﻿{"id":6929,"date":"2011-04-05T16:16:52","date_gmt":"2011-04-05T19:16:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=6929"},"modified":"2014-08-25T15:12:17","modified_gmt":"2014-08-25T18:12:17","slug":"22-a-historia-do-fracasso-de-andy-warhol-na-lpm","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=6929","title":{"rendered":"22. A hist\u00f3ria do fracasso de Andy Warhol&#8230; na L&#038;PM"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/ERA-UMA-VEZ-21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-6942\" title=\"ERA UMA VEZ 2\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/ERA-UMA-VEZ-21-1024x122.jpg\" width=\"450\" height=\"53\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/ERA-UMA-VEZ-21-1024x122.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/ERA-UMA-VEZ-21-300x35.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/ERA-UMA-VEZ-21.jpg 1121w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Por Ivan Pinheiro Machado*<\/em><\/p>\n<p>Era o final de 1987 e\u00a0 ainda ecoava no mundo Pop as lamenta\u00e7\u00f5es pela morte de Andy Warhol. Um suposto erro m\u00e9dico, numa banal cirurgia de ves\u00edcula em fevereiro daquele ano,\u00a0tinha tirado a vida do inventor da <em>Pop Art<\/em>. Europa e Estados Unidos preparavam retrospectivas de sua obra gr\u00e1fica e cinematogr\u00e1fica. Tudo ao som de Lou Read e seu \u201cVelvet Underground\u201d, descobertas de Warhol.<\/p>\n<p>Foi neste clima profundamente andywarhoniano que, na Feira de Frankfurt de 1987, 8 meses depois de sua morte, um agente liter\u00e1rio ofereceu a mim e ao\u00a0Paulo Lima os famosos \u201cDi\u00e1rios de Andy Warhol\u201d, um enorme calhama\u00e7o recheado de mexericos e fofocas novaiorquinas do <em>uper jet set<\/em> com aproximadamente 800 p\u00e1ginas que sairia no in\u00edcio de 1988 no Estados Unidos. \u00c9 claro que nos interessamos. N\u00f3s e outros 15 editores brasileiros. Como havia uma grande procura, o agente fez um leil\u00e3o via fax (n\u00e3o havia e-mail na pr\u00e9-hist\u00f3ria) e,\u00a0depois de v\u00e1rios lances, fizemos uma oferta de U$ 20 mil d\u00f3lares de adiantamento de direitos autorais. L\u00e1 no per\u00edodo paleol\u00edtico, no final dos anos 80, um d\u00f3lar era um d\u00f3lar de verdade! N\u00e3o esta merreca de hoje em dia. Um d\u00f3lar chegava a ser o\u00a0que hoje equivale a tr\u00eas reais no c\u00e2mbio oficial e uns 4 reais no famoso \u201cblack\u201d, ou mercado negro. Tudo isto em meio a uma infla\u00e7\u00e3o de dois d\u00edgitos ao m\u00eas. Foi assim que recebemos a \u201cfeliz\u201d not\u00edcia que todos os outros 14 pretendentes tinham se afastado do leil\u00e3o e, portanto, o livro era nosso.<\/p>\n<p>Confesso que quando baixou a poeira, n\u00e3o chegamos a festejar muito.\u00a0No come\u00e7o da opera\u00e7\u00e3o, quando vencemos o leil\u00e3o, aqueles 20 mil d\u00f3lares nos tiraram\u00a0apenas algumas horas de sono. No final, com o livro nas livrarias no come\u00e7o do ano de 1989, passaram a nos tirar noites inteiras de sono&#8230;\u00a0Foi assim:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/andy_capa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-6930 alignleft\" title=\"andy_capa\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/andy_capa-697x1024.jpg\" width=\"202\" height=\"285\" \/><\/a>Contratamos o m\u00fasico e escritor Celso Loureiro Chaves, rec\u00e9m chegado de uma longa estadia nos Estados Unidos, para fazer a tradu\u00e7\u00e3o. Foram 1.000 laudas. Revisamos em tempo recorde e, finalmente, um ano e pouco depois de assinarmos o contrato,\u00a0colocamos um belo livro de 800 p\u00e1ginas em corpo 10, formato 16 x 23 cm nas livrarias de todo o Brasil. O pre\u00e7o seria o equivalente hoje a uns 100 reais. Imprimimos 5.000 exemplares para que a tiragem amortizasse o pre\u00e7o do calhama\u00e7o. N\u00e3o precisou mais do que uma semana para que nossas esperan\u00e7as se esvaissem. Nenhuma reposi\u00e7\u00e3o. S\u00f3 devolu\u00e7\u00f5es daqueles livreiros que apostaram \u2013 como n\u00f3s \u2013 e fizeram pilhas nas suas livrarias. As pilhas foram muito observadas, mas ficaram intactas.\u00a0Apesar da imprensa ter dado enorme destaque. O\u00a0grande investimento em direitos, tradu\u00e7\u00e3o (eram 1.000 laudas!), papel e gr\u00e1fica tinha ido pelo ralo. Foi o livro mais festejado e n\u00e3o-comprado da hist\u00f3ria de mais de tr\u00eas d\u00e9cadas de L&amp;PM. E nosso primeiro contato com aquilo que chama-se fracasso editorial. Dez anos depois, decidimos acabar com as enormes, gigantescas, pilhas que se acumulavam no nosso dep\u00f3sito. A\u00ed ent\u00e3o Andy Warhol foi um verdadeiro <em>bestseller<\/em>. Vendemos os 3 mil exemplares que sobraram por R$ 10,00 na Feira do Livro de Porto Alegre de 1997. Foi o saldo mais disputado da hist\u00f3ria de mais de meio s\u00e9culo de Feira.<\/p>\n<p>Sobre o livro, vale dizer que ele foi\u00a0organizado por Pat Hackett, secret\u00e1ria e amiga de AW, que\u00a0editou\u00a0e escreveu o di\u00e1rio baseado nos telefonemas e no conv\u00edvio di\u00e1rio com ele. Quem espera tiradas geniais e pistas para entender o mega universo Pop, fica profundamente decepcionado. Os di\u00e1rios empilham ti-ti-tis de celebridades, maldades, fofocas, tric\u00f4s e n\u00e3o revelam mais do que um personagem f\u00fatil, deslumbrado com o mundo dos ricos e das celebridades. Em bom portugu\u00eas, pode-se dizer que,\u00a0apesar das suas 800 p\u00e1ginas, os di\u00e1rios de Andy Warhol possuem a profundidade de uma po\u00e7a d\u2019 \u00e1gua. E n\u00e3o fazem jus ao seu g\u00eanio.<\/p>\n<p><strong>A f\u00e1brica do pop<\/strong><\/p>\n<p>Sua primeira grande cria\u00e7\u00e3o foi a <em>Factory<\/em> (est\u00fadio multi-disciplinar, onde Warhol pintava, desenhava e fazia seus c\u00e9lebres filmes underground. Depois criou a revista <em>Interview<\/em> que tornou-se uma refer\u00eancia no jornalismo cultural mundial. C\u00e9lebre pela \u201cinven\u00e7\u00e3o\u201d da serigrafia como forma de arte, ou da concep\u00e7\u00e3o da obra de arte como um m\u00faltiplo, ele influenciou gera\u00e7\u00f5es. Em suas m\u00e3os, o banal se transformou em objeto art\u00edstico. Fotos criaram um clima inconfund\u00edvel com seus alto contrastes e cores fortes. Cada retrato recebia dezenas de vers\u00f5es, sendo colorizado a partir de uma matriz que era reproduzida em v\u00e1rias telas. AW criou tamb\u00e9m o culto \u00e0 celebridade e inventou a m\u00e1xima bilh\u00f5es de vezes repetida de que \u201ctodos teriam seus 15 minutos de fama\u201d. Em 1968, foi alvejado tr\u00eas vezes por uma ex-funcion\u00e1ria da <em>Factory<\/em>, doubl\u00ea de dramaturga e l\u00e9sbica que se prostitu\u00eda para ganhar a vida. Conseguiu sobreviver. Morreu\u00a0dezenove anos depois. Foi enterrado em Pittsburgh, cidade onde nasceu, descendente de uma fam\u00edlia de judeus h\u00fangaros, e onde est\u00e1 hoje o Museu Andy Warhol.<\/p>\n<p>Embora os di\u00e1rios, como livro, n\u00e3o fa\u00e7am jus a dimens\u00e3o do artista, AW \u00e9 o \u00faltimo grande esteta num mundo que banalizou-se plasticamente. Ele transformou\u00a0a arte\u00a0num objeto de consumo e foi o monstro sagrado das artes visuais. T\u00edmido, adquiriu, <em>post-mortem<\/em>, a celebridade\u00a0e a import\u00e2ncia do artista que fez a \u00faltima grande revolu\u00e7\u00e3o na arte moderna. Andy Warhol tamb\u00e9m est\u00e1 na s\u00e9rie <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=510927&amp;SubsecaoID=0&amp;Serie=Biografias\" target=\"_blank\">Biografias L&amp;PM<\/a>.<\/p>\n<div id=\"attachment_6938\" style=\"width: 446px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/marilyn-andy.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6938\" class=\"size-large wp-image-6938\" title=\"marilyn andy\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/marilyn-andy-1019x1023.jpg\" width=\"436\" height=\"435\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6938\" class=\"wp-caption-text\">O mito Marilyn imortalizado pelas cores do pai da pop arte<\/p><\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=7106\" target=\"_blank\"><strong><em>Para ler o pr\u00f3ximo post da s\u00e9rie &#8220;Era uma vez uma editora&#8230;&#8221; clique aqui.<\/em><\/strong><\/a><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado* Era o final de 1987 e\u00a0 ainda ecoava no mundo Pop as lamenta\u00e7\u00f5es pela morte de Andy Warhol. 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