﻿{"id":9964,"date":"2011-08-05T10:32:54","date_gmt":"2011-08-05T13:32:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=9964"},"modified":"2011-08-05T10:59:36","modified_gmt":"2011-08-05T13:59:36","slug":"pietro-maria-bardi-duas-ou-tres-coisas-que-sei-dele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=9964","title":{"rendered":"Pietro Maria Bardi, duas ou tr\u00eas coisas que sei dele"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Jacob Klintowitz*<\/em><\/p>\n<p><strong>Pietro Maria Bardi \u00e9 um her\u00f3i brasileiro. Ele comandou a forma\u00e7\u00e3o do melhor acervo de arte ocidental da Am\u00e9rica do Sul. Ele comandou a cria\u00e7\u00e3o do MASP, o primeiro museu em moldes contempor\u00e2neos do Brasil. Hoje, o acervo do MASP vale bem mais de um bilh\u00e3o de d\u00f3lares. Bardi foi esta raridade da nossa vida p\u00fablica: deu lucro ao pa\u00eds. E nos ensinou muito. Eu sinto saudades do nosso conv\u00edvio.\u00a0Abaixo, minha mat\u00e9ria sobre ele, publicada\u00a0\u00a0na revista \u201cIt\u00e1lia em S\u00e3o Paulo 2011\u201d:<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_9993\" style=\"width: 249px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/bardicezanne.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9993\" class=\"size-full wp-image-9993 \" title=\"bardicezanne\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/bardicezanne.jpg\" alt=\"\" width=\"239\" height=\"268\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9993\" class=\"wp-caption-text\">Pietro Maria Bardi com um C\u00e9zanne<\/p><\/div>\n<p>O rosto era vertical, com tra\u00e7os fortes e recortados de maneira brusca. Parecia ter sido desenhado por um escultor. Um esbo\u00e7o feito \u00e0s pressas, sem muito tempo para detalhes, pois o que interessava era o volume e as \u00e1reas de incis\u00e3o. Quando ria, os olhos e a boca se al\u00e7avam em forma de letra \u201cV\u201d e acentuavam a verticalidade interna do volume. Caminhava de maneira decidida, r\u00e1pido, os bra\u00e7os soltos, num movimento impulsivo em dire\u00e7\u00e3o ao alvo. Numa \u00e9poca de indecis\u00f5es, incertezas, opini\u00f5es matizadas de infinitas alternativas, Pietro Maria Bardi parecia n\u00e3o ter d\u00favidas e dizia rapidamente as suas opini\u00f5es, sempre curtas e diretas. Certamente eram os olhos, brilhantes e expressivos, ornados por grossas sobranceiras, que lhe davam a apar\u00eancia ir\u00f4nica. De alguma maneira lembrava um fauno, com a sua voluntariedade, certeza instintiva e objetividade. Mas os faunos, ao que me consta, n\u00e3o eram dotados de ironia e senso de humor.<\/p>\n<p>Pietro Maria Bardi foi um dos mais fascinantes personagens da arte brasileira, dotado de extraordin\u00e1ria capacidade de a\u00e7\u00e3o, decisivo na forma\u00e7\u00e3o do melhor acervo de arte da Am\u00e9rica do Sul, homem de paix\u00f5es, pol\u00eamico, generoso, e administrador cuidadoso e detalhista. Tudo via, sabia e controlava. Mais de uma vez me levou a visitar o Museu de Arte Brasileira, MASP, a sua suprema realiza\u00e7\u00e3o, \u00e0s 7h00. Percorria imediatamente todas as depend\u00eancias, incluindo os banheiros. Eu indaguei, numa ocasi\u00e3o, sobre este procedimento:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Bardi, nesta altura da vida, com quase oitenta anos, com tantas responsabilidades altas e urgentes, n\u00e3o caberia delegar esta fun\u00e7\u00e3o, a de inspecionar banheiros, a um funcion\u00e1rio?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>&#8211; Jacob, eles precisam saber que todos os dias eu vou verificar tudo. No dia em que eu n\u00e3o fizer isto, os banheiros deixar\u00e3o de ser t\u00e3o limpos.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bardi era um descrente da vida social, sempre me dizia que n\u00e3o valia \u00e0 pena, tinha imenso t\u00e9dio com jantares, conversas descomprometidas, roupas da moda \u2013 Bardi comprava as suas roupas em lojas de departamento e em supermercados \u2013 e frivolidade. At\u00e9 o esnobismo de alguns pretensos conhecedores de vinhos, o aborrecia. Estabeleceu para si mesmo um hor\u00e1rio r\u00edgido e fez todos saberem disto. Deitava \u00e0s 21h00 e acordava \u00e0s 4h00. Na maioria dos dias, \u00e0s 6h00, j\u00e1 estava na sua galeria, a Mirante das Artes, na rua Estados Unidos. Costumava estar no museu antes da 8h00. Com esta vida asc\u00e9tica e dedicada ao trabalho, n\u00e3o tolerava atrasos. Um dos mais humildes funcion\u00e1rios do MASP vinha, de maneira sistem\u00e1tica, chegando tarde. A desculpa era sempre a mesma: dificuldades com o tr\u00e2nsito e o transporte coletivo, j\u00e1 deficiente \u00e0quela \u00e9poca. Bardi chamou a aten\u00e7\u00e3o do funcion\u00e1rio e disse que lhe descontaria no sal\u00e1rio os seguidos atrasos. No outro dia chamou o faltoso e lhe deu de presente uma bicicleta. E manteve o desconto na folha salarial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todos os personagens que conheci no universo das artes o olhar mais fulminante, imediato, decifrador, foi de Pietro Maria Bardi. Ele tinha este dom misterioso de saber de pronto, sem passar pelo m\u00e9todo dedutivo. E n\u00e3o era um saber titubeante, mas uma convic\u00e7\u00e3o que desafiava qualquer d\u00favida. Era como se ele estivesse em contato permanente com o inconsciente, este oceano de saber que nos \u00e9 vedado, em boa parte, pelo consciente. Esta maneira particular de ir direto para o conhecimento, o resultado, o desnudamento, servia ao Bardi para praticamente tudo: escolha de amigos, sele\u00e7\u00e3o de artistas para o museu, autentica\u00e7\u00e3o de obras de arte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certa vez um amigo meu, Darcy Barros, despachante de alto gabarito na \u00e1rea de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o, esportista e amigo das artes, desejava um encontro com Bardi e n\u00e3o conseguia ser recebido. Darcy Barros estava em d\u00favida entre comprar ou n\u00e3o uma pequena pintura de Pablo Picasso e tinha a informa\u00e7\u00e3o de que Bardi seria capaz de saber da autenticidade ou n\u00e3o da pintura. Ajudei-o a marcar o encontro. Antes de tudo, Bardi lhe fez saber que n\u00e3o cobraria pelo trabalho, mas que aceitaria doa\u00e7\u00e3o ao MASP. Eu prevenira ao amigo que n\u00e3o deveria ocupar demais o tempo do \u201cprofessor\u201d, que evitasse a in\u00fatil contesta\u00e7\u00e3o. Pois bem, Darcy Barros ainda n\u00e3o terminara de desembrulhar totalmente a pintura, vista em tr\u00eas quartos de sua superf\u00edcie e j\u00e1 recebeu o veredicto: falsa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naturalmente o meu amigo recorreu a outras fontes, desta vez, com fundamentos cient\u00edficos, an\u00e1lises com luzes especiais, conhecimento da linha hist\u00f3rica de propriet\u00e1rios da obra, etc, e, ao final, o resultado foi o mesmo. Era um falso Picasso.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\n<div id=\"attachment_9995\" style=\"width: 351px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/o_estudante_camille_roulin.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9995\" class=\"size-full wp-image-9995  \" title=\"o_estudante_camille_roulin\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/o_estudante_camille_roulin.jpg\" alt=\"\" width=\"341\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/o_estudante_camille_roulin.jpg 426w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/o_estudante_camille_roulin-255x300.jpg 255w\" sizes=\"auto, (max-width: 341px) 100vw, 341px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9995\" class=\"wp-caption-text\">&quot;Estudante - Camille Roulin&quot;, de Van Gogh, \u00e9 um dos tesouros do MASP<\/p><\/div>\n<p>O acervo de arte ocidental do MASP \u00e9 o melhor da Am\u00e9rica do Sul. Pietro Maria Bardi era um marchand bem relacionado no per\u00edodo anterior \u00e0 Segunda Guerra Mundial e sabia onde estavam as obras, quem eram os propriet\u00e1rios, valores de mercado e era um ex\u00edmio comerciante. Sabia vender e sabia, principalmente, comprar. Os pre\u00e7os estavam aviltados na Europa de p\u00f3s-guerra, e Bardi, com a ajuda do jornalista Assis Chateaubriand, criador do MASP, ia comprando preciosidades. Por fim, esse acervo que hoje, em termos pessimistas, \u00e9 avaliado entre um bilh\u00e3o e meio de d\u00f3lares \u00e0 dois bilh\u00f5es de d\u00f3lares, necessitava ser pago. Boa quantidade das obras haviam sido compradas a cr\u00e9dito. Com a ajuda do embaixador Walter Moreira Salles, Assis Chateaubriand e Pietro Maria Bardi encontraram-se com David Rockefeller, banqueiro americano. Chateaubriand explicava o museu, o Brasil, a for\u00e7a de sua cadeia jornal\u00edstica, a for\u00e7a da nossa economia. Bardi mostrava as fotos das obras, a sua hist\u00f3ria, os antigos propriet\u00e1rios, o seu valor futuro. Eles conseguiram quase o imposs\u00edvel, um empr\u00e9stimo de U$ 4.000.000,00, na \u00e9poca uma quantia imensa. Chateaubriand assinou o empr\u00e9stimo e Pietro Maria Bardi foi o avalista. No retorno ao Brasil, no avi\u00e3o, o jornalista dormia tranq\u00fcilo e Bardi estava inquieto. Num momento dado Bardi perguntou ao jornalista como fariam para saldar uma divida t\u00e3o grande. Chateaubriand declarou com simplicidade: \u201cEu jamais vou pagar esta d\u00edvida\u201d. Disse isto e voltou a dormir. Bardi, o avalista, n\u00e3o dormiu at\u00e9 chegar no Brasil.<\/p>\n<p>Mais tarde, no governo Juscelino Kubitschek a d\u00edvida foi repassada para a Caixa Econ\u00f4mica Federal e, no per\u00edodo militar, o Ministro Jarbas Passarinho, perdoou o restante da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 50 houve uma mobiliza\u00e7\u00e3o contra o museu, o acervo e o seu diretor. Diziam que Pietro Maria Bardi fizera um museu de falsos. Naturalmente o museu sofria por duas raz\u00f5es \u00f3bvias. A primeira delas era a imensa quantidade de inimigos do jornalista Assis Chateaubriand, dono da maior rede de jornalismo do pa\u00eds. O MASP herdou as inimizades do jornalista, seu criador, e boa parte destes inimigos eram jornais concorrentes. A outra raz\u00e3o, mais dura do que a primeira, era feita deste pecado capital, a inveja. Estas duas raz\u00f5es fundamentais, aliadas ao sentimento do colonizado, criaram a d\u00favida: como o Brasil poderia ter estas obras-primas?<\/p>\n<p>Em 1953, Pietro Maria Bardi cansado desta guerra provinciana manteve contato com o seu amigo German Bazin, na \u00e9poca Diretor do Museu do Louvre. Acertaram uma exposi\u00e7\u00e3o do acervo do MASP que foi realizada, em Paris, no Museu de L\u2019Orangerie. A mostra foi inaugurada com a presen\u00e7a do presidente da rep\u00fablica, Vincent Auriol, que governou a Fran\u00e7a entre 1947 e 1954.<\/p>\n<p>Dois dias antes Bardi ligou para Chateaubriand e lhe comunicou que Vicent Auriol, Presidente da Quarta Rep\u00fablica, inauguraria a mostra. O jornalista prometeu estar l\u00e1 para receber o presidente, mas n\u00e3o apareceu e Bardi recepcionou sozinho o Presidente e lhe mostrou detalhadamente o acervo, ressaltando as pe\u00e7as que tinham sido adquiridas de cole\u00e7\u00f5es francesas. No outro dia:<\/p>\n<p>Bardi relata os acontecimentos, Chateaubriand lhe disse:<\/p>\n<p><em>&#8211; Professor, eu n\u00e3o fui, porque pensei que era uma piada, uma brincadeira, uma blague.<\/em><\/p>\n<p>Pietro Maria Bardi, espantado, respondeu:<\/p>\n<p><em>&#8211; Mas Dr. Chateaubriand, eu faria piada com o presidente da Fran\u00e7a?<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_9983\" style=\"width: 370px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/bardi2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-9983\" class=\"size-full wp-image-9983 \" title=\"bardi2\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/bardi2.jpg\" alt=\"\" width=\"360\" height=\"508\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/bardi2.jpg 450w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/08\/bardi2-212x300.jpg 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-9983\" class=\"wp-caption-text\">Pietro Maria Bardi ao lado da est\u00e1tua de Assis Chateaubriand<\/p><\/div>\n<p><em>\u00a0* Jacob Klintowitz \u00e9 escritor, cr\u00edtico de arte e teve o privil\u00e9gio de ser amigo de Pietro Maria Bardi.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Jacob Klintowitz* Pietro Maria Bardi \u00e9 um her\u00f3i brasileiro. 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