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segunda-feira, 21 outubro 2013
Harvard acaba de lançar um site com todo o acervo de Emily Dickinson

Harvard acaba de lançar um site com todo o acervo de Emily Dickinson

Emily Dickinson sempre relutou em publicar seu trabalho. Os poucos poemas que chegaram ao público, foram publicados anonimamente em jornais.

A partir de agora, Harvard vai mostrar tudo que a escritora tentou esconder durante a vida. A universidade acaba de lançar o “Dickinson Eletronic Archive“, um arquivo digital que reúne, pela primeira vez em um só lugar, todos os documentos da poeta como manuscritos autografados e cartas, além de transcrições contemporâneas de seus poemas.

O desenvolvimento deste acervo digital não aconteceu sem solavancos e ressentimentos – muitos deles enraizados nos conflitos pela posse da obra de Dickinson, datada do final do século 19 e que refletem o fervor profundo e duradouro que o seu trabalho inspira.

O projeto teve início há quase dois anos, quando outra universidade, a Amherst College, também grande depositária dos manuscritos de Dickinson, se aproximou de Harvard. Depois de um prolongado vai-e-vem, durante o qual Harvard iniciou o planejamento do projeto digital, Amherst concordou em compartilhar sua coleção no site que, segundo ela defende, abrange 40% do Dickinson Eletronic Archive.

O que os representantes de Amherst reclamam agora é que eles quase não foram consultados e que o site faz pouca menção às suas contribuições. Segundo o diretor de arquivos e coleção especiais da Amherst College, Mike Kelly, não ficou claro que este é um projeto comum. O porta-voz de Harvard, Colin Manning, recusou-se a tecer comentários sobre a polêmica, limitando-se a dizer que o que importa é que “pela primeira vez, a maioria dos manuscritos originais de Emily Dickinson estará disponível para acesso aberto em um único local.”

O conflito reflete uma antiga disputa entre Harvard e Amherst sobre quem é mais “dono” de Emily Dickinson. Quando a escritora morreu, sua irmã, Lavinia, descobriu quase dois mil poemas. Lavinia se aproximou da cunhada, Susan Dickinson, para saber como editar os poemas. Como Susan estava demorando muito para tomar alguma atitude, Lavinia procurou Mabel Loomis Todd, esposa de um professor de Amherst e amante do irmão de Emily Dickinson. Todd contou com a ajuda de Thomas Wentworth Higginson e os dois editaram os poemas – mudando a pontuação, alterando o texto original e adicionando títulos. Eles publicaram três volumes da obra de Dickinson, a última em 1896. Dois anos depois, surgiu uma disputa entre Todd e os Dickinsons.

Todd disse que o irmão de Emily Dickinson tinha prometido a ela um pedaço de terra e, como ela não recebeu o prometido, negou-se a devolver os originais. Em 1956, a filha de Todd doou a coleção – cerca de 850 poemas e fragmentos e mais 350 cartas – para a Amherst College, instituição da qual o avô de Dickinson foi um dos fundadores e seu pai e irmão serviram como tesoureiros. Enquanto isso, os manuscritos que permaneceram na família Dickinson – cerca de 700 poemas e 300 cartas – acabaram sendo vendidos para Gilbert Montague, um primo distante de Dickinson, que em 1950 havia doado tudo para Harvard.

Desde então, existe a disputa entre as duas uniersidades. Algumas décadas atrás, Harvard sugeriu que Amherst não tem a propriedade legítima da coleção porque “Mabel nunca devolveu o que pegou aos Dickinsons”.

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O “Dickinson Eletronic Archives” já está no ar

A Coleção L&PM Pocket publica Poemas escolhidos de Emily Dickinson em edição bilíngue e com tradução de Ivo Bender.