﻿{"id":6506,"date":"2011-03-15T15:15:10","date_gmt":"2011-03-15T18:15:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=6506"},"modified":"2014-08-25T15:04:40","modified_gmt":"2014-08-25T18:04:40","slug":"19-o-perigoso-oficio-de-escritor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=6506","title":{"rendered":"19. O perigoso of\u00edcio de editor"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/ERA-UMA-VEZ-22.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-6512\" title=\"ERA UMA VEZ 2\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/ERA-UMA-VEZ-22-1024x122.jpg\" width=\"450\" height=\"53\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/ERA-UMA-VEZ-22-1024x122.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/ERA-UMA-VEZ-22-300x35.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/ERA-UMA-VEZ-22.jpg 1121w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Por Ivan Pinheiro Machado*<\/em><\/p>\n<p>Todo editor com alguma presen\u00e7a no mercado sofre um ass\u00e9dio di\u00e1rio por parte de escritores novos ou nem tanto. \u00c9 um lado estranho da profiss\u00e3o, pois temos que administrar a absoluta impossibilidade de publicar 99,9% do que nos \u00e9 oferecido, tendo o cuidado de n\u00e3o fulminar sonhos, ilus\u00f5es e, por que n\u00e3o, voca\u00e7\u00f5es. As editoras mais atuantes do mercado, sem exce\u00e7\u00e3o, t\u00eam o seu projeto editorial. Em cada uma delas, h\u00e1 um grupo de profissionais que faz a prospec\u00e7\u00e3o de novos t\u00edtulos. Sempre dentro de uma ideia de conjunto de lan\u00e7amentos e respeitando as s\u00e9ries, as grandes cole\u00e7\u00f5es e finalmente aquilo que chamamos a \u201ccara\u201d da editora ou, falando s\u00e9rio, a filosofia da editora. Ou seja, n\u00e3o se faz uma projeto de programa\u00e7\u00e3o anual esperando que chegue algum original genial pelo correio ou, modernamente, num PDF via e-mail. N\u00e3o. O projeto editorial de uma editora de respeito \u00e9 sempre previamente tra\u00e7ado e a busca de t\u00edtulos obedece a crit\u00e9rios rigorosos, tanto comerciais, como culturais. E isto, obviamente, n\u00e3o impede que sejam descobertos autores in\u00e9ditos.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1, de parte de muita gente, a ideia de que o editor TEM que ler o seu livro, TEM que publicar seus primeiros poemas. Alguns autores n\u00e3o admitem a recusa. Acham que uma editora comercial \u00e9 uma funda\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos. Enquanto que, na verdade, uma editora \u00e9 um neg\u00f3cio como outro qualquer; tem dezenas, \u00e0s vezes centenas, de funcion\u00e1rios, investe em mat\u00e9ria-prima, equipamento, tecnologia, marketing dos autores, prestadores de servi\u00e7o, etc, etc. Ou seja, uma editora tem que ter resultado comercial para poder pagar seus escritores, fornecedores e sobreviver como neg\u00f3cio. Dito isto, vou contar uma pequena f\u00e1bula sobre o perigos\u00edssimo of\u00edcio de editor:<\/p>\n<p><strong>Um punhal surge do escuro<\/strong><\/p>\n<p>Foi l\u00e1 pelo come\u00e7o dos anos 1990. Um jovem poeta, conhecido meu e filho de uma pessoa de muito prest\u00edgio na cidade, ligava insistentemente pedindo para falar comigo. Eu, sabendo o motivo do telefonema, instru\u00eda minha secret\u00e1ria a dizer que n\u00e3o estava para ver se o cara percebia que eu n\u00e3o queria falar. Mas ele insistiu, insistiu tanto, que eu acabei atendendo. Ele queria publicar os seus poemas para a Feira do Livro de Porto Alegre daquele ano. Eu expliquei que n\u00e3o est\u00e1vamos fazendo livros de poesia, que a Feira do Livro estava muito em cima da hora (dois meses) e que \u2013 ele me perdoasse \u2013 mas era comercialmente muito complicado publicar poetas estreantes, etc. etc. Ent\u00e3o ele pediu que, pelo menos, eu lesse os poemas dele. E se despediu bastante aborrecido. Prometi que leria seu precioso livro. E cumpri. Li os primeiros tr\u00eas poemas. Eram t\u00e3o prim\u00e1rios, infantis (o cara tinha uns 35 anos) que parei de ler e esqueci do assunto. Nossa sede era um sobrado na apraz\u00edvel rua Nova York no bairro Higien\u00f3polis em Porto Alegre. Um dia de inverno, fiquei trabalhando at\u00e9 mais tarde e fui o \u00faltimo a sair, j\u00e1 noite fechada. Meu carro estava estacionado em frente \u00e0 editora. Distra\u00eddo,\u00a0eu fechava\u00a0o port\u00e3o, quando uma sombra saltou de tr\u00e1s de uma \u00e1rvore. Meu cora\u00e7\u00e3o disparou, pois imaginei um assalto. O vulto aproximou-se e a luz do poste de ilumina\u00e7\u00e3o da rua fez com que rebrilhasse uma faca com uma l\u00e2mina de mais ou menos um palmo de comprimento. Parei aterrorizado. Quando consegui tirar os olhos da faca e olhar na cara do sujeito vi que era ningu\u00e9m menos do que&#8230; o poeta. Seus olhos faiscavam. \u201cAgora ter\u00e1s que me dizer por que n\u00e3o vais publicar meus poemas!!!\u201d<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/perigoso.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-6508 alignleft\" title=\"perigoso\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/03\/perigoso.jpg\" width=\"282\" height=\"433\" \/><\/a>Dei dois passos para tr\u00e1s. Fiquei com vontade de correr, afinal, como dizia o personagem de Albert Finney em \u201c\u00c0 sombra do vulc\u00e3o\u201d(de John Huston), aquela seria \u201cuma forma est\u00fapida de morrer\u201d. Mas correr seria uma imensa humilha\u00e7\u00e3o. Aos poucos, retomei a coragem e falei mansamente, sempre cuidando aquela l\u00e2mina amea\u00e7adora. \u201cCalma fulano (perdoem, mas n\u00e3o posso dizer o nome do cara), quem \u00e9 que disse que eu n\u00e3o vou publicar o teu livro?\u201d. Ele parou, fez um ar de espanto e deixou cair os bra\u00e7os. Ficou olhando aparvalhado para a faca e dizia baixinho: \u201co que que eu estou fazendo\u201d. Enquanto ele fazia esta reflex\u00e3o, eu saltei pr\u00e1 dentro do meu carro e sa\u00ed cantando pneu. O cora\u00e7\u00e3o batia na boca. Nunca mais vi o poeta. Pra dizer a verdade, nunca mais ouvi falar do poeta. Mas, para todos os efeitos, sempre que saio da editora mais tarde, anoitecendo \u2013 at\u00e9 hoje \u2013 sempre olho para os lados. Pode aparecer um assaltante, \u00e9 verdade, mas aprendi a tomar cuidado, sobretudo, com os poetas incompreendidos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=6630\" target=\"_blank\"><strong><em>Para ler o pr\u00f3ximo post da s\u00e9rie &#8220;Era uma vez uma editora&#8230;&#8221; clique aqui.<\/em><\/strong><\/a><em><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado* Todo editor com alguma presen\u00e7a no mercado sofre um ass\u00e9dio di\u00e1rio por parte de escritores novos ou nem tanto. \u00c9 um lado estranho da profiss\u00e3o, pois temos que administrar a absoluta impossibilidade de publicar 99,9% do que nos \u00e9 oferecido, tendo o cuidado de n\u00e3o fulminar sonhos, ilus\u00f5es e, por que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[777],"tags":[1444,447,5795,776,23,915,1445],"class_list":["post-6506","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-era-uma-vez-uma-editora","tag-editor","tag-editora","tag-era-uma-vez-uma-editora","tag-historia","tag-ivan-pinheiro-machado","tag-poeta","tag-punhal"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6506","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6506"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6506\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6517,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6506\/revisions\/6517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6506"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6506"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6506"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}