Quem somos

A L&PM Editores foi fundada em 24 de agosto de 1974 por Paulo de Almeida Lima e Ivan Pinheiro Machado. A editora foi formada para a edição do livro Rango 1 do desenhista e cartunista Edgar Vasques. Era um tempo de ditadura, censura prévia e perseguição aos opositores do regime instalado pelo golpe militar de 1964.

Rango, personagem com grande repercussão nos jornais da época, representava a miséria e os perseguidos pelo regime militar. Apenas tolerado por esse regime, Rango foi alvo de censura e, neste mesmo ano de 1974 os editores tiveram que se apresentar na Polícia Federal para provar que Rango 1 era livro e não revista. No tempo da ditadura era obrigatório o registro de publicações periódicas como jornais e revistas junto ao Departamento de Censura. A publicação de livros era por conta e risco do editor e as apreensões de livros considerados “subversivos” eram muito freqüentes. Fomos salvos pelo prefácio do grande Erico Verissimo que abria assim: “Recomendo este livro com o maior entusiasmo”. Os censores tiveram que acreditar que era livro mesmo. Rango foi um sucesso e abriu o caminho para que a L&PM Editores surgisse como um veículo da resistência democrática ao regime militar.

Em pouco tempo a L&PM reuniria um dos mais prestigiados e invejados catálogos entre as editoras brasileiras com autores como Millôr FernandesJosué Guimarães,  Luís Fernando Verissimo, Moacyr Scliar, Sérgio Capparelli Sergio Faraco (que 20 anos depois seria um grande colaborador no projeto que implantou a Coleção L&PM Pocket), Luiz Antonio de Assis Brasil, Dalton Trevisan, Caio Fernando Abreu e Martha Medeiros, entre tantos e tantos outros autores.

Edgar Vasques, Moacyr Scliar, L. F. Verissimo e Josué Guimarães, em foto tirada após o final do livro Pega prá kapputt, obra coletiva publicada em 1978 (foto de Assis Hofmann)

No plano internacional a L&PM editou nos anos 80 e 90 grandes autores como Woody Allen, Eduardo Galeano, Henry Miller, Ross Macdonald, Truman Capote, Jorge Luis Borges, Dashiell Hammett, Tom Wolfe, Scott Fitzgerald, entre muitos outros. Já nesta época a L&PM iniciou o seu grande projeto de retraduzir os grandes clássicos. Em 1984 a editora inovou mais uma vez ao lançar a sua célebre coleção “Alma beat”, com autores como Charles Bukowski, Allen Ginsberg, Jack Kerouac, Carl Solomon, Lawrence Ferlinghetti e Neal Cassady.

Em meio às dificuldades financeiras da década de 1990, a L&PM Editores decidiu romper com o passado e passou a construir sua nova história com os olhos voltados para o futuro. O mercado foi invadido por multinacionais que atraíram autores importantes e passaram a ditar novas regras. Atingida seriamente por este processo predatório, a L&PM apostou que para sobreviver neste mercado precisaria criar produtos e mercados novos. Aí surgiu a Coleção L&PM Pocket no ano de 1997.

Baseado num projeto moderno executado dos moldes das grandes coleções européias, a Coleção L&PM Pocket foi construída em cima de 4 pilares fundamentais: textos integrais, alta qualidade editorial e industrial, preços baixos e distribuição ”total”, atingindo todo o Brasil.

Veja nosso perfil na íntegra aqui.

  1. legal. não sabia que a internacionalização do setor editorial chegou a ser predatória para o mercado nacional. faz sentido. que pena, e que ótimo que a lpm conseguiu enfrentar a barra!

  2. ronaldo de souza araujo disse:

    peguei emprestado com um amigo um guia de leitura achei otimo. e estou ate recomendando gosto muito de ler e incentivo varias pessoas a fazer o mesmo. nos ja sabemos o que um bom habito e capaz de fazer e transformar.

  3. JohnLBA disse:

    It’s very good article.

  4. Nora Peixoto disse:

    Avalio por experiência própria o horror da censura nos calcanhares. Sei bem dos efeitos nocivos deste período. Meu pai foi preso e minha família exilada. TEmpos muito duros.
    Mas o tempo passa! Parabéns. Pelo menos não fomos mortos com o corpo enterrado em algum buraco lamacento por aí.
    Abraço grande,
    Nora Peixoto

  5. viagra disse:

    hello everyone. i doubt that the author is right but i can not get rid of the feeling that no person in this world is perfect.

  6. A L&PM Pocket é uma iniciativa que mostrou o quanto é possível democratizar a Cultura no Brasil. Não tem desculpa para não comprar um bom livro ao preço de duas cervejas ou uma revista de fofoca. Sempre comentei que se um dia lançar um livro, quero que seja neste formato, para caber na bolsa das pessoas e ser achado em qualquer rodoviária. Longa vida a L&PM!

  7. andreas volkmann disse:

    Eu acompanho – e admiro – o trabalho da L&PM desde 1977, quando tinha 9 anos e descobri o “Rango” do mestre Edgar Vasquez. Fiquei muito feliz quando soube, lendo uma revista de circulação nacional, que os Pockets trouxeram um novo fôlego para a editora. A iniciativa é maravilhosa, por tornar acessíveis tantas grandes obras. Mas não posso deixar de perguntar: o formato álbum, da coleção original de quadrinhos, foi abandonado para sempre? E as HQs de Ed Mort (Com a mão no milhão, o rapto do zagueiro central, conexão nazista, etc) não têm previsão de republicação nesse formato? Um abraço e sucesso aos srs. Lima e Pinheiro Machado. Obrigado pelos anos de boas leituras já proporcionados e pelos que ainda virão!

  8. Luiz Baú disse:

    Olá! Parabéns, pelo belo trabalho. Gostaria de saber se L&PM edita livros. Tenho obras compostas por mim, e inéditas. Não as divulguei porque são recentes e só agora estou tratando disso. Uma delas traz como título “Os acendedores do Sol”. É um romance que trata do êxodo rural e suas consequências. O outro: “O Mico nosso de cada dia”, ainda em construção, traz fatos bisonhos colhidos do cotidiano com uma dose de pimenta e muito humor. Um abraço. Luiz Baú – Erechim – RS

  9. R. Moss disse:

    Bem interessante.

    Não imaginava que estiveram bem próximos do fim.

    Ainda bem que isso não ocorreu. =D

  10. Marlise disse:

    Gostaria de saber se existe o livro do documentário :”O dia que durou 21 anos”, produzido pelo jornalista e escritor Flávio Tavares.
    Grata,
    Marlise

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