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Verbete de hoje: Matthias Schultheiss

domingo, 30 outubro 2011

Com o lançamento da nova Enciclopédia dos Quadrinhos“, de Goida e André Kleinert, o Blog L&PM publicará, nos domingos um verbete do livro. O verbete de hoje é MATTHIAS SCHULTHEISS:

O cinema já tentou adaptar, para imagens, o espírito da obra de Charles Bukowski. Não chegou perto, porém, dos acertos e da incrível transposição para os quadrinhos realizada pelo desenhista alemão Matthias Schultheiss. Ele desenhou com um estilo realista, paradoxalmente belo, o universo dos bêbados, das prostitutas, dos marginais e dos desesperados que povoam os contos e novelas de Bukowski. Foram várias narrativas publicadas em álbum pelo Editor Heyne Verlag, da Alemanha, logo traduzidas para outras línguas. No Brasil, com os títulos de Delírios cotidianos e N. York, 95 cents ao dia, os contos de Bukowski/Schultheiss foram publicados na coleção “Quadrinhos L&PM” e depois lançados num só álbum, em 2008. Antes disso, Schultheiss havia desenhado uma série sobre caminhoneiros (“Truckers”, para a revista Zack, em 1980). Convidado para colaborar com revistas francesas, fez Le Théorème de Bell, para L’Echo des Savanes. Colaborou também para a revista Circus. Depois de levar para os quadrinhos de maneira perfeita Bukowski, Schultheiss tentou outras transcrições, não com a mesma felicidade. O sonho do tubarão saiu completo, em três partes, na revista Animal. O teorema de Bel teve uma primeira e uma segunda parte. Ele alcançou mais sucesso com uma série supererótica, “Talk Me Dirty” (assim mesmo, em inglês), que saiu na Europa e na Argentina (na revista Super Sexy), editada nos anos 90 por Carlos Trillo.

41. Delirando com Bukowski em quadrinhos

terça-feira, 16 agosto 2011

Por Ivan Pinheiro Machado*

Em 1984, estava andando pelos corredores de uma livraria em Paris quando um grande álbum de HQ chamou minha atenção. Era um título de uma importante editora francesa de quadrinhos, a Glénat: “Folies Ordinaires”, de Charles Bukowski, ilustrado pelo alemão Matthias Schultheiss. Naquela época, publicávamos a coleção L&PM Quadrinhos, só de álbuns clássicos e que chegou a ter 120 títulos.

A edição francesa que deu origem a tudo ainda está na prateleira de Ivan Pinheiro Machado

De volta ao Brasil, com a certeza de que aquele deveria ser mais um dos títulos da Coleção, escrevi uma carta à Glénat pedindo o contato de Schultheiss (naquele tempo se escreviam cartas!). Começamos a nos corresponder e marcamos, para o ano seguinte, um encontro na Feira de Frankfurt.

Matthias Schultheiss era (provavelmente continua sendo) um alemão alto e simpático que se mostrou muito agradável. Perguntei a ele de onde havia surgido a ideia daqueles quadrinhos e Schultheiss me contou que ficara muito impressionado com os livros de Bukowski. Falou ainda que ele e Buk se encontraram pessoalmente e que o escritor tinha gostado muito dos desenhos. E fez questão de salientar que os dois tomaram vários porres juntos.

Meses depois, contrato assinado, publicamos as cinco histórias de “Folies Ordinaires” em dois volumes: “Delírios Cotidianos” e “New York, 25 Cents ao dia” com tradução de Suely Bastos. Com o passar dos anos, os livros foram se esgotando e o contrato venceu. Até que, em 2008, resolvemos republicar. A primeira coisa a fazer seria encontrar Schultheiss e contatá-lo novamente. Felizmente, o Google ajudou e cheguei ao seu site oficial. Ele lembrava de tudo e, refeitos os contratos, Schultheiss nos enviou a ilustração da capa em alta definição. O novo “Delírios Cotidianos” saiu como na versão francesa, cinco histórias em um único volume.  

A capa da nova edição

Poucas vezes uma adaptação gráfica aproximou-se tanto de seus originais, como em “Delírios cotidianos”. Com um estilo realista, Schultheiss transpôs impecavelmente o universo dos bêbados, das prostitutas, dos marginais e dos desesperados que povoam as páginas do escritor que, se vivo fosse, estaria completando 92 anos hoje.

*Toda terça-feira, o editor Ivan Pinheiro Machado resgata histórias que aconteceram em mais de três décadas de L&PM. Este é o quadragésimo primeiro post da Série “Era uma vez… uma editora“.