﻿{"id":9398,"date":"2011-07-14T16:34:14","date_gmt":"2011-07-14T19:34:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=9398"},"modified":"2011-07-14T16:34:14","modified_gmt":"2011-07-14T19:34:14","slug":"as-viagens-amorosas-de-bocage","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=9398","title":{"rendered":"As viagens amorosas de Bocage"},"content":{"rendered":"<p>Manuel Maria Barbosa du Bocage gostava de uma boa sacanagem. Mas n\u00e3o gostava s\u00f3 disto. Como bem coloca a doutora em literatura Jane Tutikian no pref\u00e1cio de <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=626470&amp;ID=847252\" target=\"_blank\">O del\u00edrio amoroso e outros poemas<\/a><\/em>, \u201cSe \u00e9 poss\u00edvel falar em um homem entre fronteiras, esse homem \u00e9 Bocage: o das anedotas sujas e cria\u00e7\u00f5es obscenas ao lado de poemas sens\u00edveis, plenos de confiss\u00f5es amorosas, amargura e sofrimento, e mais: um homem situado entre dois mundos, entre as regras r\u00edgidas de um Arcadismo decadente, refletindo um mundo racional, ordenado e concreto, e a liberdade de um Romantismo descendente, quando a literatura se abre \u00e0 individualidade e \u00e0 renova\u00e7\u00e3o. Bocage \u00e9 um homem do seu tempo e \u00e0 frente do seu tempo.\u201d<\/p>\n<p>Pois durante o tempo em que viveu, Bocage\u00a0mostrou ser\u00a0apaixonado pela vida, pelas palavras e, claro, pelas mulheres. E foi justamente porque uma delas partiu-lhe o cora\u00e7\u00e3o que ele deixou sua Portugal natal para aventurar-se por mares distantes. Em 1786,\u00a0Bocage embarcou rumo \u00e0 \u00cdndia no navio \u201cNossa Senhora da Vida, Santo Ant\u00f4nio e Madalena\u201d e levou no cora\u00e7\u00e3o sua namorada Gertrudes, a Gertr\u00faria de Arc\u00e1dia, respons\u00e1vel por dar um toque a mais de amor e amargura\u00a0a seus poemas \u2013 j\u00e1 que ela acabou trocando o poeta por seu irm\u00e3o Gil. No caminho para a \u00cdndia, entretanto, uma tormenta obrigou a nau em que ele viajava\u00a0a fazer uma escala no Rio de Janeiro. L\u00e1, Bocage foi recebido pelo governador Lu\u00eds de Vasconcelos e ficou alguns dias aproveitando as terras tropicais at\u00e9 partir novamente para Goa, onde acabaria vivendo por 28 meses. Se o Rio de Janeiro inspirou Bocage a criar algumas de suas piadas picantes e versos libidinosos, n\u00e3o sabemos. Mas \u00e9 dif\u00edcil pensar que a cidade carioca n\u00e3o o\u00a0tenha\u00a0 encantado.\u00a0<\/p>\n<p>Abaixo, um dos poemas dedicados \u00e0 Gertr\u00faria, que est\u00e1 em <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=626470&amp;ID=847252\" target=\"_blank\">O del\u00edrio amoroso e outros poemas<\/a><\/em>, livro que acaba de ser reeditado na Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET com nova capa, feita a partir de uma foto de Ivan Pinheiro Machado de \u201cPsych\u00e9 ranim\u00e9e par le baiser de l\u00b4Amor\u201d, escultura de Antonio Canova que est\u00e1 exposta no museu do Louvre em Paris.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/delirio_amoroso_NOVA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9405\" title=\"capa_del\u00edrio_amoroso_NO.indd\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/delirio_amoroso_NOVA-614x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"329\" height=\"547\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/delirio_amoroso_NOVA-180x300.jpg 180w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/delirio_amoroso_NOVA.jpg 1262w\" sizes=\"auto, (max-width: 329px) 100vw, 329px\" \/><\/a><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/delirio.jpg\"><\/a><\/p>\n<p>RECORDANDO-SE DA INCONST\u00c2NCIA DE GERT\u00daRIA<\/p>\n<p>Da p\u00e9rfida Gert\u00faria o juramento<br \/>\nParece-me que estou inda escutando.<br \/>\nE que inda ao som da voz suave e brando<br \/>\nEncolhe as asas, de encantado, o vento:<\/p>\n<p>No vasto, infatig\u00e1vel pensamento<br \/>\nOs mimos da perjura estou notando&#8230;<br \/>\nEis Amor, eis as Gra\u00e7as festejando<br \/>\nDos ternos votos o feliz momento.<\/p>\n<p>Mas ah!&#8230; Da minha r\u00e1pida alegria<br \/>\nPara que acendes mais as vivas cores,<br \/>\nLisonjeiro pincel da fantasia?<\/p>\n<p>Basta, cega paix\u00e3o, loucos amores;<br \/>\nEsque\u00e7am-se os prazeres de algum dia,<br \/>\nT\u00e3o belos, t\u00e3o dur\u00e1veis como as flores.<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manuel Maria Barbosa du Bocage gostava de uma boa sacanagem. 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