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Última chamada para embarque no Titanic

segunda-feira, 16 maio 2011

Meu nome é Elizabeth Catherine Ford. Tenho 40 anos e sou esposa de Thomas W. S. Brown. Estou acompanhada de Thomas William Solomon Brown, meu marido, e de Edith E. Brown, minha filha de 15 anos. Viajo numa cabide de segunda classe e vamos para Seattle, onde Thomas pretende encontrar sucesso nos negócios. Meu ticket é o número 29750 e, no dia 10 de abril de 1912, subi a bordo do Titanic. Ainda não sei se sobrevivi.

Ao embarcar em Titanic: a Exposição. Objetos Reais, Histórias Reais, tornei-me Elizabeth, uma das passageiras que estiveram no mais célebre navio da história. Não escolhi ser ela: a funcionária que estava na estrada da exposição entregou-me, aleatoriamente, um cartão de embarque com esse nome.

Entro e encontro frases na parede, fotos da construção do navio, a música que embala os passageiros mais ricos, as histórias de muitos personagens reais e vários objetos resgatados do fundo do mar depois de ficarem mais de setenta anos adormecidos na escuridão oceânica. Felizmente, a exposição não está lotada e viajo em cada um dos objetos. Descubro que existia uma enorme sala de ginástica para os privilegiados da primeira classe. E que as mais luxuosas cabines custavam o que hoje seria 103 mil dólares. 103 mil dólares! Outra descoberta é o fato de que muitos dos passageiros da terceira classe embarcaram no Titanic por causa da greve dos carvoeiros. Como os navios menores cancelaram suas partidas, eles foram rearranjados. 

Há óculos, canetas, roupas, carteiras, moedas, louças, porcelanas, metais, cartas, cartões postais, botões, sinos, suspensório, talheres, cachimbos, jóias, o pedaço de um banco, um balde, vidros de perfumes intactos que ainda exalam seus perfumes… Há isso e muito mais: história, lembranças, fantasmas. 

Há um iceberg fake, um bote em tamanho real projetado no chão, muitos vídeos.  Mas o que realmente me toca é poder encostar meus dedos em um pedaço do casco do Titanic. O mesmo casco frio que chocou-se contra o bloco de gelo, o mesmo casco duro que não resistiu, o mesmo casco liso que escorregou para o fundo. 

A viagem já está quase no final. A parede exibe a lista de todos os passageiros. Os que viveram e os muitos que se foram. Procuro meu nome. Vejo que sobrevivi. (Paula Taitelbaum)

O meu cartão de embarque no Titanic

Titanic: A exposição fica até o dia 22 de maio no BarraShoppingSul em Porto Alegre e depois segue para Curitiba e Brasília. A empresa responsável pelo espólio do navio, a RMS Titanic, Inc. conta com um acervo de mais de 5,5 mil peças do Titanic, em exibição permanente em Las Vegas (EUA). 

E para os que querem saber ainda mais sobre o Titanic, ou para quem não puder ver a exposição, fica a sugestão de ler O crepúsculo da arrogância, de Sergio Faraco. Em 216 páginas, Faraco relata a combinação de erros, a pretensão, a arrogância e a desinformação que resultou na tragédia mais improvável do início do século XX.