﻿{"id":800,"date":"2010-05-05T20:33:42","date_gmt":"2010-05-05T20:33:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=800"},"modified":"2010-05-05T21:10:18","modified_gmt":"2010-05-05T21:10:18","slug":"festa-de-separacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=800","title":{"rendered":"Festa de Separa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Carol Teixeira<\/em><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m gosta de falar do fim de um amor. O fim lembra morte e ningu\u00e9m gosta de pensar em morte. Isso porque a experi\u00eancia do amor nos d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de continuidade, logo, cria a ilus\u00e3o de eternidade. Ent\u00e3o \u00e9 compreens\u00edvel que o fim de um romance leve a essa inevit\u00e1vel associa\u00e7\u00e3o ao oposto do eterno, mesmo que inconsciente. Por isso as pessoas quando v\u00eaem seus relacionamentos terminados, n\u00e3o se permitem assimilar com calma, refletir muito sobre, simplesmente querem se livrar logo daquela sensa\u00e7\u00e3o ruim e da incompreens\u00e3o &#8211; \u00e9 mais f\u00e1cil sentir raiva, m\u00e1goa e jogar tudo para baixo do tapete.<\/p>\n<p><a href=\"www.festadeseparacao.blogspot.com\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-805\" title=\"separa\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/separa2.jpg\" alt=\"\" width=\"440\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/separa2.jpg 440w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/05\/separa2-300x227.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><\/a><br \/>\nFoi justamente o que n\u00e3o fez o ex-casal que escreve e protagoniza a pe\u00e7a que vi ontem, \u201cFesta de Separa\u00e7\u00e3o \u2013 um document\u00e1rio c\u00eanico\u201d. A hist\u00f3ria pr\u00e9-pe\u00e7a \u00e9 real: a atriz Jana\u00edna Leite e o fil\u00f3sofo e m\u00fasico Fepa tiveram um relacionamento de v\u00e1rios anos. At\u00e9 que ele acabou. Ao inv\u00e9s de simplesmente agir como a maioria, eles decidiram ritualizar esse fim, fizeram diversas \u201cfestas de separa\u00e7\u00e3o\u201d e gravaram trechos e depoimentos, num exorcismo positivo de todo aquele sentimento. E surgiu a ideia de fazer algo que refletisse sobre esse fim sobre o qual ningu\u00e9m gosta de falar. Da\u00ed veio essa linda pe\u00e7a que me virou do avesso. Me identifiquei muito com a maneira com a qual eles abordam o assunto, mostrando trechos de filme, trechos das grava\u00e7\u00f5es feitas nas tais festas de separa\u00e7\u00e3o, trechos de livros, m\u00fasicas, cita\u00e7\u00f5es de fil\u00f3sofos. Me senti em casa, porque \u00e9 assim que eu vejo a vida e reflito sobre as quest\u00f5es, sempre filtrada atrav\u00e9s de peda\u00e7os de arte, de irrealidades. Ent\u00e3o, pelo fato de eles falarem a minha l\u00edngua, a pe\u00e7a me tocou de uma forma mais absurda ainda.<br \/>\nO legal \u00e9 que eles satisfazem nossas curiosidades voyer\u00edsticas (lemos um antigo e-mail dele para ela, ouvimos uma mensagem dela trist\u00edssima gravada da secret\u00e1ria eletr\u00f4nica, vemos v\u00eddeos&#8230;), mas ao mesmo tempo eles universalizam a quest\u00e3o do fim, atrav\u00e9s da arte (cita\u00e7\u00f5es, leituras, m\u00fasicas, met\u00e1foras e a pr\u00f3pria realiza\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a), levando todos juntos naquele delicado processo cat\u00e1rtico.<br \/>\nMe vem \u00e0 mente agora a frase do Nietzsche que tenho tatuada nas costas, \u201ca arte existe para que a verdade n\u00e3o nos destrua\u201d. Ou aquele mito do Perseu que s\u00f3 olhava para Medusa atrav\u00e9s da imagem refletida em seu escudo de bronze, para que o olhar dela n\u00e3o pudesse o petrificar.<br \/>\nA arte, com seu olhar indireto, curando. A arte fazendo transcender. A arte como a \u00fanica maneira poss\u00edvel de superar nossa natureza tr\u00e1gica.<\/p>\n<p><em>Para assistir\u00a0\u00e0 entrevista\u00a0de Carol com\u00a0Jana\u00edna e Fepa, <\/em><a href=\"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/multimidia\/default.asp?MidiaID=050629\" target=\"_blank\"><em>clique aqui<\/em><\/a><em>.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carol Teixeira Ningu\u00e9m gosta de falar do fim de um amor. O fim lembra morte e ningu\u00e9m gosta de pensar em morte. Isso porque a experi\u00eancia do amor nos d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de continuidade, logo, cria a ilus\u00e3o de eternidade. 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