﻿{"id":8542,"date":"2011-06-07T14:31:07","date_gmt":"2011-06-07T17:31:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=8542"},"modified":"2011-06-07T14:31:07","modified_gmt":"2011-06-07T17:31:07","slug":"31-o-homem-que-sabia-dar-titulos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=8542","title":{"rendered":"31. O homem que sabia dar t\u00edtulos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/ERA-UMA-VEZ-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-8543\" title=\"ERA UMA VEZ 2\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/ERA-UMA-VEZ-2-1024x122.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"53\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/ERA-UMA-VEZ-2-1024x122.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/ERA-UMA-VEZ-2-300x35.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/ERA-UMA-VEZ-2.jpg 1121w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Por Ivan Pinheiro Machado*<\/em><\/p>\n<p>Editor, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, era considerado apenas um leitor de luxo. Uma esp\u00e9cie de diletante privilegiado, quase como um diretor de uma funda\u00e7\u00e3o. Poucos imaginavam que uma editora pudesse ser uma empresa, ter obriga\u00e7\u00f5es prosaicas como pagar sal\u00e1rios, direitos autorais, alugu\u00e9is etc. As pessoas se sentiam no direito de interromper o nosso jantar num restaurante para dizer que tinham uns poemas ou um romance \u201ce voc\u00ea vai ter que ler e public\u00e1-los!\u201d. Este detalhe insalubre da profiss\u00e3o de editor \u00e9 pouco conhecido. Vez por outra, numa festa ou num lugar p\u00fablico, voc\u00ea se torna ref\u00e9m dos chatos&#8230;\u00a0 Hoje, o mercado se profissionalizou e estas abordagens j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o frequentes como antes. Ainda acontece, mas o \u201cp\u00fablico em geral\u201d j\u00e1 tem ideia de que editor \u00e9 um profissional como qualquer outro. Uma editora, ao contr\u00e1rio de uma funda\u00e7\u00e3o, \u00e9 um neg\u00f3cio sujeito \u00e0s leis do mercado.<\/p>\n<p>Com os escritores acontecia praticamente o mesmo. Eram (e s\u00e3o) atormentados pelos mesmos chatos e amigos para lerem originais e darem uma opini\u00e3o ou uma ajudinha para encontrar um editor. O Jos\u00e9 Onofre Krob Jardim, escritor e um dos melhores textos da imprensa brasileira, falecido recentemente, contava uma hist\u00f3ria muito boa sobre esta rela\u00e7\u00e3o entre o \u201cchato\u201d e o escritor.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=649061\" target=\"_blank\">William Faulkner<\/a>, pr\u00eamio Nobel de 1949, autor de \u201cO som e a f\u00faria\u201d, \u201c<a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=916194\" target=\"_blank\">Enquanto agonizo<\/a>\u201d, \u201cLuzes de agosto\u201d, entre outras obras-primas, era famoso por criar\u00a0\u00f3timos\u00a0t\u00edtulos para os seus livros. Um dia, um amigo ligou e disse que seu filho havia escrito um romance muito bom, mas que estava com dificuldades para escolher o t\u00edtulo. Ele pedia que Faulkner lesse o livro e desse um nome a ele. Educadamente, o grande escritor concedeu que o filho do amigo fosse a sua casa com seus originais.<\/p>\n<p>Poucos dias depois, o rapaz cumpriu a promessa do pai e chegou na casa do escritor com um enorme calhama\u00e7o, um romance com quase 800 p\u00e1ginas datilografadas.<\/p>\n<p><em>\u2013 Aqui est\u00e1 o livro para o senhor ler, Mestre.<\/em><\/p>\n<p>Faulkner olhou apavorado para aquela montanha de papel e disse:<\/p>\n<p><em>\u2013 Olha, meu filho, eu acho que j\u00e1\u00a0tenho um t\u00edtulo para o seu livro&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 Mas o senhor n\u00e3o quer ler?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0Diga-me uma coisa. Por acaso a sua hist\u00f3ria se refere a tambores? H\u00e1 alguma passagem em que os personagens toquem tambores?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 N\u00e3o&#8230; com certeza n\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013\u00a0Diga-me\u00a0tamb\u00e9m o seguinte; em algum momento do livro existe uma cena em que h\u00e1 o som de clarins como fundo?<\/em><\/p>\n<p><em>\u2013 N\u00e3o.<\/em> Respondeu o jovem, cada vez mais intrigado.<\/p>\n<p><em>\u2013 Ent\u00e3o est\u00e1 a\u00ed&#8230;<\/em> Disse Faulkner com um sorriso s\u00e1bio<em>. J\u00e1 temos o t\u00edtulo: \u201cNem tambores, nem clarins\u201d!!<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_8545\" style=\"width: 440px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/faulkner1954.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8545\" class=\"size-full wp-image-8545\" title=\"faulkner1954\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/06\/faulkner1954.jpg\" alt=\"\" width=\"430\" height=\"421\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8545\" class=\"wp-caption-text\">O escritor William Faulkner em seu escrit\u00f3rio<\/p><\/div>\n<p><em>*Toda ter\u00e7a-feira, o editor Ivan Pinheiro Machado resgata hist\u00f3rias que aconteceram em mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de L&amp;PM. Este \u00e9 o trig\u00e9simo primeiro post da S\u00e9rie \u201c<\/em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/blog\/?cat=777\" target=\"_blank\"><em>Era uma vez\u2026 uma editora<\/em><\/a><em>\u201c.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado* Editor, at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, era considerado apenas um leitor de luxo. Uma esp\u00e9cie de diletante privilegiado, quase como um diretor de uma funda\u00e7\u00e3o. Poucos imaginavam que uma editora pudesse ser uma empresa, ter obriga\u00e7\u00f5es prosaicas como pagar sal\u00e1rios, direitos autorais, alugu\u00e9is etc. As pessoas se sentiam no direito de interromper [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[777,1],"tags":[493,23,1818,1907,1906,1905,490],"class_list":["post-8542","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-era-uma-vez-uma-editora","category-sem-categoria","tag-enquanto-agonizo","tag-ivan-pinheiro-machado","tag-jose-onofre","tag-luzes-de-agosto","tag-o-som-e-a-furia","tag-premio-nobel","tag-william-faulkner"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8542","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8542"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8542\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8551,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8542\/revisions\/8551"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8542"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8542"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8542"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}