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On the Road na vitrola…

Na estrada, o filme de Walter Salles baseado em On the Road, é como o livro de Jack Kerouac: embalado em música do início ao fim. Infelizmente, a trilha sonora do filme, feita por Gustavo Santaolalla, não será lançada no Brasil. Afoitos por ela, conseguimos comprar o CD via e-bay de um vendedor da Coreia do Sul. Quinze dias depois da transação, eis que o CD chega pelo correio com a trilha original (e não é pirata!).

Nossa trilha de "Na Estrada" recém chegada

Para você sentir o clima, aqui vai uma das músicas mais emocionantes da trilha, a canção que abre e fecha o filme e cuja letra aparece algumas vezes no livro. E o melhor: quem está cantando é o próprio Jack Kerouac!

E assim como há muita música em On the Road, há muitos músicos que se deixaram levar – e inspirar – pela obra de Kerouac, como bem conta Eduardo Bueno no prefácio do livro traduzido por ele:

Bob Dylan fugiu de casa depois de ler On the Road. Chrissie Hynde, dos Pretenders, e Hector Babenco, de Pixote, também. Jim Morrison fundou The Doors. No alvorecer da década de 90, o livro levou o jovem Beck a tornar-se cantor, fundindo rap e poesia beat. Jakob Dylan, filho de Bob, deixou-se fotografar ao lado da tumba de Jack em Lowell, Massachusetts, como o próprio pai fizera, vinte anos antes.

P.S.: E por falar em músico, Caetano Veloso confessou este final de semana em seu blog que nunca conseguiu ler On the Road até o fim, mas que o fará depois de assistar ao filme. “Devo confessar que nunca consegui ler todo. Acho que sou um estranho ser em minha geração. A opinião de Dylan ecoa tudo o que venho lendo e ouvindo sobre esse livro desde a adolescência. Prometo-me que o lerei agora, depois de ver o filme” escreveu ele.

Dos croquis aos cenários de “Na Estrada”

Ao longo da viagem de Jack Kerouac pelas páginas de On the Road, há muitos marcos geográficos, lugares que vão e vem, encontrando-se e desencontrando-se pelos parágrafos do livro. No filme Na Estrada, tudo precisou ser construído e reconstituído, da bomba de combustível, ao motel decadente e, claro, chegando à casa de Sal Paradise no andar de cima de uma farmácia. É uma viagem no tempo que começa a partir do momento em que o diretor de arte parte para a realização dos chamados croquis que serão usados como referência para os cenários. A reconstituição de Na estrada / On the Road, impôs à equipe de Walter Salles um quebra-cabeça logístico. Mas o resultado final impressiona. Mérito, além de Walter Salles, do diretor de arte Carlos Conti, do diretor de fotografia Eric Gautier e do responsável pelo figurino Danny Glicker. Veja abaixo dois exemplos de como eram os croquis e de como ficaram as cenas do filme.

O croqui e a cena do hotel em que Dean deixa Sal e Marylou (clique na imagem para ampliá-la)

O croqui e como ficou a casa em que Sal/Jack mora com a mãe e escreve On the road

Jô Soares ganha edição do livro On the Road com a capa do filme

Ontem à noite (na verdade, hoje de madrugada), Jô Soares entrevistou a atriz Alice Braga em seu programa e ganhou dela a nova edição de On the Road com a capa de Na Estrada. No filme, Alice vive Terry, uma catadora de algodão mexicana que se envolve com Sal Paradise. O esperado filme com direção de Walter Salles é baseado na obra de Jack Kerouac e estreia hoje – 13 de julho – no Brasil. Alice é a única brasileira no elenco.

Proust na estrada

“A obra do escritor não é senão uma espécie de instrumento óptico que ele oferece ao leitor a fim de lhe permitir discernir o que, sem aquele livro, ele talvez não tivesse visto em si mesmo.” A frase é de Marcel Proust, escritor francês nascido em 10 de julho de 1871, em meio aos bombardeios da Guerra Franco-Prussiana. E talvez ela dê uma pista dos motivos que fazem com que, geração após geração, Proust continue sendo cultuado entre os leitores do mundo inteiro. Muitos são aqueles que dizem ter encontrado, nas palavras “proustianas”, uma espécie de espelho da alma. Jack Kerouac, por exemplo, costumava carregar consigo um exemplar de “No caminho de Swann”. Dizia que era uma espécie de talismã. Em seu livro On the road, ele cita Proust algumas vezes:    

“Ela estava parada na penumbra do nosso quarto e sala com um sorriso esquisito. Falei milhares de coisas para ela quando de repente senti uma quietude estranha no quarto e vi um livro gasto em cima do rádio. Sabia que era o eternamente sagrado e crepuscular Proust, de Dean.”   

“Mas é claro, Sal, que em breve já poderei falar tanto quanto sempre e, na verdade, tenho muitas coisas para te dizer e com essa minha cabecinha pancada, tenho lido e relido esse Proust doidão, o trajeto inteiro através da nação, sacando milhares de coisas que nunca tenho tempo para te contar…”   

Em Na estrada, adaptação de On the road para o cinema, com direção de Walter Salles, um exemplar de “No caminho de Swann”, primeiro dos sete volumes de “Em busca do tempo perdido”, aparece em cena com frequência.   

Kristen Stewart lê Proust em uma das cenas de "Na estrada", filme baseado no livro de Jack Kerouac

Coincidência ou não, este desenho feito pelo próprio Proust mostra que ele também tinha amor pela estrada:   

Um desenho apressado feito por Marcel Proust

A Coleção L&PM Pocket publica Um amor de Swann, a segunda e autônoma parte de No caminho de Swann  

As anotações no roteiro de “On the Road”

A Revista Trois Couleurs, que foi distribuida durante o Festival de Cannes, é uma verdadeira preciosidade para os amantes dos beats. Editada pela Mk2, produtora do filme On the Road (“Sur la Route” na França e “Na Estrada” no Brasil) ela traz, em suas 240 primorosas páginas, um “quem é quem” dos personagens, uma cronologia que mostra até os antepassados de Jack Kerouac, muitas fotos, documentos, desenhos, música e detalhes sobre o filme dirigido por Walter Salles como croquis e anotações no roteiro. Nestas anotações, feitas pelo diretor, há até algumas escritas em português. “Muito bom isso vai antes da morte do pai” escreveu ele junto a uma locução em off de Sal Paradise, que aparece logo no início do roteiro.

A capa da Revista "Trois", uma preciosidade que temos aqui na editora.

Uma das anotações de Walter Salles está escrita em português - Clique sobre a imagem para ampliá-la

Mais anotações. "Excellent star" escreveu o diretor ele no roteiro de José Rivera

Mais duas páginas cheias de comentários

O roteirista portorriquenho José Rivera, que também trabalhou com Walter Salles em “Diários de Motocicleta” fez várias versões de roteiros até chegar na final. Em alguns momentos, ele optou por seguir a descrição de Jack Kerouac em On the Road – o manuscrito original. Um das primeiras cenas do filme, por exemplo, mostra o enterro do pai de Sal Paradise e a locução em off diz “Encontrei Dean pela primeira vez não muito depois que meu pai morreu…”, enquanto no livro On the road – Pé na estrada a frase é “Encontrei Dean pela primeira vez não muito depois que minha mulher e eu nos separamos”.

O filme estreia no Brasil em 13 de julho.

“Meninos, eu vi” On the Road, o filme

*Por Paula Taitelbaum

Como diria Gonçalves Dias em I-Juca Pirama: “Meninos, eu vi”. Eu vi um filme verdadeiro, íntegro e profundo. Centrado na capacidade humana de ir em busca da sua essência. Ou de se distanciar dela. “Meninos, eu vi”. Eu vi um filme baseado em um livro, mas não escravizado por ele. Que escreve sua própria história não só com palavras, mas principalmente cores, ritmo, música e… silêncio. “Meninos, eu vi”. Eu vi um filme em que Garrett Hedlund recebe o espírito de Dean Moriarty/Neal Cassady e se entrega a ele como só os grandes atores são capazes de fazer. Como Viggo Mortensen, encarnando Old Bull Lee/William Burroughs, fez em cada sílaba sua. “Meninos, eu vi”. Eu vi o filme que eu não sabia que veria, que uma parte de mim nem esperava gostar, cujo trailer nem havia me empolgado. Mas que quando pegou a estrada não a abandonou jamais, honrando cada quilômetro percorrido por Jack e Neal, rodado com a paixão que só os amantes da obra original poderiam ter. “Meninos, eu vi”. Eu vi um filme sobre a sensação universal de ter vinte anos, que me fez chorar no final, assim que a voz do verdadeiro Jack ecoou no cinema e logo que as palavras dele tingiram a tela – I think of Dean Moriarty… “Meninos, eu vi”. Eu vi um filme que tem alma –  e nem importa se ela é beat. E que, em seus 140 minutos, passou a muitas milhas por hora sem negar carona aos que algum dia já se deixaram levar por On the road.

Garrett Hedlund como Dean Moriarty em um dos cartazes do filme que estreia no Brasil em 13 de julho de 2012

*Paula Taitelbaum e Eduardo Bueno (tradutor de On the Road) assistiram ao filme On the Road/Na estrada em uma sessão fechada, na sexta-feira, 15 de junho. Ambos adoraram. Eduardo também chorou no final.

“On the road” chega bem na Austrália

Depois da estreia mundial no Festival de Cannes, o filme “Na estrada/On the road” de Walter Salles foi recebido com entusiasmo também na Austrália, onde foi exibido pela primeira vez neste fim de semana, durante o Sydney Film Festival. Foram longos minutos de aplausos após a sessão e a imprensa local só confirmou o sentimento do público presente no State Theatre, na capital autraliana. Um dos jornais mais importantes do país, o The Sydney Morning Herald, classificou o filme como ”courageous, audacious and cutting-edge” (algo como “corajoso, audacioso e inovador”).

"On the road" estrou na Austrália no domingo, 10 de junho

As estreias mundo afora só nos deixam com ainda mais expectativa para a chegada do filme ao Brasil, marcada para o dia 17 de julho. Até lá, dá tempo de ler a nova edição de On the road com a imagem do cartaz do filme na capa.

O nosso “On the Road” na biblioteca de Kristen Stewart

A edição de On the Road da L&PM, com a capa do filme “Na Estrada”, foi ao Festival de Cannes, levada pela equipe de assessoria de imprensa do filme. E Kristen Stewart, que interpreta Marylou na produção dirigida por Walter Salles (e que ganhou fama como a Bella da Saga “Crepúsculo”) ganhou o seu. Para guardar de recordação, ela pediu para os colegas de elenco autografarem o seu livro. Kristen Stewart é fã da obra de Kerouac e diz que On the Road é seu livro favorito.

Kristen Stewart pedindo para o colega e amigo Garrett Hedlund autografar a edição de On the Road da L&PM

A vez de Kristen: aqui ela autografa um exemplar do nosso "On the Road"

Onde há fumaça… há literatura

Já não se fazem mais escritores como antigamente. Pelo menos não daqueles de cachimbo em punho (ou nos lábios). Acessório que já foi tão fundamental quanto a máquina de escrever, ele parece ter caído em desuso. Ou porque os escritores de hoje andam mais saudáveis. Ou porque a moda mudou. De uma forma ou de outra, que o cachimbo tem (ou tinha) estilo, isso é verdade. Jack Kerouac e seus companheiros que o digam…

Jack Kerouac

Georges Simenon

Hunter Thompson

Mark Twain

Raymond Chandler

William Faulkner

O press kit de “On the road” em Cannes

Quem entra no site oficial do Festival de Cannes 2012, que começa no dia 16 de maio, encontra um press kit de divulgação do filme “On the road/Na estrada”. São 66 páginas com a ficha completa dos atores, uma entrevista com o diretor Walter Salles, fotos e imagens do filme, informações sobre a adaptação do livro para a telona e várias curiosidades sobre a viagem que a equipe encarou para refazer a saga de Dean Moriarty, Sal Paradise e a encantadora Marylou. O filme será exibido pela primeira vez durante o Festival no dia 23 de maio e está concorrendo a Palma de Ouro (estamos torcendo por ele!).

No site de Cannes, o press kit é um pdf, mas nós montamos um flip para facilitar a leitura (clique sobre a imagem):

E em breve, chegará às livrarias uma nova edição do livro On the road, desta vez em formato convencional e com a imagem do poster do filme na capa.