﻿{"id":6630,"date":"2011-03-22T16:31:18","date_gmt":"2011-03-22T19:31:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=6630"},"modified":"2014-08-25T15:06:36","modified_gmt":"2014-08-25T18:06:36","slug":"20-o-%e2%80%9ccara%e2%80%9d-ou-o-chato-do-balzac","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=6630","title":{"rendered":"20. O \u201ccara\u201d (ou o chato) do Balzac"},"content":{"rendered":"<p><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"ERA UMA VEZ 2\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/ERA-UMA-VEZ-22-1024x122.jpg\" width=\"450\" height=\"53\" \/><\/em><\/p>\n<p><em>Por Ivan Pinheiro Machado*<\/em><\/p>\n<p>Um dia, estava numa livraria num Shopping em Porto Alegre e uma senhora de uns 60 anos, especialmente bem vestida, aproximou-se, pediu licen\u00e7a e perguntou com uma informalidade em nada condizente com sua s\u00f3bria vestimenta e sua idade: \u201cO senhor \u00e9 o \u201ccara\u201d do Balzac?\u201d. Rindo, respondi alguma coisa e fui saindo&#8230; A verdade \u00e9 que a senhora tinha raz\u00e3o. Por curiosas raz\u00f5es, acabei me transformando em uma esp\u00e9cie de \u201camador aprofundado\u201d na vida e obra de <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=748315\">Honor\u00e9 de Balzac<\/a>. Vou contar como e porque aconteceu isso:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/balzac-carjat.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6649 alignleft\" title=\"balzac carjat\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/balzac-carjat-218x300.jpg\" width=\"174\" height=\"240\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/balzac-carjat-218x300.jpg 218w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/balzac-carjat.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 174px) 100vw, 174px\" \/><\/a>Em 2004, dentro do projeto editorial da <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=836333&amp;SubsecaoID=0\">Cole\u00e7\u00e3o L&amp;PM POCKET<\/a> decidimos publicar as principais hist\u00f3rias da <em><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Obras_de_A_Com%C3%A9dia_Humana_de_Balzac\">Com\u00e9dia Humana<\/a><\/em> j\u00e1 que, h\u00e1 muito tempo, ela n\u00e3o se encontrava nas livrarias os romances de Balzac. As 100 hist\u00f3rias (novelas, romances e contos) que comp\u00f5em a <em>Com\u00e9dia Humana<\/em> foram editadas no Brasil pela editora Globo na d\u00e9cada de 1940 numa edi\u00e7\u00e3o capitaneada por Paulo R\u00f3nai. Na d\u00e9cada de 1980, houve uma reedi\u00e7\u00e3o dos 17 volumes da <em>Com\u00e9dia Humana<\/em>. Logo esgotaram-se os exemplares e nunca mais se ouviu falar dos romances do Balzac. Nas livrarias, s\u00f3 eram encontrados volumes dispersos e geralmente os factuais, livros que ele escreveu sobre a imprensa, \u201cteoria do andar\u201d e alguns ensaios sobre comportamento e pol\u00edtica.\u00a0<a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=733536\"><em>Ilus\u00f5es Perdidas<\/em><\/a>, <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=072828\">Pai Goriot<\/a><\/em>, <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=749173\">Esplendores e mis\u00e9rias das cortes\u00e3s<\/a><\/em>, o c\u00e9lebre\u00a0<em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=921131\">Mulher de 30 anos<\/a><\/em>, <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=849292\">O l\u00edrio do Vale<\/a><\/em>, <em><a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=636453&amp;ID=743316\">Pele de Onagro<\/a><\/em>, s\u00f3 para citar alguns, apenas eram encontrados em sebos e olhe l\u00e1! Pois n\u00f3s decidimos recolocar o grande Honor\u00e9 nas livrarias. Mais precisamente na nossa cole\u00e7\u00e3o de bolso e em novas tradu\u00e7\u00f5es feitas pelos melhores tradutores dispon\u00edveis no mercado editorial. Pois por melhor que fossem as tradu\u00e7\u00f5es da edi\u00e7\u00e3o da Globo, eram tradu\u00e7\u00f5es datadas. O que, ali\u00e1s, era normal, j\u00e1 tinham sido feitas na d\u00e9cada de 1940.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-6647\" title=\"balzac2\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/balzac2-264x300.jpg\" width=\"158\" height=\"180\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/balzac2-264x300.jpg 264w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/balzac2.jpg 427w\" sizes=\"auto, (max-width: 158px) 100vw, 158px\" \/><\/p>\n<p>Uma vez tomada a resolu\u00e7\u00e3o, por onde come\u00e7ar? Primeiro, tentamos um contato com a Globo. Quem sabe comprar as tradu\u00e7\u00f5es e revis\u00e1-las? Fomos informados de que era imposs\u00edvel negociar ou republicar a \u201cCom\u00e9dia\u201d devido a quest\u00f5es jur\u00eddicas. Pensei em consultar algum especialista que pudesse me dar um roteiro de publica\u00e7\u00e3o, uma ordem de import\u00e2ncia. Perguntei em Porto Alegre, S\u00e3o Paulo, Rio&#8230; e nada. Poucos nomes me foram sugeridos, todos indispon\u00edveis. Tentei nas universidades, fui atr\u00e1s de \u201cbalzaquistas\u201d, mas acabei dando sempre com a cara na porta. Foi ent\u00e3o que \u2013 na falta dos especialistas, resolvi eu mesmo, exercendo meu of\u00edcio de editor, mergulhar no mundo impressionante do inventor do romance moderno. Ou seja, resolvi abra\u00e7ar Balzac. E me pus a ler.\u00a0Compramos aqui na editora uma edi\u00e7\u00e3o da Pl\u00eaiade, da Gallimard, para ter o Balzac no original e nos sebos, reunimos a edi\u00e7\u00e3o dos 17 volumes da Globo, capa dura, da d\u00e9cada de 1950. E me pus a ler, ler, ler, quase pirei. Sa\u00ed atr\u00e1s de textos sobre Balzac. Procurei raridades em Paris, o livro de Teophile Gautier, o ensaio de <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=8\">Baudelaire<\/a>, o livro de Alain, a biografia escrita por <a href=\"http:\/\/lpm.com.br\/site\/default.asp?TroncoID=805134&amp;SecaoID=948848&amp;SubsecaoID=0&amp;Template=..\/livros\/layout_autor.asp&amp;AutorID=828038\">Stefan Zweig<\/a>, a escrita por Maurois, outras mais, enfim, viajei. Foram cerca de 40 romances e novelas, uns 15 contos do Balzac e mais uns 20 livros sobre ele, al\u00e9m de meia d\u00fazia de biografias. Quase virei um chato.<\/p>\n<p>Um dia, num evento liter\u00e1rio na Livraria Cultura em Porto Alegre, promovido pela Alian\u00e7a Francesa, fui convidado a falar sobre Balzac. Era eu e o professor Voltaire Schilling, um homem de vasto saber. Cada um tinha um tempo determinado para falar. O prefessor Voltaire fez uma bela explana\u00e7\u00e3o sobre a rela\u00e7\u00e3o entre Balzac e Paris. Falou uns trinta minutos e me passou a bola. Fiz um perfil biogr\u00e1fico r\u00e1pido de Balzac, citei seus livros principais e \u2013 como curiosidade \u2013 falei sobre a \u201cdiversidade sexual\u201d em Balzac, ou seja, v\u00e1rios de seus livros contemplam todas as tribos, da homossexualidade masculina, feminina, viciados em sexo, pol\u00edgamos, cortes\u00e3s insaci\u00e1veis e at\u00e9 zoofilia. Enfim, comecei a contar hist\u00f3rias, passagens, falar sobre a <em>Com\u00e9dia Humana<\/em>, seus personagens que se entrecruzam, e fui falando, falando, at\u00e9 que o franc\u00eas da Alian\u00e7a Francesa, sentado entre eu e o professor Voltaire (que tinha colocado na minha frente v\u00e1rios papeizinhos, que eu nem notei) agarrou-se no meu bra\u00e7o e sussurou no meu ouvido: \u201cChega!\u201d. Eu, espantado, interrompi em meio \u00e0 frase em que eu falava dos estonteantes atributos f\u00edsicos da Condessa de Langeais&#8230; Ele me tomou o microfone e disse. \u201cMuito obrrrrigado a todos! Assim encerramos nosso ciclo sobrrrrre Balzac\u201d.\u00a0 Em tempo: os tais papeizinhos que eu n\u00e3o li, diziam o seguinte: \u201cFaltam dois minutos\u201d, outro dizia \u201cUm minuto\u201d e outro \u201cTempo encerrado, fa\u00e7a a conclus\u00e3o\u201d&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=6783\" target=\"_blank\"><strong><em>Para ler o pr\u00f3ximo post da s\u00e9rie &#8220;Era uma vez uma editora&#8230;&#8221; clique aqui.<\/em><\/strong><\/a><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado* Um dia, estava numa livraria num Shopping em Porto Alegre e uma senhora de uns 60 anos, especialmente bem vestida, aproximou-se, pediu licen\u00e7a e perguntou com uma informalidade em nada condizente com sua s\u00f3bria vestimenta e sua idade: \u201cO senhor \u00e9 o \u201ccara\u201d do Balzac?\u201d. 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