Xangai é um barato

Chineses de cara fechada, em seus uniformes militares, com perguntas como “o que você pretende fazer na China, sua capitalista?”. Juro que achei que meu desembarque na terra de Mao seria assim. No lugar, encontrei uma alfândega com jovens e sorridentes atendentes em um aeroporto totalmente futurista. Mas vou poupar os detalhes e fazer um pequeno álbum de retratos falados das minhas primeiras impressões de Xangai, cidade onde me encontro nesse exato momento. Xangai parece estar à frente de nós.  Não só porque aqui é sempre a manhã do dia seguinte – enquanto na maioria do mundo ainda é a noite do dia anterior -, mas porque seus prédios fabulosos dão a impressão de estarmos na cidade da família Jetson.


No Bud, bairro antigo, edifícios com mais de cem anos convivem com torres com mais de cem andares. Há lojas chiques e famosas como Hermés, Fendi, Louis Vitton, Cartier, Vertu (que vende celulares de dez mil euros) e do outro lado da calçada há lojinhas com todos os níveis de artigos falsificados. No calçadão da Nanjing Road passam milhões de pessoas em um só dia. À noite, os neons iluminam todos os prédios, as árvores ganham lanternas coloridas, os chineses vão todos para as os bares beber e conversar. Chineses modernos, com cabelos e roupas da moda, unhas coloridas e nenhum medo aparente de ser feliz. Dá vontade de morar em Xangai. Principalmente porque tudo é muito lindo, muito limpo, muito organizado e muito, mas muito, mas muito barato mesmo (a não ser que você queira comprar alguma coisa muito verdadeira). Um detalhe, porém: vi apenas uma livraria em Xangai e nenhuma pessoa com um livro na mão. Bem, mas melhor assim do que o tempo em que todos os chineses eram obrigados a carregar o livro vermelho de Mao.

* Paula está na China fazendo pesquisas para um livro. Nos próximos 20 dias ela vai compartilhar no blog suas impressões sobre o país mais populoso do mundo.

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