﻿{"id":6181,"date":"2011-02-25T15:34:05","date_gmt":"2011-02-25T18:34:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=6181"},"modified":"2012-04-02T16:46:34","modified_gmt":"2012-04-02T19:46:34","slug":"howl-um-filme-sobre-um-doce-poeta-e-sua-densa-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=6181","title":{"rendered":"&#8220;Howl&#8221;, um filme sobre um doce poeta e sua densa poesia"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Paula Taitelbaum<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 assisti <em>Howl <\/em>(Uivo) duas vezes. Uma amiga baixou e legendou para mim. Para os que est\u00e3o chegando agora, explico: <em>Howl<\/em> \u00e9 o filme que conta a hist\u00f3ria do processo vivido pelo poema\u00a0hom\u00f4nimo (em portugu\u00eas, <em>Uivo<\/em>) de Allen Ginsberg. Eis\u00a0minhas breves divaga\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p><em>Howl<\/em> \u00e9 um filme de amor: a paix\u00e3o do escritor por seus escritos. <em>Howl<\/em> \u00e9 um filme de terror: o horror de ver algu\u00e9m que tenta transformar met\u00e1foras em monstros. <em>Howl <\/em>\u00e9 um filme que n\u00e3o conta uma hist\u00f3ria: canta uma poesia. James Franco encarna Allen Ginsberg com maestria em pouco mais de noventa minutos que mesclam tempos e linguagens diferentes. Vemos o poeta <em>beat <\/em>em preto e branco recitando seu longo, l\u00e2nguido e denso poema, em 1955, na Six Gallery em S\u00e3o Francisco. Somos levados a uma viagem \u00e1cida e atemporal em desenho animado que lembra <em>The Wall<\/em>, do Pink Floyd. Aterrisamos no tribunal em que,\u00a0no ano de\u00a01957, <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=626470&amp;ID=548174\" target=\"_blank\">Lawrence Ferlinghetti<\/a>, o editor de <em>Howl<\/em>, est\u00e1 sendo julgado por obscenidade com base no conte\u00fado er\u00f3tico e homossexual do poema. Entramos na casa de Ginsberg,\u00a0quando o filme recebe um tom de document\u00e1rio e o poeta vivido por Franco conta a um rep\u00f3rter (ou talvez um bi\u00f3grafo) passagens de sua vida e o que sente ao escrever, enquanto flashbacks mostram sua rela\u00e7\u00e3o com <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..%2Flivros%2Flayout_buscaprodutos.asp&amp;FiltroStr=Jack+Kerouac&amp;FiltroCampo=Autores&amp;I1.x=21&amp;I1.y=6\" target=\"_blank\">Jack Kerouac<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/livros\/layout_produto.asp&amp;CategoriaID=527090&amp;ID=939460\" target=\"_blank\">Neal Cassady<\/a>. N\u00e3o \u00e9 um filme extraordin\u00e1rio, est\u00e1 longe de ser um filme inovador, t\u00e3o pouco se revela um filme que concorreria ao Oscar, por exemplo. Mas para quem\u00a0cria ou ama poesia, o filme emociona, soa como inspira\u00e7\u00e3o, faz refletir sobre o ato de escrever. Nos EUA, sua bilheteria n\u00e3o foi nada generosa e provavelmente por isso ele dificilmente entre em circuito comercial no Brasil. J\u00e1 em Londres, sua estreia est\u00e1 marcada oficialmente para hoje e todos os principais jornais brit\u00e2nico trazem textos e reportagens que falam sobre o assunto. No <em>The Guardian <\/em>de quarta-feira, por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel <a href=\"http:\/\/www.guardian.co.uk\/books\/2011\/feb\/23\/allen-ginsberg-howl-poem-film\" target=\"_blank\">ler uma mat\u00e9ria <\/a>que traz alguns depoimentos de pessoas que conviveram com Ginsberg, entre elas, John Cassady, filho de Neal e Carolyn Cassady. Seu depoimento revela uma das faces mais interessantes desse filme para mim: a oportunidade de conhecer um pouco melhor a doce personalidade de Allen Ginsberg. Veja o que disse John:<\/p>\n<blockquote><p><em>\u201cEu o considero meu segundo pai, mas ele era mais como um tio. Eu me lembro que, em 1964, os Beatles tinham acabado de chegar nos EUA \u2013 eu tinha 14 anos e era um grande f\u00e3 deles. Eu morava com meus pais em uma casa na Calif\u00f3rnia e Jack (Kerouac) e Allen e todo mundo estava sempre por l\u00e1. Foi uma inf\u00e2ncia bem interessante, como voc\u00ea pode imaginar. Eu estava sentado na mesa do caf\u00e9 na frente de Allen e ele disse: &#8216;Johnny! Voc\u00ea quer saber um furo de reportagem? Quer saber de uma sujeira?&#8217; Ele fez um olhar conspirat\u00f3rio e disse: &#8216;Os Beatles fumam maconha.&#8217; E eu perguntei: &#8216;O que \u00e9 maconha?&#8217; E Allen olhou at\u00f4nito para mim e fez aquela cara do tipo \u2018voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 o filho de Neal Cassady, como assim o que \u00e9 maconha?\u2019. Ele ficou todo excitado para me contar: ent\u00e3o ali estavam Allen Ginsberg e Bob Dylan introduzindo os Beatles \u00e0 maconha num quarto de hotel depois do show de Ed Sulivan. Quantos garotos ouviram uma hist\u00f3ria como esta?<\/em><\/p>\n<p><em>Uma vez minha m\u00e3e fez um fest\u00e3o em 1973, esqueci qual a desculpa. Allen apareceu com um grande curativo na sua perna direita, de muleta. Eu perguntei o que tinha acontecido e ele me deu uma piscada e disse: \u2018Perseguindo mulheres\u2019. Bem, ele sabia que eu sabia a verdade e eu dei uma grande gargalhada. Quando a pol\u00edcia chegou na festa havia carros acima e abaixo da rua por cinco quil\u00f4metros. Eles viram Allen e pediram um aut\u00f3grafo. Os policiais eram seus f\u00e3s. Ou seja: \u00e9 ou n\u00e3o \u00e9 um grande mundo esse? Allen foi sempre muito gentil e uma alma generosa, nunca foi ego\u00edsta. S\u00f3 muitos anos depois eu descobri que ele era uma esp\u00e9cie de rock star da literatura.\u201d<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_6182\" style=\"width: 409px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.lpm-webtv.com.br\/site\/default.asp?Template=..\/multimidia\/layout_exibir.asp&amp;MidiaID=549374&amp;TroncoID=539000&amp;SecaoID=519154\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6182\" class=\"size-full wp-image-6182 \" title=\"Howl filme\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/Howl-filme.jpg\" alt=\"\" width=\"399\" height=\"306\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6182\" class=\"wp-caption-text\">Clique sobre a imagem e veja v\u00eddeo com trechos de &quot;Howl&quot; legendados na L&amp;PM Web TV<\/p><\/div><\/blockquote>\n<p>O poema <a href=\"http:\/\/www.lpm.com.br\/site\/default.asp?Template=..%2Flivros%2Flayout_buscaprodutos.asp&amp;FiltroStr=Uivo&amp;FiltroCampo=Titulo&amp;I1.x=11&amp;I1.y=14\" target=\"_blank\"><em>Howl <\/em>(<em>Uivo<\/em>) <\/a>\u00e9 publicado na L&amp;PM em vers\u00e3o convencional e pocket.<!-- midiaid=\\'549374\\';arquivo=\\'Uivo.flv\\';imagem=\\'uivo1.jpg\\';legenda = \\'Uivo.xml\\';mini=false;autostart=false;EmbedVideo(); \/\/ --><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Paula Taitelbaum J\u00e1 assisti Howl (Uivo) duas vezes. Uma amiga baixou e legendou para mim. Para os que est\u00e3o chegando agora, explico: Howl \u00e9 o filme que conta a hist\u00f3ria do processo vivido pelo poema\u00a0hom\u00f4nimo (em portugu\u00eas, Uivo) de Allen Ginsberg. 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