﻿{"id":9319,"date":"2011-07-12T10:41:45","date_gmt":"2011-07-12T13:41:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=9319"},"modified":"2012-12-05T18:18:14","modified_gmt":"2012-12-05T20:18:14","slug":"caio-fernando-abreu-e-millor-fernandes-falam-de-martha-medeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=9319","title":{"rendered":"Caio Fernando Abreu e Mill\u00f4r Fernandes falam de Martha Medeiros"},"content":{"rendered":"<p>Martha Medeiros \u2013 a poeta \u2013 teve dois padrinhos de respeito: <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=38\" target=\"_blank\">Caio Fernando Abreu<\/a> e <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=700032\" target=\"_blank\">Mill\u00f4r Fernandes<\/a>. Curiosamente ela foi se consagrar, popularmente, no texto. A cr\u00f4nica e a fic\u00e7\u00e3o fizeram de Martha uma \u201ccelebridade\u201d liter\u00e1ria. Seu livro <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=847372&amp;ID=649080\" target=\"_blank\">Doidas e Santas<\/a><\/em>, lan\u00e7ado em 2009, at\u00e9 hoje \u00e9 um fen\u00f4meno de vendas. <em>O Div\u00e3 <\/em>rendeu um filme muito elogiado e a pe\u00e7a baseada em <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=847372&amp;ID=649080\" target=\"_blank\">Doidas e Santas<\/a><\/em> est\u00e1 em cartaz at\u00e9 hoje e sempre \u00a0lotada. A poesia de Martha est\u00e1 dispon\u00edvel nos livros <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=626470&amp;ID=810747\" target=\"_blank\">Poesia reunida<\/a><\/em> e <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=626470&amp;ID=706483\" target=\"_blank\">Cartas extraviadas<\/a><\/em>. Vale a pena. Poesia \u00e9 um g\u00eanero que n\u00e3o vai para a lista dos bestsellers. Mas ler a boa poesia \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o inesquec\u00edvel. No caso de Martha, os \u00a0f\u00e3s que n\u00e3o conhecem sua poesia, n\u00e3o sabem o que est\u00e3o perdendo. Mill\u00f4r e Caio que o digam! <em>(IPM)<\/em><\/p>\n<blockquote><p>A poesia de Martha \u00e9 de c\u00e2mara. A poesia de Martha \u00e9 m\u00ednima, como \u00e9 m\u00ednimo o eu contempor\u00e2neo, confundido em sua identidade com mem\u00f3rias de filmes\u00a0<em>noir<\/em>, reflexos luminosos de neon, cores de\u00a0<em>out-door<\/em>, velocidade de videocassete &#8211; repert\u00f3rio rom\u00e2ntico retirado mais da enorme adega do imagin\u00e1rio coletivo do que da pr\u00f3pria vida. Nesse sentido, ela consegue dar voz a uma gera\u00e7\u00e3o inteira &#8211; essa que se movimenta, mais do que entre verdadeiras emo\u00e7\u00f5es, entre os clich\u00eas das emo\u00e7\u00f5es de um tempo, que pode tanto refletir os anos 40 quanto um futuro mais parecido com hist\u00f3rias em quadrinhos do que com sua possibilidade real.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Meia_Noite_e_um_quarto.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-9327 alignright\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"Meia_Noite_e_um_quarto\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Meia_Noite_e_um_quarto-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"160\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Meia_Noite_e_um_quarto-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Meia_Noite_e_um_quarto-683x1023.jpg 683w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Meia_Noite_e_um_quarto.jpg 1086w\" sizes=\"auto, (max-width: 160px) 100vw, 160px\" \/><\/a>Entre\u00a0<em>Casablanca<\/em>, Ingrid Bergman ao som de\u00a0<em>As Times Goes Bye<\/em>, e Harrison Ford ca\u00e7ando replicantes em\u00a0<em>Blade Runner<\/em>, \u00e9 que acontece essa poesia. Nos tempos de agora, plenos anos 80, onde o jantar \u00e0 luz de velas foi preparado num forno microondas, a gard\u00eania de Billie Holiday convive em paz com o disco-laser e o vestido longo de seda para dan\u00e7ar\u00a0<em>cheek to cheek<\/em> foi comprado num bom<em> free-shop <\/em>da moda. Com seu dom para recriar lugares-comuns, numa poesia que frequentemente gira em torno de frases feitas reelaboradas, neste\u00a0<em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=625470&amp;ID=905270\" target=\"_blank\">Meia-noite e um Quarto<\/a><\/em>, seu segundo livro, Martha Medeiros assume uma identidade inconfund\u00edvel na poesia brasileira seguindo, \u00e0 sua maneira, a trilha aberta por Ana Cristina C\u00e9sar.<\/p>\n<p>Extremamente sint\u00e9tica (quase nunca seus poemas ultrapassam poucos versos), com delicadeza, ironia e sofistica\u00e7\u00e3o, ela passeia pelas car\u00eancias, rela\u00e7\u00f5es e fantasias de um momento hist\u00f3rico que, por incluir nele mesmo v\u00e1rios outros tempos passados, n\u00e3o disp\u00f5e ainda de uma face pr\u00f3pria. Se \u00e9 verdade que a boa literatura sempre tem a fun\u00e7\u00e3o de ajudar a definir melhor a face do tempo em que foi escrita, n\u00e3o tenho a menor d\u00favida ao afirmar que a literatura de Martha, portanto, \u00e9 da melhor qualidade. Mas essa qualidade &#8211; a dos dias de hoje, p\u00f3s-modernos -, longe das sinfonias grandiloq\u00fcentes, est\u00e1 mais pr\u00f3xima de um solo de sax, um gemido de guitarra el\u00e9trica, dedilhar r\u00e1pido de piano ou sopro em flauta-doce. Que, talvez por esta singeleza e despretens\u00e3o tipo<em>new-bossa<\/em>, imediatamente cria no leitor a magia rara da identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A poesia de Martha acontece o tempo todo, do lado de dentro ou de fora da gente. Por ser poeta, ela consegue capt\u00e1-la e dar-lhe a mais sens\u00edvel e conempor\u00e2nea das formas. Ent\u00e3o comove. E segue o baile.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=38\" target=\"_blank\">Caio Fernando Abreu<\/a><br \/>\nMenino Deus, outubro de 1987<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<h3>Martha, \u00d4 Martha<\/h3>\n<p><em>Mill\u00f4r Fernandes<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Persona_non_grata.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-9332 alignright\" style=\"border: 1px solid black;\" title=\"Persona_non_grata\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Persona_non_grata-196x300.jpg\" alt=\"\" width=\"157\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Persona_non_grata-196x300.jpg 196w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Persona_non_grata-672x1024.jpg 672w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/Persona_non_grata.jpg 1076w\" sizes=\"auto, (max-width: 157px) 100vw, 157px\" \/><\/a>Martha Medeiros vem de novo, um terceiro livro. Gostei do anterior, uma revela\u00e7\u00e3o, pr\u00f3xima disso que o pessoal tem por bem chamar minimalista. Neste, <em>Persona Non Grata<\/em>, Martha repete a dose, nem melhor nem pior, apenas excelente.<\/p>\n<p>\u00c9 do tipo poesia sincera, a dela. Quero dizer, n\u00e3o inventada, mas feita de impress\u00f5es existenciais, pessoais, sentimentos que \u00e0s vezes nem se realizam sen\u00e3o no ato da apreens\u00e3o, e crescem no ato do registro. Isso mesmo, como num instant\u00e2neo fotogr\u00e1fico. O mocroinstante registrado na velocidade qu\u00edmica de 1600 ASA (*) nunca existiu na realidade que vivemos, nunca o vimos, mas \u00e9 o que permanece como (nossa) eternidade, guardada no fundo da gaveta.<\/p>\n<p>Tem mais; brincando, brincando, o que Martha mais faz \u00e9 poesia de amor. Tem mais ainda \u2013 \u00e9 absolutamente compreens\u00edvel, sobretudo para quem compreende.<\/p>\n<p>O que tem a dizer no fundo? Acho que \u00e9 \u2013 quem de n\u00f3s poder\u00e1 escolher alternativa, j\u00e1 nascido?<\/p>\n<p>Em resumo, antes que te chateie \u2013 das duas uma; ou a poesia morreu, ou a poesia e isso.<\/p>\n<p>E, claro, aquilo. Jo\u00e3o Cabral, Paulo Mendes Campos e Manoel de Barros est\u00e3o a\u00ed mesmo e n\u00e3o me deixam mentir.<\/p>\n<p>* Pros ignorantes de fotografia: \u00edndice num\u00e9rico de exposi\u00e7\u00e3o de um filme no sistema adotado pela American Standards Association , usado para indicar a sensibilidade \u00e0 luz \u00a0da emuls\u00e3o do filme. Mill\u00f4r \u00e9 cultura!<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Acaba de\u00a0chegar o\u00a0novo livro de cr\u00f4nicas de Martha Medeiros: <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=847372&amp;ID=172283\" target=\"_blank\">Feliz por nada<\/a><\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Martha Medeiros \u2013 a poeta \u2013 teve dois padrinhos de respeito: Caio Fernando Abreu e Mill\u00f4r Fernandes. Curiosamente ela foi se consagrar, popularmente, no texto. A cr\u00f4nica e a fic\u00e7\u00e3o fizeram de Martha uma \u201ccelebridade\u201d liter\u00e1ria. Seu livro Doidas e Santas, lan\u00e7ado em 2009, at\u00e9 hoje \u00e9 um fen\u00f4meno de vendas. 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