﻿{"id":6947,"date":"2016-04-05T10:43:33","date_gmt":"2016-04-05T13:43:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=6947"},"modified":"2016-04-05T10:57:45","modified_gmt":"2016-04-05T13:57:45","slug":"allen-ginsberg-e-seu-bairro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=6947","title":{"rendered":"Allen Ginsberg e seu bairro"},"content":{"rendered":"<p>Allen Ginsberg morreu em 5 de abril de 1997. Dois dias depois, o <em>The New York Times<\/em> <a href=\"http:\/\/query.nytimes.com\/gst\/fullpage.html?res=9803EFDC1F3DF934A35757C0A961958260&amp;ref=allenginsberg\" target=\"_blank\">publicou um texto, <\/a>escrito por Frank Bruni, que\u00a0mostra a\u00a0 rela\u00e7\u00e3o do\u00a0autor de\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..%2Flivros%2Flayout_buscaprodutos.asp&amp;FiltroStr=uivo&amp;FiltroCampo=Titulo&amp;I1.x=53&amp;I1.y=14\" target=\"_blank\">Uivo<\/a><\/em>\u00a0com seu bairro.\u00a0Reproduzimos aqui (em uma livre tradu\u00e7\u00e3o) alguns trechos desse texto.<\/p>\n<div id=\"attachment_27245\" style=\"width: 459px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/Ultima-foto-Ginsberg-AG-East-14th-St-April-1-1997.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27245\" class=\"size-full wp-image-27245\" alt=\"A \u00faltima foto que Ginsberg tirou, de dentro do seu apartamento, no dia 1 de abril de 1997\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/Ultima-foto-Ginsberg-AG-East-14th-St-April-1-1997.jpg\" width=\"449\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/Ultima-foto-Ginsberg-AG-East-14th-St-April-1-1997.jpg 449w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/Ultima-foto-Ginsberg-AG-East-14th-St-April-1-1997-210x300.jpg 210w\" sizes=\"auto, (max-width: 449px) 100vw, 449px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-27245\" class=\"wp-caption-text\">A \u00faltima foto que Ginsberg tirou, de dentro do seu apartamento, no dia 1 de abril de 1997<\/p><\/div>\n<p><em>Nos \u00faltimos anos, Allen Ginsberg embaralhou-se por restaurantes, livrarias e lavanderias \u00e0 seco, em torno de seu loft na East 13th Street, pr\u00f3ximo \u00e0 First Avenue. Ele foi em muitos aspectos uma figura normal, um velho e barbudo homem em sua marcha descontra\u00edda, de \u00f3culos, parecendo t\u00e3o familiar.<\/em><\/p>\n<p><em>Mas para os que conseguiam colocar um nome naquele rosto, Mr. Ginsberg era maior do que a vida, uma ponte que retrocedia \u00e0 hist\u00f3ria ilustre de um lugar que ele, como se fosse\u00a0uma\u00a0pessoa qualquer, havia ajudado a colocar no mapa cultural.<\/em><\/p>\n<p><em>Na verdade,\u00a0 Mr. Ginsberg recebeu aten\u00e7\u00e3o do mundo inteiro, mas\u00a0sempre foi um \u00edcone e uma\u00a0criatura de\u00a0\u201cdowntown Manhattan\u201d, com\u00a0sua vis\u00e3o de mundo forjada numa mistura de paix\u00f5es pol\u00edticas e sexuais, com suas excentricidades nutridas por aqueles que circulavam num submundo peculiar, sua individualidade confundida entre o mito e o bo\u00eamio de East Village, onde ele fez sua casa.\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cEle encarnava o East Village e o Lower East Side\u201d, disse ontem Bill Morgan, amigo e arquivista de Mr. Ginsberg. \u201cIsso o afetou, assim como ele afetou o lugar. Ele era um pararraios para o ativismo pol\u00edtico e para as quest\u00f5es sociais que eram jogadas aqui\u201d.<\/em><\/p>\n<p><em>Mr. Ginsberg morreu de c\u00e2ncer\u00a0no f\u00edgado na madrugada de s\u00e1bado em seu apartamento, com 70 anos. Ele viveu nesse lugar por cerca de seis meses, mas tinha passado quase duas d\u00e9cadas em um apartamento h\u00e1 menos de um quarteir\u00e3o de dist\u00e2ncia, na East 12th Street, tamb\u00e9m perto da First Avenue. (&#8230;)<\/em><\/p>\n<p><em>Downtown Manhattan jamais teria evoluido dessa maneira sem Allen Ginsberg. Entre 1980 e 1990, Mr. Ginsberg permaneceu ativo e altivo em torno\u00a0do bairro\u00a0e de outros lugares da cidade, embora menos extravagante. Frequentemente, ele realizava leituras de poesias e no<\/em><em>\u00a0\u00faltimo ano, no Knitting Factory, ele recitou toda a sua obra por mais de 10 noites seguidas. Ele tentou cultivar jovens poetas, deu aulas na faculdade do Brooklyn durante os \u00faltimos 10 anos e apoiou ativamente o projeto de poesia da Igreja de St. Mark\u00b4s, na East 10th Street. Dois meses atr\u00e1s, ele participou de um com\u00edcio em apoio aos ocupantes de um pr\u00e9dio na East 13th Street. Ao longo do tempo, de alguma forma, o bairro passou por Mr. Ginsberg. Apesar de n\u00e3o ter perdido suas preciosas qualidades de poliglota e pansexual, o lugar tornou-se menos an\u00e1rquico, mais luxuoso, um alvo para a \u201cenobrecimento urbano\u201d e um im\u00e3 para uma nova gera\u00e7\u00e3o de \u201csibaritas\u201d, muitos dos quais n\u00e3o partilham da consci\u00eancia pol\u00edtica radical de Ginsberg e nem ao menos t\u00eam consci\u00eancia de seu trabalho.\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u201cOs jovens que se mudaram para este bairro h\u00e1 dois anos n\u00e3o sabem o que Ginsberg significou para ele\u201d, disse ontem Peter Orlovsky, companheiro de Mr. Ginsberg por quatro d\u00e9cadas. Isso pode explicar porque n\u00e3o houve nenhuma manifesta\u00e7\u00e3o de grande dor por sua perda por aqui, apenas emo\u00e7\u00f5es esparsas de pessoas que sentiram, por motivos que talvez nem consigam explicar, que deveriam fazer algo para homenagear a passagem desse homem. \u00a0Mitch Corber, 47, que foi para os degraus da Igreja St. Mark&#8217;s para recitar um poema que ele escreveu em homenagem a Ginsberg, lembrou que ele n\u00e3o era apenas um artista, mas um ativista que lutou pela liberdade e aceita\u00e7\u00e3o dos homossexuais. Mas Sonia Allin, 24, que tamb\u00e9m gravitava em torno da St. Mark\u00b4s, foi menos clara sobre o porqu\u00ea dela estar l\u00e1. \u201cEu o vi algumas vezes pelo bairro\u201d, disse a Srta. Allin sobre Ginsberg. \u201cEle ficou muito chateado comigo quando eu lhe disse que sua poesia n\u00e3o falava para minha gera\u00e7\u00e3o porque estava excessivamente enraizada nos anos 60.\u201d Ah Chong Lan, uma gar\u00e7onete do Noodle Mee\u00b4s Shop e Grill, na First Avenue, o restaurante chin\u00eas favorito de Mr. Ginsberg, lembrou que ele era bastante simples e falava de forma bem leve. Claro, ela sabia que ele era algu\u00e9m importante, um artista. Isso ela poderia dizer a partir de conversas que ouviu e de como os outros, \u00e0s vezes, apontavam para ele quando entrava. Mas a Srta. Chong disse que ele era, principalmente, um homem sem frescuras, que desejava e confiava no linguado\u00a0feito no\u00a0vapor com molho de gengibre. \u201cQuando ele entrava\u201d, ela disse, \u201cn\u00f3s sab\u00edamos o que ele queria.\u201d \u00a0<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_27244\" style=\"width: 461px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/10_Allen_Ginsberg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27244\" class=\" wp-image-27244 \" alt=\"Allen Ginsberg no bairro que escolheu como seu\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/10_Allen_Ginsberg.jpg\" width=\"451\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/10_Allen_Ginsberg.jpg 752w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/10_Allen_Ginsberg-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/10_Allen_Ginsberg-300x298.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 451px) 100vw, 451px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-27244\" class=\"wp-caption-text\">Allen Ginsberg no bairro que escolheu como seu<\/p><\/div>\n<div id=\"attachment_27246\" style=\"width: 460px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/Ginsberg-mesa-PB.jpg\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-27246\" class=\" wp-image-27246  \" alt=\"A mesa de trabalho do poeta beat como ele a deixou. Entre os objetos e livros, uma colet\u00e2nea de poemas de seu pai, Louis Ginsberg\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/Ginsberg-mesa-PB.jpg\" width=\"450\" height=\"302,5\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/Ginsberg-mesa-PB.jpg 880w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/Ginsberg-mesa-PB-300x201.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 880px) 100vw, 880px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-27246\" class=\"wp-caption-text\">A mesa de trabalho do poeta beat como ele a deixou. Entre os objetos e livros, uma colet\u00e2nea de poemas de seu pai, Louis Ginsberg<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Allen Ginsberg morreu em 5 de abril de 1997. Dois dias depois, o The New York Times publicou um texto, escrito por Frank Bruni, que\u00a0mostra a\u00a0 rela\u00e7\u00e3o do\u00a0autor de\u00a0Uivo\u00a0com seu bairro.\u00a0Reproduzimos aqui (em uma livre tradu\u00e7\u00e3o) alguns trechos desse texto. Nos \u00faltimos anos, Allen Ginsberg embaralhou-se por restaurantes, livrarias e lavanderias \u00e0 seco, em torno [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[280,120,1548,1547,525,390,1549,1546,278],"class_list":["post-6947","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria","tag-allen-ginsberg","tag-beats","tag-east-village","tag-frank-bruni","tag-manhattan","tag-nova-york","tag-peter-orlovsky","tag-the-new-york-times","tag-uivo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6947","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6947"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6947\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6955,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6947\/revisions\/6955"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6947"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6947"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6947"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}