Paris festeja seus heróis


As fotos que ilustram este post foram tiradas no sábado. A chamada “multidão incalculável”, como diria Eduardo Bueno, acorria ao Salão por todos os meios – metrô, ônibus, táxi, tramway. Cartazes pela cidade anunciavam o salão com o simpático personagem que estiliza um livro e parece saído de uma história em quadrinhos. Ao pé do cartaz o endereço da web e todas os meios de transporte com o número certinho das linhas para chegar a Porte de Versailles.

Franceses lotam os corredores do Salão / Fotos: Ivan Pinheiro Machado

O número de visitantes até aqui foi o suficiente para os organizadores festejarem o grande sucesso deste em relação a outros salões, do tempo em que a organização homenageava países. Homenagear 90 escritores, dentre os quais 60 franceses, foi o golpe de mestre. No bom sentido, é claro. O público parisiense quer saber mesmo é dos seus autores, seus heróis. Enormes filas se formavam em frente aos estandes onde escritores dedicavam uma hora para dar autógrafos aos fãs. Mal comparando, lá em Porto Alegre, a famosa Feira do Livro já foi assim. A fórmula é infalível. E o Salão de Paris pulsa ao reverenciar seus livros e autores. Hoje e amanhã, último dia, os holofotes estarão voltados para as celebridades internacionais como Umberto Eco, Salman Rushdie e Paul Auster. Eles circularão nos estandes de seus editores confraternizando com o público e participarão de conferências e debates.

Bernard Werber durante sessão de autógrafos / Foto: Ivan Pinheiro Machado

Nesse final de semana passaram por lá os mais festejados e populares autores franceses, como Bernard Werber (autor da trilogia “As Formigas”), que, apesar de ter vendido 18 milhões de exemplares em todo o mundo, é literalmente – e reclama disso o tempo todo – ignorado pela critica francesa. Sua fila de autógrafos era digna de um Paulo Coelho, assim como eram também as filas da belga Amelie Nothomb e da nossa querida Nancy Huston, autora do festejado Marcas de nascença. Muitos outros escritores de grande prestígio em Paris como Georges Balandier, Emmanuel Carrère, Patrick Rambaud (se escreve assim mesmo) e Philippe Jaccottet compareceram sob o crivo seletivo dos “convidados especiais” do Salão, e várias mesas redondas desenvolviam o tema “o futuro do romance francês”. Uma questão tão penosa quanto difícil, pois a crítica hegemônica das grandes publicações culturais ainda é dominada pelo intimismo do velho nouveau roman que, apesar de ter perdido muito público nos últimos anos, é quem dá as tintas no “quem é quem” nas letras francesas.

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  1. eduardo bueno disse:

    “multidão incalculável” de fato é expressão de minha larva (ops, lavra…). O verbo “acorria”, no entanto, é de inteira responsabilidade do autor do texto

  2. ivan disse:

    é que não me acorreu outro verbo….

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