﻿{"id":722,"date":"2010-04-28T17:46:03","date_gmt":"2010-04-28T17:46:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=722"},"modified":"2010-04-28T18:07:59","modified_gmt":"2010-04-28T18:07:59","slug":"apontamentos-sobre-uma-semana-passada-em-buenos-aires-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=722","title":{"rendered":"Apontamentos sobre uma semana passada em Buenos Aires #2"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ontem a editora Caroline Chang come\u00e7ou a publicar suas impress\u00f5es sobre VIIIa. Semana TyPA de Editores. Para ver o\u00a0primeiro\u00a0post, <\/strong><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=692\" target=\"_blank\"><strong>clique aqui<\/strong><\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<p><em>Caroline Chang<\/em><\/p>\n<p>\u2013 \u00c9\u00a0invej\u00e1vel o n\u00edvel de preparo dos livreiros, em geral. Sim, tive que soletrar nomes de alguns autores, mas tamb\u00e9m pode ser culpa do meu castelhano de p\u00e9 quebrado. De modo geral, os livreiros conhecem os livros que vendem e s\u00e3o capazes de opinar sobre eles. Imagino que isso se deva em parte ao melhor n\u00edvel educacional argentino (embora tamb\u00e9m haja queixas de que o ensino privado est\u00e1 maquiavelicamente clientelizando o processo educacional, coisa que conhecemos bem no Brasil), em parte \u00e0 posi\u00e7\u00e3o privilegiada que a leitura e a cultura livresca ocupa na vida portenha.<\/p>\n<p>\u2013 Eu nunca havia me dado conta da dimens\u00e3o que ocupa, na vida cultural argentina, do fato de as grandes editoras espanholas comprarem direitos para l\u00edngua espanhola e os leitores argentinos se verem em uma de tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es: ou a editora espanhola que compra os direitos de tradu\u00e7\u00e3o para o espanhol exporta os livros para as livrarias e distribuidoras argentinas, e nesse caso o livro chega ao leitor argentino a um pre\u00e7o que \u00e9 no m\u00ednimo o dobro do que custaria se fosse produzido no pa\u00eds; ou ent\u00e3o a editora espanhola n\u00e3o distribui direito os livros na Argentina (seja por problemas nos canais de distribui\u00e7\u00e3o, seja por acreditar, baseado na carreira espanhola do livro, que ele n\u00e3o ter\u00e1 \u00eaxito comercial, o que nem sempre \u00e9 verdade, j\u00e1 que se trata de contextos culturais diferentes); ou, melhor dos casos sob o ponto de vista do leitor argentino, a editora espanhola que compra os direitos para tradu\u00e7\u00e3o para o espanhol tem uma casa editorial filial na Argentina, podendo ent\u00e3o produzir tiragens na Argentina, para o leitor local, que ent\u00e3o tem acesso ao livro a um pre\u00e7o argentino, e n\u00e3o europeu. Alguns setores do mercado editorial argentino inclusive defendem que ag\u00eancias liter\u00e1rias e editoras que vendem direitos de tradu\u00e7\u00e3o deveriam comercializar em separado direitos para traduzir o livro na Espanha e, por exemplo, na Argentina (tal como acontece com Brasil e Portugal: direitos para explorar um livro em l\u00edngua portuguesa no Brasil \u00e9 vendido para uma editora brasileira, e os direitos para explorar o mesmo livro em l\u00edngua portuguesa em Portugal, para uma editora portuguesa). Assim os direitos ficariam livres para editoras argentinas que quisessem explorar tal livro e tal autor, o que certamente fortaleceria a cadeia nacional. (Vale lembrar que a separa\u00e7\u00e3o dos direitos entre Portugal e Brasil \u00e9 recente: poucas d\u00e9cadas atr\u00e1s, os agentes vendiam direitos mundiais para l\u00edngua portuguesa para editoras portuguesas, e n\u00f3s, leitores brasileiros, nos v\u00edamos na obriga\u00e7\u00e3o de importar o livro e ler Lawrence Durrell em portugu\u00eas de Portugal.)<\/p>\n<div class=\"mceTemp mceIEcenter\" style=\"text-align: left;\">\u2013 Suspeito que nossos irm\u00e3os argentinos conhe\u00e7am melhor a literatura brasileira que n\u00f3s a argentina. El Corregidor (<a href=\"http:\/\/www.corregidor.com.ar\/\">www.corregidor.com.ar<\/a> ), por exemplo, tem uma s\u00e9rie que se chama Vereda Brasileira, onde se encontra o que de melhor a nossa literatura produziu. A editora Adriana Hidalgo tem, na sua serie de tradu\u00e7\u00f5es, uma clara veia brasileira, tendo publicado Jo\u00e3o Gilberto Noll, Clarice Lispector, Dyon\u00e9lio Machado e \u2013 pasmei quando vi \u2013 <em>Grande Sert\u00e3o: Veredas<\/em>, al\u00e9m de <em>Sagarana<\/em>. Me corrijam se estou errada, mas creio que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma editora brasileira que tenha uma s\u00e9rie numerosa e longeva de literatura platense, que dir\u00e1 argentina.<\/div>\n<div id=\"attachment_726\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/mafaldacaca2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-726\" class=\"size-full wp-image-726  \" title=\"mafaldacaca\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/mafaldacaca2.jpg\" alt=\"\" width=\"440\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/mafaldacaca2.jpg 440w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/mafaldacaca2-300x224.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-726\" class=\"wp-caption-text\">Caroline ao lado da est\u00e1tua de Mafalda em San Telmo \/ Arquivo pessoal<\/p><\/div>\n<p>\u00a0\u2013 Por fim, vida longa a uma menina baixinha de quem o Gobierno de La Ciudad (de Buenos Aires) inaugurou h\u00e1 pouco uma est\u00e1tua, no velho bairro de San Telmo, pr\u00f3ximo \u00e0 casa de Quino, seu criador (esquina da calle Defensa com calle Chile). Foi com ela que a literatura argentina fez sua grande e indel\u00e9vel entrada na minha vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem a editora Caroline Chang come\u00e7ou a publicar suas impress\u00f5es sobre VIIIa. Semana TyPA de Editores. Para ver o\u00a0primeiro\u00a0post, clique aqui. Caroline Chang \u2013 \u00c9\u00a0invej\u00e1vel o n\u00edvel de preparo dos livreiros, em geral. Sim, tive que soletrar nomes de alguns autores, mas tamb\u00e9m pode ser culpa do meu castelhano de p\u00e9 quebrado. 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