica da Universidade Federal do RS foi o primeiro a lançar esse tipo de protesto no Brasil. Ao ver que funcionários da Secretaria Municipal de Obras estavam cortando dezenas de árvores para construir um viaduto, o mineiro Carlos Alberto Dayrell subiu em uma grande árvore em frente à Faculdade de Direito da UFRGS, em uma das principais vias da cidade, a avenida João Pessoa. Dayrell, que era sócio da Agapan (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), subiu numa Tipuana e lá permaneceu durante o dia inteiro. O protesto funcionou, pois a árvore segue linda e frondosa até hoje.

José Lutzenberger, que foi o primeiro presidente da Agapan, declarou em 1998 que “O protesto do Dayrell foi o fato que mais sacudiu a opinião pública na época”. Naquela época, o manifestante foi parar na delegacia de polícia política, pois impedir o corte de árvores era crime contra a segurança nacional. A foto de Dayrell foi para em muitos jornais e ganhou destaque de capa de O Estado de São Paulo. Considerada a mais importante manifestação ecológica de Porto Alegre, esta história ainda hoje é lembrada e serve de exemplo.

Dayrell em 1975