﻿{"id":8991,"date":"2011-06-28T14:17:35","date_gmt":"2011-06-28T17:17:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=8991"},"modified":"2011-06-28T14:17:54","modified_gmt":"2011-06-28T17:17:54","slug":"a-arca-de-fernando-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=8991","title":{"rendered":"A arca de Fernando Pessoa"},"content":{"rendered":"<p>Precavido e organizado, o poeta portugu\u00eas Fernando Pessoa &#8220;salvou&#8221; boa parte de sua intensa produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria numa arca. Os poemas que ainda n\u00e3o tinham sido publicados foram organizados e etiquetados pelo pr\u00f3prio Pessoa para garantir que a posteridade n\u00e3o profanasse sua obra.<\/p>\n<div id=\"attachment_8998\" style=\"width: 336px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/arcade_pessoa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8998\" class=\"size-full wp-image-8998 \" title=\"arcade_pessoa\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/arcade_pessoa.jpg\" alt=\"\" width=\"326\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/arcade_pessoa.jpg 326w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/arcade_pessoa-203x300.jpg 203w\" sizes=\"auto, (max-width: 326px) 100vw, 326px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8998\" class=\"wp-caption-text\">A arca onde Fernando Pessoa guardava seus manuscritos foi a leil\u00e3o em 2008 junto com fotos e outros pertences do escritor<\/p><\/div>\n<p>Nesta arca, havia um envelope verde com o r\u00f3tulo &#8220;quadras&#8221;, cujo conte\u00fado revela um outro Fernando Pessoa &#8211; que tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 em nenhum de seus heter\u00f4nimos.\u00a0Eram 60 folhas com 365 quadras at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas pelo grande p\u00fablico, que revelam um poeta simples que fazia registros do cotidiano e da vida na aldeia. Este material foi reunido no livro <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=626470&amp;ID=946354\" target=\"_blank\">Quadras ao gosto popular<\/a><\/em> (Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM Pocket), que conserva desde a ordem dos pap\u00e9is organizados por Pessoa at\u00e9 a ortografia da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Mas, afinal, o que \u00e9 uma &#8220;quadra&#8221;?<\/p>\n<p>Na introdu\u00e7\u00e3o do livro <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=626470&amp;ID=946354\" target=\"_blank\">Quadras ao gosto popular<\/a><\/em>, assinada pela escritora Jane Tutikian, h\u00e1 uma explica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<blockquote><p><em>Vale dizer que este [a quadra] \u00e9 o mais elementar e popular dos g\u00eaneros po\u00e9ticos, cuja \u00a0principal caracter\u00edstica \u00e9 a simplicidade do tema e do esquema m\u00e9trico, composto por redondilhas maiores (versos de sete s\u00edlabas), tamb\u00e9m conhecidas como &#8220;medida velha&#8221; &#8211; esquema de composi\u00e7\u00e3o muito utilizado pelos poetas medievais.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Mas a defini\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Fernando Pessoa, extra\u00edda do livro\u00a0<em>Missal das trovas<\/em> e citado na mesma introdu\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito mais po\u00e9tica:<\/p>\n<blockquote><p><em>A quadra \u00e9 um vaso de flores que o povo p\u00f5e \u00e0 janela \u00a0da sua alma. Da \u00f3rbita triste do vaso escuro a gra\u00e7a exilada das flores atreve o seu olhar de alegria. Quem faz quadras portuguesas comunga a alma do povo, humildemente de todos n\u00f3s e errante dentro de si pr\u00f3prio (&#8230;)<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>A\u00ed vai um pouco da simplicidade e da leveza desta outra face de Fernando Pessoa:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>8<\/em><br \/>\n<em>Entreguei-te o cora\u00e7\u00e3o<br \/>\nE que tratos tu lhe deste!<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 talvez por &#8216;star estragado<\/em><br \/>\n<em>Que ainda n\u00e3o mo devolveste&#8230;<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>11<\/em><br \/>\n<em>Duas horas te esperarei<br \/>\nDois anos te esperaria<br \/>\nDize: devo esperar mais?<br \/>\nOu n\u00e3o vens porque inda \u00e9 dia?<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>117<\/em><br \/>\n<em>O cravo que tu me deste<\/em><br \/>\n<em>Era de papel rosado<\/em><br \/>\n<em>Mas mais bonito era inda<\/em><br \/>\n<em>O amor que me foi negado<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Precavido e organizado, o poeta portugu\u00eas Fernando Pessoa &#8220;salvou&#8221; boa parte de sua intensa produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria numa arca. 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