﻿{"id":6146,"date":"2011-02-22T15:53:04","date_gmt":"2011-02-22T18:53:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=6146"},"modified":"2014-08-25T15:01:14","modified_gmt":"2014-08-25T18:01:14","slug":"16-millor-fernandes-vai-ao-pampa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=6146","title":{"rendered":"16. Mill\u00f4r Fernandes vai ao pampa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/ERA-UMA-VEZ-24.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-6147 aligncenter\" title=\"ERA UMA VEZ 2\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/ERA-UMA-VEZ-24-1024x122.jpg\" width=\"450\" height=\"53\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/ERA-UMA-VEZ-24-1024x122.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/ERA-UMA-VEZ-24-300x35.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/ERA-UMA-VEZ-24.jpg 1121w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>*Por Ivan Pinheiro Machado<\/em><\/p>\n<p>No in\u00edcio dos anos 80, Mill\u00f4r Fernandes e seu amigo, o fot\u00f3grafo Yllen Kerr (j\u00e1 falecido e conhecido como o homem que criou a moda de correr na beira da praia no Rio de Janeiro) vieram a Porto Alegre para uma excurs\u00e3o \u00e0s fronteiras vazias dos pampas. Nosso amigo Paulo Odone Ribeiro, que mais tarde seria deputado e presidente do Gr\u00eamio Foot-ball Portoalegrense, havia convidado a dupla carioca para passar a Semana Santa na sua fazenda, na fronteira com a Argentina, munic\u00edpio de S\u00e3o Borja, um dos legend\u00e1rios Sete Povos das Miss\u00f5es. O Paulo Lima, eu \u2013 j\u00e1 editores do Mill\u00f4r \u2013 e nossas respectivas mulheres da \u00e9poca, em dois carros Alfa Romeo Ti4 2300, levar\u00edamos o pessoal. Naquele tempo, as Alfas eram fabricadas no Brasil e tinham um tanque de gasolina de 100 litros. \u00c9 important\u00edssimo que os jovens saibam que, para economizar gasolina, era proibido por lei vender o precioso combust\u00edvel em fins de semana e feriados (viram como \u00e9 bom ditadura?). Como eram 700 quil\u00f4metros de Porto Alegre at\u00e9 a Fazenda Nossa Senhora do Perp\u00e9tuo Socorro e ir\u00edamos na Sexta-feira Santa, t\u00ednhamos que ter autonomia de combust\u00edvel, pois n\u00e3o poder\u00edamos reabastecer no caminho.<\/p>\n<p>Naquele tempo, no interiorz\u00e3o, n\u00e3o havia rede de eletricidade. A luz chegava atrav\u00e9s de um motor movido a \u00f3leo diesel, que era ligado ao anoitecer e desligado logo depois do jantar. Isto quer dizer que n\u00e3o havia televis\u00e3o, nem o mundo era globalizado. Depois de 12 horas de viagem, chegamos na fazenda num final de tarde cinematogr\u00e1fico. Um verdadeiro c\u00e9u \u201cde aer\u00f3grafo\u201d, como disse o Mill\u00f4r na ocasi\u00e3o. Para abrir a porteira da est\u00e2ncia veio um pe\u00e3o de bombachas, camiseta regata branca, palito nos dentes, sand\u00e1lias havaianas com esporas atadas ao p\u00e9 (esporas no \u201cgarr\u00e3o\u201d, como se diz na fronteira) e, naturalmente, um reluzente 38 cano longo na cintura. Andamos uma centena de metros at\u00e9 a sede da est\u00e2ncia, fomos recebidos pelo Odone e sua mulher Ni\u00fara que nos levaram imediatamente para o galp\u00e3o, centro nevr\u00e1lgico de uma fazenda ga\u00facha. O galp\u00e3o \u00e9 basicamente o local onde fica o pessoal de servi\u00e7o. Ali est\u00e1 o fogo de lenha de coronilha que jamais se apaga: esquenta a \u00e1gua do chimarr\u00e3o, cozinha o assado e aquece o pessoal nas madrugadas frias. No Rio Grande, o galp\u00e3o \u00e9 cultuado como o lugar de socializa\u00e7\u00e3o, onde rolam as conversas, os causos, enquanto o chimarr\u00e3o roda de m\u00e3o em m\u00e3o. Pois sentamos. A peonada vestida a car\u00e1ter, quieta, s\u00f3 observava aquela conversa animada e se divertia com o sotaque carioca dos visitantes. Subitamente, um daqueles pe\u00f5es aponta para o Mill\u00f4r e pergunta naquele sotaque fronteiri\u00e7o, quase puxado para um portunhol:<\/p>\n<p>\u2013 O senhor \u00e9 do Rio de Janeiro?<\/p>\n<p>\u2013 Sim sou, respondeu simpaticamente o Mill\u00f4r.<\/p>\n<p>E o pe\u00e3o tascou sem rodeios:<\/p>\n<p>\u2013 Conhece o Moreira?<\/p>\n<p>Houve um silencio perplexo.<\/p>\n<p>\u2013 Um gordo!\u2013 arrematou, fazendo um gesto com os bra\u00e7os que indicavam uma barriga acentuada.<\/p>\n<p>\u2013 Mas&#8230; \u2013 gaguejou Mill\u00f4r Fernandes espantado \u2013 o Rio \u00e9 muito grande&#8230;<\/p>\n<p>\u2013 Mas o Moreira \u00e9 um tipa\u00e7o \u2013 disse o homem \u2013, onde ele chega todo mundo j\u00e1 conhece pela prosa. Ele n\u00e3o para de falar!<\/p>\n<p>O Mill\u00f4r pensou, pensou e resolveu sair-se diplomaticamente:<\/p>\n<p>\u2013 Sabe, n\u00e3o estou me lembrando do Moreira&#8230;<\/p>\n<p><strong>Mill\u00f4r de bombachas<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_6151\" style=\"width: 420px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/Millor-pilchado.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-6151\" class=\"size-large wp-image-6151 \" title=\"Millor pilchado\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/02\/Millor-pilchado-650x1024.jpg\" width=\"410\" height=\"664\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6151\" class=\"wp-caption-text\">Mill\u00f4r Fernandes &#8220;pilchado&#8221; em 1979 &#8211; Foto: Ivan Pinheiro Machado<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para confirmar visualmente a hist\u00f3ria que narro a seguir, voc\u00eas podem ver Mill\u00f4r Fernandes totalmente \u201cpilchado\u201d, como um aut\u00eantico ga\u00facho. Botas, bombachas, chap\u00e9u de aba larga, len\u00e7o no pesco\u00e7o e a fundamental guaiaca, que \u00e9 o cintur\u00e3o que abriga o rev\u00f3lver e as facas. Em poucos dias, o grande intelectual carioca parecia um aut\u00eantico habitante dos pampas do extremo meridional brasileiro. Yllen Kerr, jornalista, fot\u00f3grafo, apreciador de esportes radicais e corredor de rua, causou furor entre a peonada ao montar de forma impec\u00e1vel um dos cavalos tidos como dos mais \u201cbrabos\u201d do plantel. Yllen tinha servido no ex\u00e9rcito, na Cavalaria, e tinha grande per\u00edcia para dominar um cavalo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No come\u00e7o da tarde do domingo, est\u00e1vamos todos vestidos desta forma radical, quando fomos convidados para acompanhar e peonada at\u00e9 a fazenda vizinha onde haveria carreiras (de cavalos) numa cancha reta. Era o grande programa domingueiro na regi\u00e3o. Est\u00e1vamos nos preparando para entrar na camionete, quando o velho pe\u00e3o que nos guiava apontou para a arma que Mill\u00f4r levava (descarregada, naturalmente):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; O senhor vai levar a arma?<\/p>\n<p>&#8211; Acho que vou, disse o Mill\u00f4r, rindo, mas sem muita convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Pretende usar? Perguntou o pe\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Claro que n\u00e3o!<\/p>\n<p>&#8211; Ent\u00e3o n\u00e3o leve.<\/p>\n<p>E encerrou o assunto. Na fronteira, cancha reta e rev\u00f3lver s\u00e3o assuntos muito s\u00e9rios&#8230;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=6242\" target=\"_blank\"><strong><em>Para ler o pr\u00f3ximo post da s\u00e9rie &#8220;Era uma vez uma editora&#8230;&#8221; clique aqui.<\/em><\/strong><\/a><em><\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Por Ivan Pinheiro Machado No in\u00edcio dos anos 80, Mill\u00f4r Fernandes e seu amigo, o fot\u00f3grafo Yllen Kerr (j\u00e1 falecido e conhecido como o homem que criou a moda de correr na beira da praia no Rio de Janeiro) vieram a Porto Alegre para uma excurs\u00e3o \u00e0s fronteiras vazias dos pampas. Nosso amigo Paulo Odone [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[777],"tags":[1343,23,258,1353,848,1355,1354,1356,1357],"class_list":["post-6146","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-era-uma-vez-uma-editora","tag-a-entrevista","tag-ivan-pinheiro-machado","tag-millor-fernandes","tag-pampa","tag-paulo-lima","tag-paulo-odone","tag-revista-oitenta","tag-sete-povos-das-missoes","tag-yllen-kerr"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6146"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6146\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6245,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6146\/revisions\/6245"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}