﻿{"id":9095,"date":"2011-07-03T09:00:17","date_gmt":"2011-07-03T12:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=9095"},"modified":"2011-07-01T14:39:48","modified_gmt":"2011-07-01T17:39:48","slug":"autor-de-hoje-raymond-chandler","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=9095","title":{"rendered":"Autor de hoje: Raymond Chandler"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/topo_raymond_chandler.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-9094\" title=\"topo_raymond_chandler\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/topo_raymond_chandler-1024x139.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"61\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/topo_raymond_chandler-1024x139.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/topo_raymond_chandler-300x40.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/07\/topo_raymond_chandler.jpg 1042w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Illinois, EUA, 1888 &#8211;\u00a0\u00a0\u2020 Los Angeles, EUA, 1959<\/em><\/p>\n<p>Depois do div\u00f3rcio dos pais, em 1896, Raymond Chandler foi morar com a m\u00e3e em Londres. Jamais voltou a ver o pai. Criado na Inglaterra, seguiu sendo cidad\u00e3o americano, embora sua m\u00e3e tenha se naturalizado inglesa. Voltou para os Estados Unidos em 1912 e durante a Primeira Guerra Mundial serviu nas for\u00e7as canadenses e na brit\u00e2nica Royal Air Force. Tentou ser jornalista, empres\u00e1rio, detetive e at\u00e9 executivo de uma companhia de petr\u00f3leo. Desenvolveu o gosto pela literatura e devorou livros durante a vida inteira. Em 1933, com 45 anos, conseguiu publicar seu primeiro conto na c\u00e9lebre revista <em>Black Mask<\/em>, da qual <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..%2Flivros%2Flayout_buscaprodutos.asp&amp;FiltroStr=Hammet&amp;FiltroCampo=Autores&amp;I1.x=41&amp;I1.y=19\" target=\"_blank\">Dashiell Hammett<\/a> era um dos donos. Imediatamente foi considerado um bom escritor, e seus contos passaram a fazer muito sucesso entre os iniciados na literatura <em>noir<\/em>. Seu primeiro livro, <em>O sono eterno<\/em>, foi publicado em 1939. Nele o protagonista j\u00e1 era Philip Marlowe, cujo car\u00e1ter e personalidade foram desenvolvidos sob v\u00e1rias identidades em seus contos. A seguir publicou os romances <em>Adeus minha adorada<\/em>,\u00a0<em> Janela para a morte<\/em>, <em>A dama do lago<\/em>, <em>A irm\u00e3zinha<\/em>, <em>O longo adeus <\/em>e <em>Playback<\/em>. Deixou inacabada a novela <em>Amor e<\/em> <em>morte em Poodle Springs<\/em>, que foi conclu\u00edda pelo escritor Robert Parker com a permiss\u00e3o da fam\u00edlia e publicada em 1989. Seus contos foram recolhidos e publicados em dois grandes volumes: <em>A dif\u00edcil arte de matar <\/em>e <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=627162&amp;ID=829380\" target=\"_blank\">Um assassino na chuva<\/a><\/em>. Escreveu roteiros para Hollywood e teve todos os seus livros adaptados\u00a0 para o cinema, em filmes nos quais trabalharam grandes astros e estrelas de Hollywood, como Humphrey Bogart, Lauren Bacall, Robert Mitchum, Charlotte Rampling, James Stewart, Robert Montgomery, James Gardner, Elliot Gould, entre muitos outros. Tornou-se alco\u00f3latra ap\u00f3s a morte de sua mulher, em 1956, e morreu em Los Angeles, em 1959, consagrado com um dos maiores escritores americanos de todos os tempos.<\/p>\n<p>OBRAS PRINCIPAIS: <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=617170&amp;ID=816281\" target=\"_blank\">O sono eterno<\/a><\/em>, 1939; <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=617170&amp;ID=936249\" target=\"_blank\">Adeus, minha adorada<\/a>, <\/em>1940; <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=617170&amp;ID=637090\" target=\"_blank\">Janela para a morte<\/a>, <\/em>1942; <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=617170&amp;ID=827291\" target=\"_blank\">A dama do lago<\/a>, <\/em>1943;<em> <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=617170&amp;ID=929171\" target=\"_blank\">A irm\u00e3zinha<\/a>, <\/em>1949; <em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=617170&amp;ID=507480\" target=\"_blank\">O longo adeus<\/a>, <\/em>1953;<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=608155&amp;ID=629194\" target=\"_blank\"> <\/a><em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=608155&amp;ID=629194\" target=\"_blank\">Playback<\/a>, <\/em>1958<em><\/em><\/p>\n<blockquote><p>\u00a0<span style=\"text-decoration: underline;\">RAYMOND CHANDLER por Ivan Pinheiro Machado<\/span><\/p>\n<p>Raymond Chandler foi uma das grandes personalidades da literatura americana do s\u00e9culo XX. Pontificou no g\u00eanero policial <em>noir<\/em>, uma vertente, digamos assim, mais intimista e realista do que aquele tipo de literatura de \u201ccrime e mist\u00e9rio\u201d que surgiu com Poe, Conan Doyle e Chesterton e que teve seguidores c\u00e9lebres como Agatha Christie, Ruth Rendell, Rex Stout e, de certa forma, Georges Simenon. Chandler e seu mestre Dashiell Hammett desprezavam essa compara\u00e7\u00e3o. Seus romances n\u00e3o tinham como elemento-chave o investigador superarguto e suas dedu\u00e7\u00f5es geniais. Em vez de um elegante Hercule Poirot, de um curioso Padre Brown, de um impressionante Sherlock ou de seu pai liter\u00e1rio, o inspetor Dupin, de Poe, encontramos homens comuns (ou quase) tentando ganhar a vida trabalhando por \u201c25 d\u00f3lares por dia mais despesas\u201d.<\/p>\n<p>Philip Marlowe, o fascinante detetive de Chandler, figurou em oito romances como protagonista de tramas complicadas, numa \u00e9poca dif\u00edcil, nos Estados Unidos em plena p\u00f3s-recess\u00e3o, um pa\u00eds marcado por incertezas e por uma legi\u00e3o de <em>losers <\/em>andando pelas ruas em busca de um meio para sobreviver. Philip Marlowe, como o detetive Sam Spade, de Hammett, \u00e9 fruto desse pa\u00eds em crise, onde a constru\u00e7\u00e3o da futura maior na\u00e7\u00e3o capitalista do mundo convivia com hordas de desempregados e aventureiros lutando pela vida. S\u00e3o homens da cidade, habituados a tens\u00f5es e viol\u00eancia. Seus clientes seguidamente freq\u00fcentam o mesmo c\u00edrculo social, e sua atua\u00e7\u00e3o nada tem de \u201cgenial\u201d no que diz respeito \u00e0 sagacidade e \u00e0 t\u00e9cnica investigativa. Marlowe \u00e9 um cara dur\u00e3o. Ali\u00e1s, essa tradu\u00e7\u00e3o de <em>tough guy <\/em>\u00e9 um achado dos primeiros tradutores de Chandler, Hammett e seus companheiros da literatura <em>noir<\/em>. E tornou-se comum a todos os romances, sendo quase uma marca registrada do g\u00eanero. Os \u201cdur\u00f5es\u201d ag\u00fcentavam porrada, toda a sorte de enrascadas, mas, no fundo, eram uns sentimentais. E, al\u00e9m disso, conviviam mal com os tiras que estavam sempre no seu p\u00e9. No magn\u00edfico <em>O longo adeus<\/em>, obra-prima de Chandler, o detetive Marlowe finaliza dizendo que \u201cs\u00f3 os tiras n\u00e3o dizem adeus\u201d. Eles est\u00e3o sempre l\u00e1, \u00e0s vezes de favor, mas quase sempre prontos para impedir ou prejudicar as investiga\u00e7\u00f5es privadas. Tiras n\u00e3o gostam de detetives particulares.<\/p>\n<p>Parafraseando Nelson Rodrigues, pode-se dizer que nesses romances est\u00e1 \u201ca vida como ela \u00e9\u201d. Os crimes, quando existem, s\u00e3o t\u00e3o fact\u00edveis que nos d\u00e3o a impress\u00e3o de que s\u00e3o tirados dos tabl\u00f3ides populares. Ou seja, s\u00e3o fruto do lado obscuro do cotidiano em que vivemos. E os personagens andam no limiar daquilo que \u00e9 legalmente aceit\u00e1vel. No caso de Chandler, temos um interessante retrato da Calif\u00f3rnia em meados do s\u00e9culo XX. Los Angeles j\u00e1 \u00e9 a meca do cinema, e freq\u00fcentemente atores de segunda categoria, assim como produtores fracassados, convivem com g\u00e2ngsteres, prostitutas de luxo, tiras corruptos, atrizes decadentes e figur\u00f5es em busca de uma oportunidade para ganhar um bom dinheiro, seja limpo ou n\u00e3o. Se em <em>O longo adeus <\/em>temos um inesquec\u00edvel livro sobre a amizade e a lealdade, em <em>Adeus, minha adorada, A<\/em> <em>dama do lago <\/em>e <em>A irm\u00e3zinha<\/em>, temos mulheres que acenam com hist\u00f3rias imposs\u00edveis, mas que geralmente balan\u00e7am o melanc\u00f3lico Marlowe, homem de cora\u00e7\u00e3o endurecido e esperan\u00e7as roubadas pelas vicissitudes da vida. Sempre h\u00e1 uma mans\u00e3o em Palm Beach ou Malibu. Sempre h\u00e1 um cliente recusado que volta uma, duas vezes, at\u00e9 que convence o sentimental Marlowe a aceitar o caso. E ele sempre pensa \u201ceu n\u00e3o devia fazer isso\u201d. E sempre acaba se arrependendo. Ir\u00f4nico, homem de poucas palavras, como conv\u00e9m a um <em>tough guy<\/em>, o c\u00ednico Marlowe vai recolhendo material para desacreditar do g\u00eanero humano. E o fascinante \u00e9 que ele sempre tem uma reca\u00edda. Chandler consegue deixar uma fresta de humanismo que faz com seu detetive cure a ressaca de <em>gimlet <\/em>ou <em>bourbon<\/em>, fa\u00e7a a barba a contragosto e volte para seu poeirento e antiquado escrit\u00f3rio, onde o telefone toca muito raramente.<\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=637394&amp;ID=639273\" target=\"_blank\"><em>Guia de Leitura \u2013 100 autores que voc\u00ea precisa ler <\/em><\/a>\u00e9 um livro organizado por L\u00e9a Masina que faz parte da Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET.\u00a0Todo domingo,voc\u00ea conhecer\u00e1 um desses 100 autores. Para melhor configurar a proposta de apresentar uma leitura nova de textos cl\u00e1ssicos, L\u00e9a convidou intelectuais para escreverem uma lauda sobre cada um dos autores.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Illinois, EUA, 1888 &#8211;\u00a0\u00a0\u2020 Los Angeles, EUA, 1959 Depois do div\u00f3rcio dos pais, em 1896, Raymond Chandler foi morar com a m\u00e3e em Londres. Jamais voltou a ver o pai. Criado na Inglaterra, seguiu sendo cidad\u00e3o americano, embora sua m\u00e3e tenha se naturalizado inglesa. 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