﻿{"id":5542,"date":"2011-01-25T14:35:50","date_gmt":"2011-01-25T16:35:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.lpm-editores.com.br\/blog\/?p=5542"},"modified":"2014-08-25T11:13:44","modified_gmt":"2014-08-25T14:13:44","slug":"vitimas-do-plano-cruzado-n%cb%9a10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=5542","title":{"rendered":"12. V\u00edtimas do Plano Cruzado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-23.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-5546\" title=\"ERA UMA VEZ 2\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-23-1024x122.jpg\" width=\"450\" height=\"53\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-23-1024x122.jpg 1024w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-23-300x35.jpg 300w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ERA-UMA-VEZ-23.jpg 1121w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><\/p>\n<div><em>Por Ivan Pinheiro Machado*<\/em><\/div>\n<p>O Eduardo \u201cPeninha\u201d Bueno, cujo <a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=5441\" target=\"_blank\">post anterior <\/a>eu tracei um r\u00e1pido perfil, me acompanhou v\u00e1rias vezes \u00e0 Feira Internacional do Livro de Frankfurt. Como eu j\u00e1 disse, vivenciamos dezenas de hist\u00f3rias hil\u00e1rias pelo mundo afora. Claro que houve algumas meio desagrad\u00e1veis, mas nenhuma t\u00e3o sinistra como esta que eu vou contar.<\/p>\n<p>Era o auge do Plano Cruzado em 1985. O \u201ccruzado\u201d era a moeda da vez e os pre\u00e7os estavam congelados. Nossa moeda era fort\u00edssima e todo o Brasil viajava. Voc\u00ea andava pela rua em Paris, Nova York, Roma e s\u00f3 se ouvia portugu\u00eas&#8230; Os aeroportos estavam apinhados de brasileiros excitados. Enfim, tudo um pouco parecido com o que acontece hoje em dia. Trabalhamos duro em Frankfurt, passamos uns dias em Paris e fomos para Madrid onde pegar\u00edamos o v\u00f4o de volta via Ib\u00e9ria. Havia uma verdadeira multid\u00e3o (80% eram brasileiros) em frente aos balc\u00f5es da Ib\u00e9ria. Mostramos nossa passagem para a atendente, ela olhou no \u201csistema\u201d e lascou: \u201cvoc\u00eas n\u00e3o est\u00e3o no v\u00f4o\u201d. E mais n\u00e3o disse. Ou melhor, nem nos olhou, mandou passar o pr\u00f3ximo e n\u00f3s ficamos gritando em v\u00e3o no meio de uma multid\u00e3o totalmente indiferente. Come\u00e7ava a\u00ed um drama que duraria 50 horas. Ou seja, ficamos mais de dois dias feito zumbis, nos arrastando pelo famigerado aeroporto de Barajas tentando falar com algu\u00e9m que nos desse aten\u00e7\u00e3o. Quando est\u00e1vamos j\u00e1 praticamente desesperados, definitivamente invis\u00edveis, Deus, na sua infinita bondade nos mandou um anjo salvador; era de Minas Gerais e trabalhava para a legend\u00e1ria Stella Barros Turismo. Penalizada pelo nosso miser\u00e1vel estado de decomposi\u00e7\u00e3o depois de 50 horas perambulando pelo aeroporto, dormindo nos bancos de madeira, ela milagrosamente conseguiu nos colocar num v\u00f4o da Aerolineas Argentinas para Buenos Aires, com escala em Nova York para troca de aeronave. S\u00f3 que n\u00e3o t\u00ednhamos visto para entrar nos EUA. Portanto, quando descemos do avi\u00e3o em NY, fomos levados escoltados diretamente para a emigra\u00e7\u00e3o e colocados numa esp\u00e9cie de cela guarnecida por um daqueles rapazes afro-americanos, tipo um negr\u00e3o de 2 metros de altura.\u00a0Um gentil policial que nos disse com um sorriso s\u00e1dico: \u201cesperamos que o pessoal da Aerolineas Argentinas venha busc\u00e1-los, se n\u00e3o&#8230;\u201d. Ficou aquela amea\u00e7a no ar. A temperatura era de 2 graus em Nova York. O Peninha e eu est\u00e1vamos em mangas de camisa, pois ainda fazia calor em Madrid. \u00a0O detalhe \u00e9 que, por coincid\u00eancia, a sala dos quase-deportados, era o \u00fanico lugar do aeroporto que n\u00e3o tinha calefa\u00e7\u00e3o. Passaram-se 10 minutos, meia hora, 1 hora e quando come\u00e7ou a bater o desespero, eis que, como uma vis\u00e3o do para\u00edso, surgiu uma lourinha de olhos azuis, sorridente, que dirigiu-se a n\u00f3s numa maravilhoso sotaque portenho: \u201cVamos?\u201d. E l\u00e1 fomos n\u00f3s com as ilus\u00f5es no ser humano restauradas at\u00e9 beijar o solo aben\u00e7oado do aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre\u00a0depois de\u00a0quatro dias com a mesma roupa, sem banho, sem cama e sem fazer a barba.<\/p>\n<div id=\"attachment_5544\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ivan-mirian-goldfader-eduardo-bueno-lais-pinheiro-machado-paris-1985.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-5544\" class=\"size-full wp-image-5544 \" title=\"ivan, mirian goldfader, eduardo bueno, lais pinheiro machado, paris 1985\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ivan-mirian-goldfader-eduardo-bueno-lais-pinheiro-machado-paris-1985.jpg\" width=\"440\" height=\"480\" srcset=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ivan-mirian-goldfader-eduardo-bueno-lais-pinheiro-machado-paris-1985.jpg 440w, https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/wp-content\/uploads\/2011\/01\/ivan-mirian-goldfader-eduardo-bueno-lais-pinheiro-machado-paris-1985-275x300.jpg 275w\" sizes=\"auto, (max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-5544\" class=\"wp-caption-text\">Ivan Pinheiro Machado, Mirian Goldfader, Eduardo Bueno e Lais Pinheiro Machado, Paris, 1985 &#8211; Foto tirada pouco antes do embarque para Madrid<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Plano Cruzado foi a primeira grande euforia econ\u00f4mica dos brasileiros. Um congelamento artificial paralisou os pre\u00e7os e a economia, depois de uma infla\u00e7\u00e3o beirando os aterrorizantes 40% ao m\u00eas. Com os pre\u00e7os congelados e o d\u00f3lar quase um por um, todos viajavam e compravam muito. Mas a alegria durou pouco. Demag\u00f3gico, improvisado, &#8220;a farra&#8221; do Plano Cruzado logo come\u00e7ou a fazer \u00e1gua. Desabastecimento, mercado negro, especula\u00e7\u00e3o, em pouco tempo tudo voltou a ser\u00a0como era antes. O monstro inflacion\u00e1rio atacou novamente! Velho Sarney! O p\u00e9riplo de horrores econ\u00f4micos que vivemos a partir do fracasso do \u201cPlano Cruzado\u201d acabou levando\u00a0\u00e0 presid\u00eancia da rep\u00fablica o famoso Fernando Collor de Mello. E esta hist\u00f3ria todos conhecem; confisco da poupan\u00e7a, corrup\u00e7\u00e3o&#8230; A curiosidade, que de certa forma \u00e9 uma f\u00e1bula deste pa\u00eds, \u00e9 que, passados mais de 20 anos, Sarney e Collor \u2013 um respons\u00e1vel pelo maior \u00edndice de infla\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria do Brasil e o outro\u00a0condenado no\u00a0processo de impeachment\u00a0 \u2013\u00a0 atualmente s\u00e3o senadores, apoiaram Lula apaixonadamente e circulam pelos corredores do congresso como se nada tivesse acontecido.<\/p>\n<div style=\"text-align: left;\"><a href=\"https:\/\/www.lpm-blog.com.br\/?p=5732\" target=\"_blank\"><strong><em>Para ler o pr\u00f3ximo post da s\u00e9rie &#8220;Era uma vez uma editora&#8230;&#8221; clique aqui.<\/em><\/strong><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: left;\"><em>\u00a0<\/em><\/div>\n<div>\n<div><em>\u00a0<\/em><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ivan Pinheiro Machado* O Eduardo \u201cPeninha\u201d Bueno, cujo post anterior eu tracei um r\u00e1pido perfil, me acompanhou v\u00e1rias vezes \u00e0 Feira Internacional do Livro de Frankfurt. 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