﻿{"id":9548,"date":"2011-07-20T09:53:35","date_gmt":"2011-07-20T12:53:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=9548"},"modified":"2011-07-20T10:03:40","modified_gmt":"2011-07-20T13:03:40","slug":"cronicas-das-cronicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=9548","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas das Cr\u00f4nicas"},"content":{"rendered":"<p>O Segundo Caderno do <em>Jornal Zero Hora<\/em> de hoje, 20 de julho, traz duas cr\u00f4nicas que falam de livros de cr\u00f4nicas: David Coimbra escreve sobre &#8220;<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=847372&amp;ID=172283\" target=\"_blank\">Feliz por Nada<\/a>&#8221; de Martha Medeiros e Fabr\u00edcio Carpinejar sobre &#8220;<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=647372&amp;ID=092515\" target=\"_blank\">A massagista japonesa<\/a>&#8221; de Moacyr Scliar. A seguir, os textos na \u00edntegra:<\/p>\n<p><strong>MARTHA MEDEIROS: SINCERA E RETA<\/strong><br \/>\n<strong><em>Por David Coimbra*<\/em><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=607705\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-9557\" title=\"Feliz_por_nada_baixa\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Feliz_por_nada_baixa-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Feliz_por_nada_baixa-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Feliz_por_nada_baixa.jpg 512w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/>Martha Medeiros <\/a>escreve para as mulheres. Os leitores em geral dizem isso, e \u00e9 compreens\u00edvel que digam. Porque o texto da Martha Medeiros \u00e9 um texto suave, direto, sincero, livre de inten\u00e7\u00f5es subjacentes, um texto que pode ser lido sem sobressaltos ao se trinchar uma fatia de p\u00e3o com manteiga no caf\u00e9 da manh\u00e3, ou entre um telefonema e outro na mesa do escrit\u00f3rio. N\u00e3o h\u00e1 perigo de voc\u00ea se indignar, ao ler um texto da Martha Medeiros. Voc\u00ea n\u00e3o vai atirar o jornal na lata de lixo, nem ligar para cancelar a assinatura. Tamb\u00e9m n\u00e3o vai ter de repisar uma frase para compreend\u00ea-la. Os sentimentos e ressentimentos da vida urbana, as vicissitudes comezinhas e pequenas gl\u00f3rias da exist\u00eancia moderna, isso tudo est\u00e1 cintilando nos textos da Martha Medeiros, mas cintilando sem agressividade e com objetividade. Como s\u00e3o as mulheres. Pegue o livro que a Martha Medeiros vai lan\u00e7ar sexta-feira na Saraiva do Shopping Moinhos, &#8220;<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=847372&amp;ID=172283\" target=\"_blank\">Feliz por Nada<\/a>&#8220;, da L&amp;PM. O livro j\u00e1 anuncia suas inten\u00e7\u00f5es no t\u00edtulo. Desde que foi \u201cdescoberta\u201d por Zero Hora, h\u00e1 18 anos, Martha Medeiros escreve sobre a felicidade corriqueira e suas possibilidades. Pegue agora, aleatoriamente, a abertura de algumas cr\u00f4nicas:<\/p>\n<p>\u201cOnde \u00e9 que voc\u00ea gostaria de estar agora, nesse exato momento?\u201d<br \/>\n\u201cTenho amigas de f\u00e9. Muitas.\u201d<br \/>\n\u201cEstou lendo \u2018O quebra-cabe\u00e7a da sexualidade\u2019, do professor espanhol Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Marina.\u201d<br \/>\n\u201cEu estava quieta, s\u00f3 ouvindo. \u00c9ramos eu e mais duas amigas numa mesa de restaurante e uma delas se queixando, pela trig\u00e9sima vez, do seu namoro ca\u00f3tico, dizendo que n\u00e3o sabia por que ainda estava com aquele sequelado etcetera, etcetera.\u201d<br \/>\n\u201cQuando eu era guria, adorava novela, mas aos poucos fui abandonando o v\u00edcio e hoje assisto apenas uma ou outra, sem fissura.\u201d<br \/>\n\u201cVoc\u00ea gostaria de ter um amor que fosse est\u00e1vel, divertido e f\u00e1cil.\u201d<br \/>\n\u201cTem se falado muito na falta de limites das crian\u00e7as de hoje.\u201d<\/p>\n<p>Basta correr os olhos pelas primeiras frases de um texto da Martha Medeiros para perceber que ela est\u00e1 se colocando inteira entre a capitular e o ponto final. Martha Medeiros n\u00e3o se esconde, abre-se para o leitor. Ela \u00e9 sincera e reta, n\u00e3o h\u00e1 dissimula\u00e7\u00f5es entre v\u00edrgulas, n\u00e3o h\u00e1 o que ler nas entrelinhas. E \u00e9 precisamente, justamente, exatamente essa precisa, justa e exata sinceridade que faz da Martha Medeiros um sucesso. As pessoas bebem dessa exposi\u00e7\u00e3o de sentimentos comuns e se saciam com sua l\u00edmpida simplicidade. O resultado disso \u00e9 a bem-aventuran\u00e7a da carreira liter\u00e1ria de Martha Medeiros num pa\u00eds de desventuras liter\u00e1rias. Martha Medeiros j\u00e1 teve obras adaptadas para o cinema, para a TV e para o teatro, e \u00e9 admirada no Brasil inteiro. Apenas um dado, em n\u00fameros precisos, justos e exatos como o texto da Martha Medeiros: Doidas e Santas, outro livro lan\u00e7ado pela L&amp;PM, est\u00e1 na quinta reimpress\u00e3o de 20 mil exemplares cada. Ou seja: j\u00e1 vendeu 100 mil exemplares. Uma fa\u00e7anha. O que demonstra que os leitores est\u00e3o errados. Martha Medeiros n\u00e3o escreve para as mulheres. Martha Medeiros escreve para as pessoas.<\/p>\n<p><em>* Esta cr\u00f4nica foi publicada originalmente no Segundo Caderno do Jornal Zero Hora em 20 de julho de 2011. David Coimbra \u00e9 escritor, jornalista e editor de esportes de ZH.<\/em><\/p>\n<p>Martha Medeiros\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805133&amp;SecaoID=816261&amp;SubsecaoID=935305&amp;Template=..\/artigosnoticias\/user_exibir.asp&amp;ID=191536\" target=\"_blank\">autografa sexta-feira em Porto Alegre <\/a>a colet\u00e2nea de cr\u00f4nicas &#8220;Feliz por Nada&#8221;<\/p>\n<p><em>* * *<\/em><\/p>\n<p><strong>MOACYR SCLIAR: CONTOS DISFAR\u00c7ADOS DE CR\u00d4NICAS<\/strong><br \/>\n<em><strong>Por Fabr\u00edcio Carpinejar*<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"fonte\">\n<p><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=36\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-9559\" title=\"a_massagista_japonesa\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/a_massagista_japonesa-180x300.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/a_massagista_japonesa-180x300.jpg 180w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/a_massagista_japonesa-615x1024.jpg 615w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/a_massagista_japonesa.jpg 1261w\" sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/>Moacyr Scliar<\/a> (1937 \u2013 2011) foi um atleta de triatlo da literatura brasileira. Nadava, pedalava, corria. Escreveu mais de 80 livros em praticamente todos os g\u00eaneros. S\u00f3 n\u00e3o publicou em poesia para n\u00e3o humilhar seus colegas. Romancista que renovou o imagin\u00e1rio judaico, autor de cl\u00e1ssicos como <em>O Centauro no Jardim<\/em>, quatro vezes premiado com Jabuti, Scliar mantinha seu condicionamento liter\u00e1rio pelas cr\u00f4nicas, publicadas quase que diariamente nos jornais <em>Zero Hora<\/em> e <em>Folha de S. Paulo<\/em>. Os relatos afetivos e coloquiais formavam uma esp\u00e9cie de di\u00e1rio de seu conhecimento enciclop\u00e9dico, em que ele comentava sobre qualquer assunto e nome, desde medicina at\u00e9 sociologia, de Antonio Vieira a J. K. Rowling. O escritor ga\u00facho, falecido em fevereiro, n\u00e3o era um generalista, mas um s\u00e1bio \u00e0 moda antiga, com cultura geral s\u00f3lida, pronto para qualquer discuss\u00e3o e cafezinho.<\/p>\n<p>N\u00e3o se intimidava diante da complexidade das quest\u00f5es. Ao contr\u00e1rio de intelectuais que se tornaram refer\u00eancia, tal Paulo Francis na d\u00e9cada de 1980, jamais escorregou em perfil conservador, mantendo-se sempre curioso e \u00e1vido pelas mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas e de comportamento e aberto a diferentes pontos de vista.<\/p>\n<p>A colet\u00e2nea de 1984 <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=647372&amp;ID=092515\" target=\"_blank\">A Massagista Japonesa<\/a><\/em>, relan\u00e7ada agora pela L&amp;PM, por vias tortas acena para o lado contista de Scliar, possibilitando o reencontro com sua capacidade de mimetizar dilemas do cotidiano e propor um suspense de pensamento. S\u00e3o 35 textos de natureza h\u00edbrida entre a narrativa curta e o ensaio. Poderiam constar facilmente em seus livros de contos as tramas de &#8220;Muitos e Muitos Graus Abaixo de Zero&#8221;, &#8220;A Massagista Japonesa&#8221;, &#8220;O Ocaso da Dela\u00e7\u00e3o&#8221; e &#8220;O Homem que Corria&#8221;. O n\u00facleo cont\u00edstico traduz o ponto alto da obra, pelas hist\u00f3rias vis\u00edvel e invis\u00edvel, concis\u00e3o da a\u00e7\u00e3o e exagero da caracteriza\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do final imprevis\u00edvel.<\/p>\n<p>Scliar maneja a arte de criar l\u00f3gica da incoer\u00eancia. Ele nos convence do absurdo a ponto de parecer normal. Como a trama do advogado que se apaixona pela maratona a ponto de transformar o casamento, o escrit\u00f3rio e os filhos em meras linhas de chegada de uma corrida intermin\u00e1vel pelo melhor tempo. E n\u00e3o \u00e9 uma met\u00e1fora, o sujeito pretende fazer tudo mesmo correndo por Porto Alegre. Uma das virtudes da trajet\u00f3ria do ficcionista, demonstrada com ast\u00facia em &#8220;A Orelha de Van Gogh&#8221; e &#8220;O Carnaval dos Animais&#8221;, \u00e9 justamente exumar met\u00e1foras: converter par\u00e1bolas em situa\u00e7\u00f5es literais, objetivar o figurado. Na contram\u00e3o b\u00edblica, transforma o vinho em \u00e1gua, leva a s\u00e9rio a chuva de r\u00e3s, traz \u00e0 tona os efeitos colaterais dos milagres.<\/p>\n<p>Magistral contador de causos, flaubertiano assumido, n\u00e3o deixa nenhum ponto sem n\u00f3, nunca desperdi\u00e7a migalha jogada ao ch\u00e3o (\u00e9 caminho de volta), n\u00e3o despreza informa\u00e7\u00e3o abordada antes. Se uma personagem tricota um pul\u00f4ver \u00e9 que a roupa vai fazer a maior diferen\u00e7a no desfecho. Nada \u00e9 avulso. Sua compet\u00eancia \u00e9 desviar aten\u00e7\u00e3o a um contexto de maior movimenta\u00e7\u00e3o, para que outra zona exploda secretamente e surpreenda o leitor. Exemplo \u00e9 a antipatia que ajuda a alimentar pelo delator da escola. Afinal, n\u00e3o existe motivo para admirar o guri que dedura por prazer. Toda hora alerta o professor para colegas colando na prova, trocando bilhetes de amor, conversando no fundo. Nem o professor suporta tamanha alcaguetagem e pede que ele procure se concentrar no conte\u00fado. Ao cabo, o fofoqueiro \u00e9 pego fumando no banheiro e sumariamente expulso da institui\u00e7\u00e3o. O al\u00edvio d\u00e1 lugar a um mal-estar, j\u00e1 que se descobre que o pr\u00f3prio delator se denunciou por bilhete an\u00f4nimo e tudo aquilo que o movia era uma absoluta car\u00eancia.<\/p>\n<p>Scliar \u00e9 cruel sendo emotivo. Um engano supor que <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=647372&amp;ID=092515\" target=\"_blank\">A Massagista Japonesa<\/a><\/em> servir\u00e1 para matar saudade do seu trabalho. De modo nenhum: apenas aumenta sua falta.<\/p>\n<p><em>* Esta cr\u00f4nica foi publicada originalmente no Segundo Caderno do Jornal Zero Hora em 20 de julho de 2011. Fabr\u00edcio Carpinejar \u00e9 jornalista,\u00a0escritor, poeta, cronista e colaborador do Jornal Zero Hora.<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Segundo Caderno do Jornal Zero Hora de hoje, 20 de julho, traz duas cr\u00f4nicas que falam de livros de cr\u00f4nicas: David Coimbra escreve sobre &#8220;Feliz por Nada&#8221; de Martha Medeiros e Fabr\u00edcio Carpinejar sobre &#8220;A massagista japonesa&#8221; de Moacyr Scliar. 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