20 anos sem o Blá, Blá, Blá dos Mamonas Assassinas

Foi um acidente aéreo que pôs fim à meteórica carreira do grupo Mamonas Assassinas. O primeiro álbum da banda vendeu incríveis 2 milhões de cópias e se tornou o maior fenômeno comercial da história da indústria fonográfica brasileira até então. Na noite do dia 2 de março de 1996, quando retornavam de um dos shows da turnê que correu o Brasil, o jatinho da banda se chocou contra a Serra da Cantareira, há poucos minutos do pouso em Guarulhos. Os cinco integrantes, os dois empresários, o piloto e o co-piloto do avião morreram na hora. De forma trágica e inesperada, chegava ao fim a história dos Mamonas Assassinas.

Menos de três meses depois do acidente que comoveu o país, a L&PM lançou o livro Blá, Blá, Blá – biografia autorizada, em que o jornalista e escritor Eduardo Bueno resgata a história do grupo por meio de longos depoimentos de pais, mães, irmãos, amigos, namoradas, companheiros de estrada, empresários, enfim, todas as pessoas que foram importantes na vida dos Mamonas Assassinas.

No primeiro capítulo intitulado “O feitiço da Lua Nua”, Eduardo escreve:

Quando João Augusto de Macedo Soares, 39 anos, vice-presidente da gravadora EMI Odeon, seu filho Rafael, 16, e o produtor independente Arnaldo Saccomani enfim chegaram, a boate Lua Nua estava quase vazia. Eram dez e trinta da noite meio fria de 7 de abril de 1995. (…) Era uma visita anunciada e João Augusto foi logo conduzido ao mezanino e instalado na melhor mesa, próximo a uma garrafa de uísque cujo lacre permaneceria intocado até tarde da noite. (…)

No instante em que cinco Chapolins Colorados saltaram no palco, loucos furiosos, anteninhas balouçantes e tudo, e detonaram um rock ensandecido que levantou a massa – era Cabeça de Bagre II -, João Augusto ouviu o som que estava aguardando não há 3 horas, mas há quase um mês. E ao vivo era ainda melhor do que ele imaginava. Em seguida, um forrock também arrasador, sobre a vida seca e a sina tragicômica de um baiano e seu jumento com toca-fitas, fez os muitos espiões estrategicamente espalhados pela casa terem certeza de que o executivo da multinacional, recém-chegado do Rio, estava no papo: ninguém riria tanto se não estivesse mesmo gostando. Os olheiros se estressavam à toa: João Augusto já não tinha a menor dúvida sobre o resultado final daquele jogo.

Quando o Chapolin-cantor colocou um enorme bigode postiço e os Chapolins-instrumentistas detonaram um fado turbinado, cuja letra a plateia amestrada sabia de cor, a casa quase veio a baixo. João Augusto só não parou o show naquela hora para apertar a mão dos rapazes porque seria linchado pela massa – e porque também queria mais.

Infelizmente, o livro Blá, Blá, Blá – biografia autorizada está esgotado, mas quem quiser saber mais sobre esta história, vale conferir a entrevista (áudio) que fizemos com o Eduardo Bueno sobre o fenômeno Mamonas Assassinas no dia dos 15 anos da morte do grupo.

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