﻿{"id":9856,"date":"2011-07-29T18:27:47","date_gmt":"2011-07-29T21:27:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=9856"},"modified":"2011-07-29T18:27:47","modified_gmt":"2011-07-29T21:27:47","slug":"o-reencontro-das-virgens-de-leonardo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=9856","title":{"rendered":"O reencontro das virgens de Leonardo"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Em abril de 1483, ou seja, um ano ap\u00f3s sua chegada [em Mil\u00e3o], consegue finalmente uma encomenda s\u00e9ria, por interm\u00e9dio de Ambrogio e Evangelista Predis. Trata-se do famoso ret\u00e1bulo da <em>Virgem dos Rochedos<\/em>. (&#8230;)\u00a0<\/p>\n<p>Em vez de prender-se ao tradicional grupo est\u00e1tico de uma Virgem com o Menino cercada de anjos e profetas, ele se lan\u00e7a na representa\u00e7\u00e3o de uma antiga lenda que imagina o encontro do Menino Jesus com o jovem Jo\u00e3o Batista em pleno deserto. Lenda bastante iconoclasta, embora at\u00e9 o momento ningu\u00e9m se inquiete com ela. Essa encena\u00e7\u00e3o audaciosa, quase her\u00e9tica, permite a Leonardo pintar uma fabulosa paisagem de rochedos e maci\u00e7os, a ponto de fazer dela o principal ator em cena, carregando-a de valor simb\u00f3lico como no mito da caverna. A Imaculada funde-se com a maternidade virginal, o interior e o exterior se alternam em ambientes densos e \u00famidos, jogos de luz artificial mostram as trevas como uma luva virada pelo avesso. &#8220;O \u00fatero da terra que revelaria o mist\u00e9rio das for\u00e7as vitais em suas cavidades percorridas pelas \u00e1guas fundadoras&#8230;&#8221;, assim Leonardo percebe sua <em>Virgem dos Rochedos<\/em>.\u00a0<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o seja o primeiro a pintar madonas dessacralizadas &#8211; foi Filippo Lippi quem primeiro tratou a Virgem como mulher carnal, sensual e at\u00e9 mesmo excitante &#8211; Leonardo oferece a Maria o amor materno e a ansiedade que sempre o acompanham. Torna-a familiar, comovente e muito jovem, com aquele incr\u00edvel sorriso misterioso que flutua sobre seu turbulento filho. Suas madonas v\u00e3o servir de modelo aos pintores dos s\u00e9culos vindouros. (&#8230;)\u00a0<\/p><\/blockquote>\n<p>O trecho acima\u00a0est\u00e1 no<span style=\"color: #000000;\">\u00a0<\/span>livro <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=638453&amp;ID=547705\" target=\"_blank\">Leonardo da Vinci<\/a><\/em>, de Sophie Chauveau (S\u00e9rie Biografias L&amp;PM) e ganha destaque aqui porque, ontem, 28 de julho,\u00a0foi anunciado no peri\u00f3dico brit\u00e2nico\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/artanddesign\/jonathanjonesblog\/2011\/jul\/28\/leonardo-virgin-on-rocks-national\" target=\"_blank\">The Guardian<\/a><\/em>\u00a0que o quadro em quest\u00e3o, <em>Virgem dos Rochedos <\/em>vai estar exposto ao lado de outro quadro de Leonardo da Vinci chamado&#8230; <em>Virgem dos Rochedos<\/em>.\u00a0\u00c9 isso mesmo que voc\u00ea leu: duas telas de mesmo nome, pintadas pelo mesmo\u00a0g\u00eanio, v\u00e3o estar finalmente juntas num mesmo museu.\u00a0\u00a0Esclarecendo: da Vinci pintou\u00a0duplamente a mesma cena descrita no in\u00edcio deste post. A primeira\u00a0n\u00e3o s\u00f3 foi negada pelo mecenas que a encomendou como Leonardo foi obrigado a pintar uma <em>Virgem dos rochedos <\/em>mais &#8220;conveniente&#8221;.\u00a0Veio da\u00ed a\u00a0segunda (que n\u00e3o se sabe ao certo em que ano foi finalizada),\u00a0levemente diferente da original, em que\u00a0Jo\u00e3o Batista\u00a0ganhou um crucifixo para que as pessoas conseguissem identific\u00e1-lo.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/as_virgens_da_vinci.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9865\" title=\"as_virgens_da_vinci\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/as_virgens_da_vinci.jpg\" alt=\"\" width=\"437\" height=\"353\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/as_virgens_da_vinci.jpg 749w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/as_virgens_da_vinci-300x242.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A primeira vers\u00e3o\u00a0est\u00e1 no Louvre, em Paris,\u00a0e a segunda na National Gallery de Londres. Mas agora, gra\u00e7as \u00e0\u00a0aguardada exposi\u00e7\u00e3o &#8220;Leonardo da Vinci: Painter at the Court of Milan&#8221;, que come\u00e7a em novembro,\u00a0o museu frances vai emprestar a sua\u00a0<em>Virgem <\/em>para o museu ingl\u00eas\u00a0para que\u00a0ambas\u00a0possam ficar lado a lado e o p\u00fablico tenha a chance de compar\u00e1-las. Uma esp\u00e9cie de &#8220;jogo dos sete erros&#8221; para os amantes das belas artes <em>(que voc\u00ea at\u00e9 pode tentar fazer aqui, clicando na imagem acima para aument\u00e1-la).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em abril de 1483, ou seja, um ano ap\u00f3s sua chegada [em Mil\u00e3o], consegue finalmente uma encomenda s\u00e9ria, por interm\u00e9dio de Ambrogio e Evangelista Predis. Trata-se do famoso ret\u00e1bulo da Virgem dos Rochedos. 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