﻿{"id":9266,"date":"2011-07-10T09:00:46","date_gmt":"2011-07-10T12:00:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=9266"},"modified":"2011-07-08T17:40:55","modified_gmt":"2011-07-08T20:40:55","slug":"autor-de-hoje-marcel-proust","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=9266","title":{"rendered":"Autor de hoje: Marcel Proust"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/topo_proust.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9281\" title=\"topo_proust\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/topo_proust.jpg\" alt=\"\" width=\"457\" height=\"63\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/topo_proust.jpg 971w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/topo_proust-300x41.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 457px) 100vw, 457px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Paris, Fran\u00e7a, 1871 &#8211; \u2020 Paris, Fran\u00e7a, 1922<\/em><\/p>\n<p>Filho de m\u00e9dico, passou sua inf\u00e2ncia em Paris, em <em>Champs-Elys\u00e9es<\/em>, e as f\u00e9rias de ver\u00e3o em Illiers, sob os cuidados da fam\u00edlia. Estudou Direito em Paris, onde fundou a revista <em>O Banquete<\/em>, na qual publicou suas primeiras experi\u00eancias liter\u00e1rias. Freq\u00fcentou os sal\u00f5es da \u00e9poca, inspirando-se na alta burguesia e na aristocracia francesa para compor seus romances. Ap\u00f3s a morte dos pais, dedicou-se \u00e0 reda\u00e7\u00e3o do romance <em>Em busca do tempo perdido<\/em>, publicado entre 1913 e 1927, composto de sete partes. Opondo-se \u00e0 tem\u00e1tica realista, a obra de Proust registra a evoca\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria, capaz de reunir presente e passado em uma mesma sensa\u00e7\u00e3o. Relatada em primeira pessoa, ultrapassa a narrativa tradicional e realista atrav\u00e9s da introspec\u00e7\u00e3o e da observa\u00e7\u00e3o. Nela o autor procura demonstrar que o tempo da vida, que parece irremediavelmente perdido, se recupera por meio da obra de arte. Sua obra ampliou os rumos da literatura, contrariando o pensamento positivista dominante na passagem do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>OBRAS PRINCIPAIS: <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=816351&amp;ID=709062\" target=\"_blank\">No caminho de Swann<\/a><\/em>, 1913; <em>\u00c0 sombra das raparigas <\/em><em>em flor<\/em>, 1919; <em>O caminho de Guermantes I<\/em>, 1914; <em>O caminho <\/em><em>de Guermantes II<\/em>, 1922<em>; Sodoma e Gomorra<\/em>, 1922; <em>A prisioneira<\/em>, 1923; <em>A fugitiva<\/em>, 1925;<em> O tempo redescoberto<\/em>, 1927<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"text-decoration: underline;\">MARCEL PROUST por Tatata Pimentel<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Marcel Proust nasceu em 10 de julho de 1871 em Auteuil, arredores de Paris, em fam\u00edlia fugida das turbul\u00eancias revolucion\u00e1rias do centro da cidade. Filho de m\u00e3e judia, milion\u00e1ria e possessiva, Jeanne Weil, e de pai m\u00e9dico, famoso e autorit\u00e1rio, Adrian Proust. Sup\u00f5e-se que, em fun\u00e7\u00e3o dos traumas sofridos pela m\u00e3e durante a gesta\u00e7\u00e3o e o parto, a crian\u00e7a tenha nascido com uma asma incur\u00e1vel \u2013 tanto f\u00edsica quanto ps\u00edquica. Essa doen\u00e7a perseguir\u00e1 Proust at\u00e9 a sua morte, em 18 de novembro de 1922. Portanto, a sua vida coincide com o painel hist\u00f3rico narrado, que tem por t\u00edtulo geral <em>Em busca do tempo perdido<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Proust consegue publicar em vida: <em>No caminho de Swann<\/em>, em 1913; <em>O caminho de Guermantes I<\/em>, em 1914; <em>\u00c0 sombra das raparigas em flor<\/em>, em 1919; <em>O caminho de Guermantes II<\/em>, <em>Sodoma e Gomorra<\/em>, ambos em 1922. Neste mesmo, <em>sai Sodoma e Gomorra II<\/em>. Ap\u00f3s a morte de Proust, seu irm\u00e3o, Robert, tenta<em> <\/em>organizar seus cadernos de rascunhos e decifrar os bilhetes,<em> <\/em>colados nas folhas e contendo as id\u00e9ias de Proust para os volumes<em> <\/em>seguintes. Com esta tentativa, publicam-se: <em>A prisioneira<\/em>,<em> <\/em>em 1923; <em>A fugitiva<\/em>, em 1925; e, finalmente, em 1927, <em>O tempo <\/em><em>redescoberto<\/em>. O infind\u00e1vel trabalho para se chegar a um texto final de todos os romances que comp\u00f5em Em busca do tempo perdido s\u00f3 termina com a edi\u00e7\u00e3o definitiva, na cole\u00e7\u00e3o Pl\u00e9iade, organizada por Jean-Yves Tadi\u00e9, em quatro volumes, em 1987 \u2013 desautorizando todas as vers\u00f5es anteriores da obra m\u00e1xima de Proust. Obra esta interminada e intermin\u00e1vel. Quando Proust coloca a palavra fim, o faz durante a escritura do romance, e n\u00e3o ao finaliz\u00e1-lo. Essa narrativa \u00e9 um imenso painel da sociedade francesa que coincide com a vida do autor. Guerras, revolu\u00e7\u00f5es, manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas e, principalmente, o fim de uma aristocracia, paralelo ao surgimento de uma burguesia ostensiva. Emergidas exclusivamente atrav\u00e9s da mem\u00f3ria involunt\u00e1ria do autor, com um gole de ch\u00e1 de t\u00edlia e uma madeleine prensada contra o palato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas mem\u00f3rias saem, grosso modo, de tr\u00eas grupos sociais: o c\u00edrculo Guermantes, dos aristocratas, a ascens\u00e3o da burguesa madame Verdurin e as recorda\u00e7\u00f5es da inf\u00e2ncia em Combray. Com a famosa frase: \u201cDurante muito tempo, deitava- me cedo\u201d, o autor deslancha a recupera\u00e7\u00e3o do passado, das fobias da solid\u00e3o e da expectativa do beijo da m\u00e3e antes do adormecer \u2013 na casa de sua tia-av\u00f3 em Combray. A justificativa de um caminho que leva \u00e0 casa de Swann e outro que leva ao castelo dos Guermantes deve-se ao fato de que, saindo pela porta de frente da casa da tia, ia-se para a casa de Swann; saindo-se pelo port\u00e3o dos fundos, ia-se em dire\u00e7\u00e3o aos Guermantes. Essa oposi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica se realizar\u00e1 na obra de Proust quando a burguesia casa-se com a aristocracia. Os primeiros volumes de Em busca do tempo perdido s\u00e3o os mais lidos; h\u00e1 muito leitor derrotado pelas imensas descri\u00e7\u00f5es de sensa\u00e7\u00f5es do narrador, ao fio de todo o romance. Mas o princ\u00edpio \u00e9 extremamente f\u00e1cil, saboroso e divertido. Em busca \u00e9 o maior desafio para leitor de todas as \u00e9pocas, que s\u00f3 se interessa por conhecer \u201ca historinha do livro\u201d \u2013 h\u00e1bito que se formou contemporaneamente com a vit\u00f3ria do best-seller, cuja preocupa\u00e7\u00e3o \u00fanica \u00e9 o mito da narrativa e o final da trama. Em busca do tempo perdido \u00e9 um romance de sensa\u00e7\u00f5es. O gosto da madeleine no palato com ch\u00e1 de t\u00edlia e as receitas fabulosas da velha empregada Fran\u00e7oise. O sentimento de ser ou n\u00e3o tra\u00eddo por Albertine, a frase musical que consagra o amor de Albertine e do narrador e a sexualidade dos amigos \u00edntimos. Nada \u00e9 confirmado nos romances, e sim deixado na d\u00favida, pois toda a obra \u00e9 escrita em primeira pessoa. O que o narrador sabe, ele viu ou lhe foi relatado. Ele n\u00e3o \u00e9 onipresente nem onisciente, como no romance tradicional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os grandes pain\u00e9is da obra: a reuni\u00e3o da fam\u00edlia durante as f\u00e9rias do narrador em Combray, com a imortal figura de Fran\u00e7oise; a car\u00eancia do amor da m\u00e3e e a doen\u00e7a de tia L\u00e9onie; a beleza de <em>\u00c0 sombra das raparigas em flor<\/em>, que se passa na praia atl\u00e2ntica de Cabourg, no litoral franc\u00eas, e os lazeres da burguesia e da aristocracia; o Caso Dreyfus, discutido nos sal\u00f5es da sociedade parisiense; o anti-semitismo posto em quest\u00e3o; a pintura infernal da Primeira Guerra em Paris; a descoberta da homossexualidade dos v\u00e1rios amigos do narrador; a descri\u00e7\u00e3o de uma descida ao inferno dantesco, num bordel masculino parisiense, durante o bombardeio da cidade. E, por fim, a chave de ouro da obra, com a festa na casa dos Guermantes, onde finalmente o narrador constata a decad\u00eancia f\u00edsica, moral e intelectual dos milhares de personagens que habitam as p\u00e1ginas de Em busca do tempo perdido. O tempo passou para aquela fatia da sociedade parisiense do fim de s\u00e9culo. Alguns, cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Outros, personagens reais da \u00e9poca, como a atriz Sarah Bernhardt.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ler essa obra \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil quanto ler qualquer obra-prima da humanidade, pela sua extens\u00e3o, pela quantidade de personagens e por sua mobilidade social: uma madame que vira duquesa e tem outro nome; uma prostituta que vira princesa e tamb\u00e9m muda de nome. \u00c9 imposs\u00edvel estabelecer uma geografia na obra e uma genealogia. S\u00e3o essas muta\u00e7\u00f5es da sociedade e suas ideologias que a tornam o maior painel liter\u00e1rio da passagem do s\u00e9culo. Exclusivamente pela sensibilidade do narrador: as pesquisas do autor com as min\u00facias de moda, penteado e chap\u00e9u. Enfim, a transmuta\u00e7\u00e3o de uma sociedade arcaica francesa rumo \u00e0 Fran\u00e7a contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para quem pretende enfrentar Proust no original: <em>Biblioth\u00e8que de La Pl\u00e9iade<\/em>, quatro volumes, Paris, 1987. Para quem deseja ler em portugu\u00eas: tradu\u00e7\u00e3o de Fernando Py, publicada pela Ediouro, e tradu\u00e7\u00e3o de Mario Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Lucia Miguel Pereira, publicada pela Globo. Os estudos sobre a obra de Proust pululam, desde Deleuze at\u00e9 Julia Kristeva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Biografia: <em>A Monumental e Definitiva<\/em>, de Painter. Mas nada subsiste sem a leitura da obra. Dif\u00edcil e monumental. Longa e eterna, como qualquer obra de arte.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=637394&amp;ID=639273\" target=\"_blank\"><em>Guia de Leitura \u2013 100 autores que voc\u00ea precisa ler <\/em><\/a>\u00e9 um livro organizado por L\u00e9a Masina que faz parte da Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET.\u00a0Todo domingo,voc\u00ea conhecer\u00e1 um desses 100 autores. Para melhor configurar a proposta de apresentar uma leitura nova de textos cl\u00e1ssicos, L\u00e9a convidou intelectuais para escreverem uma lauda sobre cada um dos autores.<\/p>\n<p><strong>Marcel Proust \u00e9 o autor escolhido deste Domingo porque hoje, 10 de julho, \u00e9 seu anivers\u00e1rio!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paris, Fran\u00e7a, 1871 &#8211; \u2020 Paris, Fran\u00e7a, 1922 Filho de m\u00e9dico, passou sua inf\u00e2ncia em Paris, em Champs-Elys\u00e9es, e as f\u00e9rias de ver\u00e3o em Illiers, sob os cuidados da fam\u00edlia. Estudou Direito em Paris, onde fundou a revista O Banquete, na qual publicou suas primeiras experi\u00eancias liter\u00e1rias. 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